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sábado, 16 de agosto de 2014

Sendo sábado, temos música (220)




Tenho uma página em branco
e uma guitarra na mão
ando nisto há quatro dias
e não me sai a canção

os cinzeiros já não chegam
tenho que os despejar
pensei que um copo de vinho
pudesse vir a ajudar

mas só fico atordoado 
sinto o vapor a subir
imagino um crocodilo
estupidamente a sorrir

o piano ficou surdo
não me dá atenção
essas musas essas bruxas
roubaram-me a inspiração

eu vou mas é descansar 
deixar tudo espairecer
entre os cantos de uma folha
tudo pode acontecer

neste grande espaço em branco
só te quero dizer
nannanan
gosto de ti

Tenho uma página em branco 
gostava de a preencher
sem rabiscos escusados
sem coisas para inglês ver

uma simples mancha negra
pode ser solução
perspectiva actualizada
desta minha situação

tenho uma página em branco
e sinto a barba a crescer
há tanta coisa a tratar
há tanta coisa a aprender

o relógio já me disse
nunca olhes para trás
e o ponteiro das horas
insiste em não me deixar em paz

eu vou mas é descansar 
deixar tudo espairecer
entre os cantos de uma folha
tudo pode acontecer

neste grande espaço em branco
só te quero dizer
nannanan
gosto de ti

neste grande espaço em branco
só te quero dizer
nannanan
gosto de ti

Bom sábado, boas notícias e boa música.

sábado, 21 de dezembro de 2013

Sendo sábado, temos música (191)



Eu já estou farto das fotografias
que me querem vender todos os dias
os legionários mais os seus troféus
no chão a sangrar
Não posso mais olhar para aquela imagem
parece que é sempre a mesma paisagem
a hipocrisia deste novo império
faz-me vomitar
Por isso eu tornei-me um optimista céptico
não sou bem igual ao céptico opti-místico
só quero encontrar paz
sem arrastar atrás nem mestre nem Deus
Já temos a informação cruzada
empacotada e globalizada
agora só nos falta a convicção
para acreditar
Há assassinos que não se arrependem
há tantos pensadores que nunca aprendem
e há quem insista sempre em aprender
mas não quer pensar
Por isso eu tornei-me um optimista céptico...
Gostava de ser ecologista exótico
sem perder de vista o meu perfil erótico
Ainda vou ser ilusionista crónico
um mestre da fuga, um mago supersónico
Bom sábado, boas notícias e boa música.

sábado, 8 de junho de 2013

Sendo sábado, temos música (172)




Deixa-me rir
Essa história não e tua
Falas da festa, do sol e do prazer
Mas nunca aceitaste o convite
Tens medo de te dar
E não e teu o que queres vender
Deixa-me rir
Tu nunca lambeste uma lágrima
Desconheces os cambiantes do seu sabor
Nunca seguiste a sua pista
Do regaço à nascente
Não me venhas falar de amor
Pois é, pois é
Há quem viva escondido a vida inteira
Domingo sabe de cor, o que vai dizer
Segunda feira
Deixa-me rir
Tu nunca auscultaste esse engenho
De que falas com tanto apreço
Esse curioso alambique
Onde são destilados
Noite e dia o choro e o riso
Deixa-me rir
Ou entao deixa-me entrar em ti
Ser o teu mestre so por um instante
Iluminar o teu refúgio
Aquecer-te essas mãos
Rasgar-te a mascara sufocante
Pois é, pois é
Ha quem viva escondido a vida inteira
Domingo sabe de cor, o que vai dizer
Segunda feira

Bom sábado, boas notícias e boa música

sábado, 9 de março de 2013

Sendo sábado, temos música (160)



Chegaste com três vinténs
E o ar de quem não tem
Muito mais a perder
O vinho não era bom
A banda não tinha tom
Mas tu fizeste a noite apetecer
Mandaste a minha solidão embora
Iluminaste o pavilhão da aurora
Com o teu passo inseguro
E o paraíso no teu olhar

Eu fiquei louco por ti
Logo rejuvenesci
Não podia falhar
Dispondo a meu favor
Da eloquência do amor
Ali mesmo à mão de semear
Mostrei-te a origem do bem e o reverso
Provei-te que o que conta no universo
É esse passo inseguro
E o paraíso no teu olhar

Dá-me lume, dá-me lume
Deixa o teu fogo envolver-me
Até a música acabar
Dá-me lume, não deixes o frio entrar
Faz os teus braços fechar-me as asas
Há tanto tempo a acenar

Eu tinha o espírito aberto
Às vezes andei perto
Da essência do amor
Porém no meio dos colchões
No meio dos trambolhões
A situação era cada vez pior
Tu despertaste em mim um ser mais leve
E eu sei que essencialmente isso se deve
A esse passo inseguro
E ao paraíso no teu olhar

Dá-me lume, dá-me lume
Deixa o teu fogo envolver-me
Até a música acabar
Dá-me lume, não deixes o frio entrar
Faz os teus braços fechar-me as asas
Há tanto tempo a acenar

Se eu fosse compositor
Compunha em teu louvor
Um hino triunfal
Se eu fosse crítico de arte
Havia de declarar-te
Obra-prima à escala mundial
Mas eu não passo dum homem vulgar
Que tem a sorte de saborear
Esse teu passo inseguro
E o paraíso no teu olhar
Esse teu passo inseguro
E o paraíso no teu olhar

Bom sábado, boas notícias e boas músicas.

sábado, 19 de maio de 2012

Sendo sábado, temos música (125)





Finalmente a Sós

Jorge Palma


Antes de teres aberto o bar
antes de teres mirado o rio
eu era alguém
ás costas de outro alguém
trouxeste mais contradições
trouxeste mais opiniões
e agora sou mais outro zé ninguém

finalmente só
finalmente a sós

quando eu já estava a sossegar
quando eu já estava a adormecer
vi-te dançar e a minha paz morreu
odeio a luz do teu olhar
quando não brilha só pra mim
pensei que fosses um brinquedo meu

finalmente só
finalmente a sós

finalmente só
finalmente a sós (2x)


Bom sábado, boas notícias e boa música.


sábado, 5 de novembro de 2011

Sendo sábado, temos música (106)

( se calhar não tem nada a ver, mas na sequência do post de ontem, apetecei-me ouvir esta... do Jorge Palma.)



Estás demitido, obviamente demitido
tu nunca roubaste um beijo
e fazes pouco das emoções
és o espantalho dos amantes.
Estás demitido, obviamente demitido
evitas a competência
não reconheces o mérito
és um pilar da cepa torta

E assim vamos vivendo
na província dos obséquios
cedendo e pactuando enquanto der
filósofos sem arte, afugentamos o desejo
temos preguiça de viver

Estás demitido, obviamente demitido
subornas os próprios filhos
trocaste o tempo por máquinas
tu és um pai desnaturado.
Estás demitido, obviamente demitido
arrasas a obra alheia
às vezes usas pseudónimo
tu és um crítico de merda

E assim vamos vivendo...

Estás demitido, obviamente demitido
encostas-te às convergências
nunca investiste num ideal
tu sempre foste um demitido
tu foste sempre um demitido
já nasceste demitido!

Bom sábado, boas notícias e boa música.