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quinta-feira, 31 de julho de 2014

Aniversários sangrentos

Por Jorge Cadima, no jornal «Avante!»

Cem anos após o começo da I Grande Guerra, e quase 75 após o início da II Guerra Mundial, o imperialismo está a lançar a Humanidade num novo e terrível conflito de enormes proporções. Os massacres israelita em Gaza e do fascismo ucraniano no Donbass têm mais em comum do que se possa pensar. As guerras no Iraque, Síria, Afeganistão, Líbia não chegaram a acabar. Os ataques militares por intermédio de aviões não tripulados (drones) semeiam a morte e destruição nesses países, mas também no Iémene, Paquistão, Somália e outros. Misteriosos bandos terroristas fazem o jogo do imperialismo na destruição da Nigéria, Iraque, Sudão. O planeta está a ser incendiado pelos senhores da guerra imperialista. Que agora ameaçam abertamente a Rússia, a China e qualquer outro país que não cumpra as ordens imperiais. Um sistema decadente e senil, mas armado até aos dentes, está disposto a sacrificar os povos para manter o seu domínio. Para parte importante do mundo não é exagero falar já hoje numa nova Grande Guerra. E ninguém pode garantir que não se esteja perante uma nova Guerra Mundial, de ainda maiores e mais devastadoras proporções, que ameaça a própria sobrevivência da Humanidade. 
Os mais de mil mortos de Gaza, na sua grande maioria civis e em boa parte crianças, são bem o espelho da barbárie do capitalismo dos nossos dias. De forma nada surpreendente, os promotores das chamadas «guerras humanitárias» estão calados. Sempre prontos a dizer que é preciso bombardear ou invadir o país X porque supostamente o seu povo estaria a ser vítima de alguma barbaridade (as mais das vezes fictícia e inventada pela propaganda do «partido da guerra»), calam-se perante a chacina diária duma população encurralada numa enorme prisão a céu aberto, quase toda refugiada de anteriores guerras e limpezas étnicas do monstro sionista. Ou juntam-se mesmo ao coro dos que, mais do que pôr a vítima e o agressor em pé de igualdade, têm o desplante de culpar a vítima pela agressão. 

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Chile – 40 anos

Por Jorge Cadima, no jornal «Avante!»

O imperialismo e as classes dominantes não hesitam
 em recorrer à violência mais
brutal



Passaram ontem 40 anos do golpe militar de Pinochet, que derrubou o governo da Unidad Popular (UP) e destruiu o regime democrático no Chile. O 11 de Setembro chileno continua a encerrar lições de grande importância para a luta de hoje.
Onze anos antes da vitória eleitoral da UP havia triunfado a Revolução Cubana, que inspirou os povos mas semeou o pavor entre as classes dominantes do continente. O Chile era, em 1970, um dos poucos países latino-americanos que não vivia sob uma ditadura feroz ao serviço do imperialismo e das parasitárias oligarquias nacionais. A UP juntou, em torno dum programa transformador de características anti-imperialistas, forças políticas diversas, entre as quais o forte Partido Comunista, com grande influência entre a classe operária, e um Partido Socialista, o partido de Salvador Allende, que – coisa já então rara no continente europeu – defendia transformações sociais progressistas e opções anti-imperialistas como a nacionalização da indústria do cobre, pilar da economia chilena. Foi com esse programa que venceu as eleições de 4 de Setembro de 1970, com quase 37% dos votos. E foi esse programa que começou a concretizar.

A vitória eleitoral da UP foi, desde a primeira hora, alvo de ataque feroz por parte do imperialismo e da reacção chilena. Dois dias antes da sessão parlamentar que haveria de confirmar a Presidência de Allende e, numa tentativa de impedir a tomada de posse, foi assassinado o Comandante em Chefe do Exército, René Schneider. Estava dado o sinal da dura realidade que o governo da UP teve de enfrentar: atentados, o lock-out patronal do sector rodoviário (fundamental no Chile de então), os açambarcamentos para desestabilizar a economia e criar condições para o golpe militar. Apesar de tudo, as conquistas sociais introduzidas pelo governo UP reforçaram o apoio, mesmo eleitoral, dos partidos da coligação progressista. Sentindo-se incapazes de derrotar o processo transformador no quadro da democracia burguesa vigente, as forças políticas da oligarquia chilena (Partido Nacional e Democracia Cristã) passaram decididamente para o campo da subversão e do golpismo. A partir do quartel-geral em Washington, o movimento popular foi liquidado pela violência e pela repressão feroz.