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quarta-feira, 11 de junho de 2014

Caladinhos, faladores & as coisas por aí

Por Baptista Bastos, no jornal «negócios»
Passos Coelho, que gosta de dizer coisas sem demonstrar grande preocupação com a verdade, afirmou, na "cimeira" com Rajoy, que deseja criar estabilidade e confiança, admitindo, de forma subjacente, o que, até agora, não conseguiu. Nada do que Passos diz me interessa, nem sequer mediocremente. Ele é um tipo sem palavra, que mantém, com o embuste e a mentira, uma relação entranhadamente doentia. E fá-lo com a amorosa cumplicidade do dr. Cavaco, certamente o pior Presidente da República que tivemos, incluindo o almirante Thomaz.
Vivemos submersos num oceano caótico e imoral. E é bom que o repitamos sem descanso. Assim o faço e farei, enquanto estes diligentes velhacos por aí andarem.
Na mesma ordem de ideias, o conflito que Passos alimenta com o Tribunal Constitucional atingiu as raias do obsceno. Ele e os seus sabem muito bem (ou, então, são burros) o que de inconstitucional apõem nos documentos orçamentais. Fazem-no porque ou jogam com a ideia de que o caso, ou os casos podem passar, ou desejam mesmo o confronto institucional, desgastante e vil. Inclino-me para esta última hipótese. Agora, ante a evidência dos factos, reafirmados por constitucionalistas respeitados, a rapaziada decidiu pedir a "aclaração" dos acórdãos. Nada disto é para ser levado a sério: mas, entretanto, Passos ganha tempo para cometer as piores prevaricações.
A base social de apoio da Coligação está notoriamente esvaziada, como as últimas eleições o provaram. E a própria natureza dos resultados exigia que o dr. Cavaco anunciasse eleições antecipadas. Mas este homem desasado e estranho pertence a outra estirpe, que não possui o timbre do cavalheirismo. Mantém-se calado e ignaro, e quando o faz, só diz disparates e tolices.