sexta-feira, 30 de outubro de 2015

Estabilidade

Por Manuel Gouveia, no jornal «Avante!»

O povo precisa de estabilidade. Aqueles que estão com contratos precários precisam de vínculos de trabalho estáveis. Aqueles que estão desempregados precisam de emprego. Aqueles que têm baixos salários precisam de salários mais altos. Os funcionários públicos e os trabalhadores do sector empresarial do Estado precisam que parem de roubar-lhes os salários. Aqueles casais sem possibilidade de colocar os filhos nos infantários ou incapazes de suportarem os custos com a educação «gratuita» precisam de garantias de acesso universal. Aqueles que devem três, quatro ou mais meses de renda aos bancos ou aos senhorios, e se vêem ameaçados com o seu despejo e dos seus, precisam da segurança de uma habitação digna. Aqueles que adiam análises ou abandonam tratamentos de saúde que lhes são indispensáveis precisam da Segurança Social que hoje não têm.
O povo precisa, deseja, anseia por estabilidade. Mas não há volta a dar: a estabilidade na vida do povo implica a socialização da riqueza produzida, o que implica a socialização dos principais meios de produção e dos serviços públicos essenciais.
E uma maior estabilidade não pode ser alcançada sem fazer cair muitas cadeiras e cadeirões. Há toda uma classe de exploradores e uma camada de parasitas que têm que sentir o chão a fugir-lhes debaixo dos pés. Estabilizar a vida do povo português implica desestabilizar aqueles que hoje gastam a palavra estabilidade, e que dizem e repetem até à (nossa) exaustão que o «País precisa de estabilidade».
É que eles dizem «País» porque têm medo de dizer «classes dominantes», porque precisam de disfarçar que o que querem estabilizar é esse domínio e os decorrentes privilégios e regalias. Precisam de estabilidade, como um pastor precisa da estabilidade do seu rebanho para o poder tosquiar, sacar-lhe o leite, as crias, a carne e até os ossos.
Os burgueses sonham com um povo domesticado quando falam em estabilidade, sonham com um povo submetido à sua ditadura. A estabilidade deles representa a desestabilização e precarização da vida do povo português. É que os sonhos deles são os nossos pesadelos. E vice-versa!

terça-feira, 27 de outubro de 2015

Metade das famílias portuguesas vive com menos de mil euros por mês,revela um estudo da DECO

De acordo com as conclusões de um inquérito da Associação para a Defesa dos Direitos do Consumidor sobre o orçamento familiar, as famílias com mais dificuldades em fazer face às despesas diárias são as que têm filhos menores, mesmo que ambos os cônjuges trabalhem.
"Metade destes agregados sobrevive com menos de mil euros por mês, não sendo difícil presumir que muitos dos elementos trabalhadores ganhem apenas o salário mínimo nacional (505 euros), ou até menos", conclui a DECO.
Fonte: «JN»

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

quarta-feira, 21 de outubro de 2015

Cai a máscara

Por Anabela Fino, no jornal «Avante!»

A histeria colectiva que tomou conta da direita em Portugal face a um hipotético entendimento do PS com o PCP e o BE, com vista à formação de um governo com apoio maioritário no Parlamento, trouxe à superfície o anti-comunismo mais primário que se possa imaginar e fez estalar – nalguns casos com grande surpresa de muitos – o verniz democrático com que um certo número de figuras públicas andou disfarçado desde sempre.
Vemos, ouvimos e lemos e o resultado é sempre o mesmo: os que se consideram donos da opinião pública por terem assento à mesa dos donos da opinião publicada estão não só à beira de um ataque de nervos mas positivamente em pânico. Só falta mesmo pedirem a intervenção da NATO – como sucedeu noutras latitudes – para evitar a todo o custo a concretização do seu maior pesadelo, a saber, a formação de um governo que não tenha como prioridade servir o capital.
Até parece, embora seja altamente improvável, que alguns destes fazedores de opinião caíram na própria armadilha de iludir incautos e ficaram presos no labirinto da sua demagogia. De tanto clamarem que as eleições legislativas «são para primeiro-ministro» parecem ter esquecido que em Portugal o que de facto se elege são deputados à Assembleia da República, pelo que razão tem o PCP ao sublinhar repetidamente a utilidade de cada voto na CDU, pois com votos se elege deputados e com o número de deputados eleitos se determina a composição política do Parlamento. De tanto rotularem o PCP de «partido do protesto» sem vocação para o poder, parecem ter-se convencido que isso é uma verdade insofismável. De tanto decretarem que o «arco da governação» se esgota no trio PS/PSD/CDS, parecem ter dado como certo que a «democracia» em que se aconchegam não pode jamais contemplar outras possibilidades.

