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sexta-feira, 9 de outubro de 2015

NATO MOBILIZA-SE EM DEFESA DO ESTADO ISLÂMICO

Por José Goulão, no seu blogue Mundo Cão

A seita terrorista e sanguinária conhecida por “Estado Islâmico”, que também poderá designar-se Al-Qaida, Al-Nusra e Exército Livre da Síria – tiradas a limpo as consequências da existência deste – deixou de estar impune. Praticamente incólume desde que há um ano o todo-poderoso Pentágono anunciou que ia fazer-lhe guerra, bastaram-lhe agora uns dias sob fogo cerrado russo para entrar em pânico. Ou a aviação e a marinha da Rússia têm mais pontaria que as suas congéneres dos Estados Unidos da América e da NATO, o que é bastante improvável tendo em conta que não existem discrepâncias de fundo entre as tecnologias de ponta ao serviço destas potências, ou a diferença está simplesmente entre o que uns anunciam e os outros fazem. Diferença simples, mas de fundo, entre ser contra o terrorismo ou ser seu cúmplice.
De acordo com dados divulgados por fontes moscovitas, a Aviação e os mísseis de cruzeiro disparados de navios da Armada da Rússia destruíram já 112 alvos do Estado Islâmico instalados em território sírio ocupado, danos que incluem centros de comando, centrais de comunicação, bases de operações antiaéreas, além de estarem a provocar deserções em massa e um ambiente de pânico entre os terroristas. Propaganda de Moscovo, dirão muitos, mas sem razão. A desorientação entre os mercenários recrutados através do mundo e infiltrados na Síria a partir do Iraque, da Jordânia e, sobretudo, da Turquia está à vista de quem tem olhos para ver, principalmente os espiões atlantistas, bastando-lhe acompanhar a guerra em directo transmitida pelos satélites.
Esta realidade parece ser tão crua que, para surpresa de tantos que ainda acreditam em histórias da carochinha, induz os dirigentes norte-americanos, incluindo Obama himself, a esquecer-se das aparências e a deixar escapar uma sentida indignação com tanta eficácia russa, capaz de, numa simples semana, ter mais êxito que os seus exércitos num ano inteiro.

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

A BATOTA DOS REGULADORES

Por José Goulão, no seu blogue Mundo Cão
 
Algumas das mais ilustres explicações sobre o que se vai passando nos nossos quotidianos, intra ou extra-fronteiras, são remetidas para “os reguladores”. Os reguladores são, por isso, uma espécie de juízes, árbitros, ou mesmo deuses que determinam se os mecanismos que fazem funcionar a sociedade são aplicados segundo os parâmetros não propriamente das leis mas sim dos equilíbrios que, segundo os reguladores, devem existir.
Há reguladores para tudo e depois, vai-se a ver, são tantos que pouco ou nada regulam e, quando o fazem, mais valia que estivessem quietos.
O Banco de Portugal, por exemplo, deixou de ser banco central e passou a “regulador”. Depois existem reguladores para a concorrência, a energia, a saúde, a comunicação social (valha-nos Deus!), a bolsa de valores, os combustíveis e o mais que descubram na vossa memória e pesquisem nas boas falas de analistas, colunistas, comentadores, moderadores e outros querubins do regime.
Reguladores há-os intra e extra-fronteiras, isto é, no aconchego de cada país e na grande metrópole europeia. Por isso os reguladores se multiplicam como cogumelos, tropeçando uns nos outros, remetendo competências de uns para os outros (quando a batata é supostamente quente) para, no fim das contas, nada regularem e tudo aceitarem.

quinta-feira, 9 de julho de 2015

UM PAÍS QUE ODEIA OS SEUS CIDADÃOS

Por José Goulão no seu blog  Mundo Cão.

