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sexta-feira, 8 de agosto de 2014

Moeda de troika

Por Jorge Cordeiro, no jornal «Avante!»
A designação de Carlos Moedas para a Comissão Europeia dará razão, com plena assertividade, à popular afirmação segundo a qual se deve albardar o burro à vontade do dono. Distinguidas, por razão de rigor, os conceitos aqui presentes dos dois sujeitos – para o caso que nos ocupa comissário e instituição europeia, não jumento e respectivo dono –, e separadas as águas em matéria de enquadramento – a predominante ruralidade da asserção popular e a modernidade do antro financeiro europeu –, bem se pode dizer que dificilmente se encontraria mais feliz combinação entre o cargo a preencher e o titular a designar.
Em boa verdade, Moedas é daqueles casos em que, antes de ser, já o era: «comissário» do grande capital e da alta finança no Governo do País passa agora a «comissário» dos interesses dessa mesma alta finança em sítio diverso. Agora talvez em espaço mais acertado. Agente da política da troika que pôs o País e os portugueses a pão e água, Moedas tem agora recompensa merecida, com a inegável vantagem de, promovido de agente a mandante, poder dar expressão ao seu invejável currículo, integrando aquilo que é o conselho de administração da agenda do capital transnacional e dos centros internacionais da especulação financeira.

segunda-feira, 9 de junho de 2014

Um estrebuchar chantagista

Por Carvalho da Silva, no jornal «JN»
Anda por aí muita malvadez à solta e forte cheiro a chantagem política. O Governo e as forças que o sustentam desencadearam ostensivamente um ataque ao Tribunal Constitucional que visa transformar a Constituição da República em letra morta. A tentativa de humilhação pública do Tribunal e de subversão da Constituição tem um nome: golpe constitucional.
O ataque sustenta-se em quatro pilares: i) uma campanha de intimidação do povo português, apoiada nos fortes condicionalismos impostos à nossa vida pessoal e coletiva; ii) uma intervenção "cuidadosa" do presidente da República que, numa mal disfarçada cumplicidade com a maioria, ora atua na forma de distraído ora na de "moita-carrasco"; iii) utilização de fatores externos de pressão, desde logo a invocação constante das "sensibilidades" dos mercados e as ameaças de diversa ordem, incluindo a de um ainda maior empobrecimento, feitas pela Comissão Europeia; iv) aproveitamento da fragilidade e das contradições em que está mergulhado o Partido Socialista, e também das dificuldades da Esquerda em utilizar, de forma articulada e ofensiva, a sua significativa representação e capacidade de ação.

terça-feira, 27 de maio de 2014

PARLAMENTO EUROPEU CONTINUA NAS MÃOS DA AUSTERIDADE

Por Pilar Camacho, em JORNALISTAS SEM FRONTEIRAS





A pulverização do eleitorado nas eleições de 2014 é real nas urnas mas será aparente no Parlamento Europeu, onde o neoliberalismo austeritário continuará a ter um poder representado por quase 70% dos eurodeputados eleitos, contando ainda com a possibilidade de recorrer à reforçadíssima legião fascista.
As vitórias de partido fascistas em França, no Reino Unido e na Dinamarca, sempre acima dos 25% dos votos, representam, “sem dúvida, um ponto de viragem assustador na União Europeia”, alarma-se um alto funcionário do Conselho Europeu, em Bruxelas. “Ouvi muitos analistas durante as últimas horas tecendo considerações em torno da subida dos chamados ‘eurocépticos’, o que, explicado dessa maneira, me surpreende e assusta”, acrescentou. “Tais comentadores estão a usar esse termo baralhando zonas do espectro político entre a extrema direita e a esquerda contribuindo assim para esconder, voluntaria ou involuntariamente, a realidade fascista que ameaça a Europa. Tal como se esconde o fascismo na Ucrânia parece estar-se agora a dissolvê-lo dentro da União... Isto não tem nada a ver com a criação das comunidades, de certa maneira é o seu oposto”.