Confrontados com o facto de o País não ser como o pintam e com a mera possibilidade – mera possibilidade, sublinhe-se – de o PS finalmente aceitar contribuir para uma alternativa à alternância, a direita mostra a sua verdadeira face. Há muito que não se via por cá, de forma tão ostensiva, o cair de tanta máscara. Fossem elas de vidro e mandaria a prudência muita atenção onde se põe os pés.

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

Quo vadis, PS?

Por Rui Sá no «JN»
Estas eleições tiveram o mérito de destruir (será que foi de vez?) uma falsidade que inquinava o processo eleitoral democrático: o de que as eleições legislativas "elegiam" o primeiro-ministro.
De facto, e mesmo sem se saber como isto vai terminar, fica claro que nas legislativas se elegem deputados e estes, de acordo com os resultados, é que têm a responsabilidade de ratificar, ou não, o primeiro-ministro indigitado pelo presidente da República.
Perante este facto a Direita, mas também alguns do PS, insistem na mentira, na esperança de que, sendo esta repetida mil vezes, se transforme em verdade. Daí a invenção de que quem "fica à frente" deve governar, dando mais importância a esse facto do que à vontade democraticamente expressa, dado que a maioria dos eleitores optou por não caucionar maioritariamente os que "ficaram à frente". Não tardará muito e proporão, tal como acontece na Grécia, um bónus de mais uns quantos deputados àqueles que ficam em primeiro lugar, de forma a, artificialmente, garantirem maiorias absolutas quando o povo não as deseja atribuir (ao mesmo tempo que declaram, com pompa e circunstância, que "o povo tem sempre razão"...).

Democracia da NATO na Ucrânia e a arte da guerra

Por Manlio Dinucci no ODiario.info

Após o golpe da “Praça Maidan” a Ucrânia é um estado reduzido à categoria de protectorado, governado a partir dos EUA e dos seus lacaios regionais, onde os bandos neonazis são integrados na Guarda Nacional e o Partido Comunista é ilegalizado. Para a NATO, a Ucrânia de Poroshenko está a caminho de ser “um estado soberano e independente, firmemente empenhado na democracia e no direito”.

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

NATO MOBILIZA-SE EM DEFESA DO ESTADO ISLÂMICO

Por José Goulão, no seu blogue Mundo Cão

A seita terrorista e sanguinária conhecida por “Estado Islâmico”, que também poderá designar-se Al-Qaida, Al-Nusra e Exército Livre da Síria – tiradas a limpo as consequências da existência deste – deixou de estar impune. Praticamente incólume desde que há um ano o todo-poderoso Pentágono anunciou que ia fazer-lhe guerra, bastaram-lhe agora uns dias sob fogo cerrado russo para entrar em pânico. Ou a aviação e a marinha da Rússia têm mais pontaria que as suas congéneres dos Estados Unidos da América e da NATO, o que é bastante improvável tendo em conta que não existem discrepâncias de fundo entre as tecnologias de ponta ao serviço destas potências, ou a diferença está simplesmente entre o que uns anunciam e os outros fazem. Diferença simples, mas de fundo, entre ser contra o terrorismo ou ser seu cúmplice.
De acordo com dados divulgados por fontes moscovitas, a Aviação e os mísseis de cruzeiro disparados de navios da Armada da Rússia destruíram já 112 alvos do Estado Islâmico instalados em território sírio ocupado, danos que incluem centros de comando, centrais de comunicação, bases de operações antiaéreas, além de estarem a provocar deserções em massa e um ambiente de pânico entre os terroristas. Propaganda de Moscovo, dirão muitos, mas sem razão. A desorientação entre os mercenários recrutados através do mundo e infiltrados na Síria a partir do Iraque, da Jordânia e, sobretudo, da Turquia está à vista de quem tem olhos para ver, principalmente os espiões atlantistas, bastando-lhe acompanhar a guerra em directo transmitida pelos satélites.
Esta realidade parece ser tão crua que, para surpresa de tantos que ainda acreditam em histórias da carochinha, induz os dirigentes norte-americanos, incluindo Obama himself, a esquecer-se das aparências e a deixar escapar uma sentida indignação com tanta eficácia russa, capaz de, numa simples semana, ter mais êxito que os seus exércitos num ano inteiro.