A designação de Carlos Moedas para a Comissão Europeia dará razão, com plena assertividade, à popular afirmação segundo a qual se deve albardar o burro à vontade do dono. Distinguidas, por razão de rigor, os conceitos aqui presentes dos dois sujeitos – para o caso que nos ocupa comissário e instituição europeia, não jumento e respectivo dono –, e separadas as águas em matéria de enquadramento – a predominante ruralidade da asserção popular e a modernidade do antro financeiro europeu –, bem se pode dizer que dificilmente se encontraria mais feliz combinação entre o cargo a preencher e o titular a designar.
Em boa verdade, Moedas é daqueles casos em que, antes de ser, já o era: «comissário» do grande capital e da alta finança no Governo do País passa agora a «comissário» dos interesses dessa mesma alta finança em sítio diverso. Agora talvez em espaço mais acertado. Agente da política da troika que pôs o País e os portugueses a pão e água, Moedas tem agora recompensa merecida, com a inegável vantagem de, promovido de agente a mandante, poder dar expressão ao seu invejável currículo, integrando aquilo que é o conselho de administração da agenda do capital transnacional e dos centros internacionais da especulação financeira.