Há um país que odeia os seus cidadãos. Outros haverá, mas fixemo-nos neste que dá pelo nome de Portugal, se gaba de ser muito antigo, muito cheio de história, saudoso de tempos imperiais e que, em cima destas glórias, maltrata os seus cidadãos.
Quando se escreve país não se faz alusão a uma entidade abstracta, mítica, mas sim aos seus dirigentes que, através de gerações e sob diferentes rótulos políticos, têm como traço de união o ódio aos seus concidadãos.
A acusação é grave, mas os comportamentos em causa são-no ainda mais. Tal ódio ressalta de estudos sociológicos apresentados tempos atrás de tempos e que, merecendo as reservas que exige a inexactidão inerente às ciências humanas, têm a credibilidade de corresponder ao que cada cidadão, se tiver os sentidos despertos para a realidade envolvente, vai captando dia após dia.
Dizem as investigações mais recentes, cujos resultados foram divulgados apenas há meia dúzia de horas, que Portugal é o país com maior taxa de emigração entre os 28 da União Europeia, o país que demonstra menos apetência por livros e outras coisas da cultura, o país onde 20 por cento da sua força de trabalho tem um vínculo precário – isto é, um estado paredes meias com o trabalho escravo.

quarta-feira, 13 de maio de 2015

A CARTA

Por José Goulão, no seu blog Mundo Cão.


Dizem ilustres politólogos, esses afamados feiticeiros da modernidade neoliberal, que o senhor primeiro-ministro inglês, o janota Cameron, ganhou as eleições por causa de uma carta. Uma carta, vejam bem, coisa mais prosaica nestes tempos em que nem a NSA, tão entretida a chafurdar nos nossos e-mails, se lembraria de vasculhar porque nas caixas de correio nada mais se depositam, hoje em dia, que panfletos publicitários e contas para pagar. De qualquer maneira se os politólogos dizem que é uma carta é porque foi uma carta, afinal de contas nada nos deve surpreender na Inglaterra tão tradicionalista e aristocrática.
Uma carta infeliz, como são as cartas com vocação dramática, e sabemos quão dramáticos são os resultados das eleições, sobretudo para os eleitores que fazem a cruzinha vincando esperanças para instantes depois o seu boletim estar a caminho do lixo reciclável.

quinta-feira, 5 de março de 2015

QUANDO A VERGONHA É POUCA

Por José Goulão, na sua página do facebook

O Egipto e o Qatar bateram de frente na última reunião da Liga Árabe por causa do Estado Islâmico. Nada mais previsível, é a ordem natural das coisas, o primeiro ficou com o Estado Islâmico em casa ao permitir que outros lhe façam os trabalhos de casa, e o segundo financia-o.
O assunto passou quase despercebido, se é que não foi escondido, à douta comunicação social agora entretida a demonizar o Estado Islâmico, e com fartas razões para isso. Mas escapando-lhe o essencial.
E o choque entre o Egipto e o Qatar faz parte do essencial, o oportunismo, a falta de vergonha e a desumanidade que campeiam nas relações internacionais.
O Egipto está em pânico com o Estado Islâmico porque o grupo se instalou no Sinai, onde continua a reforçar-se, em grande parte devido às consequências do golpe militar que, com o apoio dos Estados Unidos, da União Europeia e da NATO, restabeleceu o regime castrense no país trocando o general Mubarak, fora do prazo de validade, pelo general Al-Sisi. Além de terem espezinhado todos os valores democráticos manifestados através do movimento de Primavera Árabe – que no Egipto foi genuíno – os militares e os seus patronos lançaram-se numa caça contra a Irmandade Muçulmana, a qual, entre muitas culpas, a única que não tem é a de ter ganho com vastas maiorias absolutas todas as eleições livres e limpas realizadas no país. Para o melhor e o pior, é assim que funciona a democracia.

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

SANÇÕES

Por José Goulão, em Jornalistas Sem Fronteiras
O manuseamento de sanções económicas, políticas e militares no âmbito da chamada comunidade internacional é uma das práticas que mais traduz a arbitrariedade e a mentalidade ditatorial que reinam na ordem mundial.
O acto de sancionar um país, instituições ou dirigentes não é geral e universal, não obedece a regras objectivas, a leis incluídas em qualquer código de Direito credível. É discricionário, interesseiro, conjuntural e está nas mãos de decisores que, além de mentir, assumem eles mesmos os comportamentos pelos quais sancionam os outros. A sanção é um instrumento de poder que está verdadeiramente na mão de governos ou alianças de governos autistas e autoritários e não de instâncias internacionais como a ONU, por exemplo.
Durante muito tempo o exemplo mais flagrante da arbitrariedade de quem sanciona foi a perseguição ao Irão, que se mantém – mesmo admitindo-se que venha a ser atenuada – num quadro de punição aos países que os Estados Unidos da América, e os outros que lhes obedecem, definiram como “párias”.
Porém, como consequência natural da impunidade com que actuam os poderes dominantes mundiais, os exemplos ampliaram-se e tornaram-se até grosseiros, não hesitando os decisores em servir-se da mentira se isso for necessário às suas conveniências.
A chacina que Israel pratica entre a população praticamente indefesa da Faixa de Gaza tem sido condenada a vários níveis, mesmo de onde é difícil que saiam palavras dissonantes da ordem norte-americana, como é o caso do secretário geral da ONU em serviço.

segunda-feira, 30 de junho de 2014

ADEUS SYKES-PICOT!

Por José Goulão, em Jornalistas sem Fronteiras.
Foram maus enquanto duraram? Foram... Os que vêm substitui-los serão melhores? Não... Os objectivos da estranhamente fulminante ofensiva do Exército Islâmico do Iraque e Levante (EIIL), um grupo terrorista que até há pouco mal existia, pelo Iraque adentro vão começando a desvendar-se. Até aqui havia suspeitas, agora há confirmações: estamos a assistir à criação de um novo mapa do Médio Oriente. As fronteiras combinadas pela Grã Bretanha e a França sobre os escombros da Primeira Guerra Mundial e do Império Otomano estão a desvanecer-se e a ser substituídos por novas cartas regionais, também impressas a sangue, agora definidas pelos Estados Unidos da América e Israel.

segunda-feira, 2 de junho de 2014

A ARMADILHA

Por José Goulão, em JORNALISTA SEM FRONTEIRAS
A União Europeia não resistiu às suas próprias eleições, através das quais procuraria chancelar um  conteúdo democrático que não tem. Desta conclusão global decorrem todas as análises parcelares, sejam sobre a abstenção, sobre a subida da extrema direita, sobre as falências ideológicas, sobre o primado dos mercados, sobre a falsa história oficial do nascimento e desenvolvimento da integração europeia.
Ironia  das ironias, as eleições europeias não tiveram mais valor democrático do que as que a União Europeia apadrinhou na Ucrânia, legitima no Egipto ou excomunga na Síria. Se na União votaram muito menos de metade das pessoas recenseadas, na Ucrânia não votou meio país, no Egipto o partido mais votado foi proibido de concorrer, na Síria vota-se em plena guerra civil a cujas origens a União Europeia não é alheia.

terça-feira, 20 de maio de 2014

A UE “FAZ MAL ÀS PESSOAS MESMO SEM EXISTIR”


Por José Goulão e Pilar Camacho, em JORNALISTAS SEM FRONTEIRAS


No Serviço Europeu de Acção Externa (SEAE) soam “sinais de alarme por todos os lados” a uma semana das eleições europeias. “Aqui ninguém se entende, ninguém sabe qual é o rumo, as decisões e contra-decisões sucedem-se”, alerta um alto funcionário do Serviço. “A União Europeia não tem política externa própria numa fase em que a Europa e a Ásia estão em ebulição”;  a alta representante Ashton é “um barco à deriva”, acrescentou.
O sentido mais correcto da tradução da definição do comportamento da baronesa Catherine Ashton pelo nosso interlocutor seria “barata tonta”. Trocámos impressões em várias línguas e ele achou que a ideia de “barco à deriva” seria “mais universal”.
“Repare só nos acontecimentos dos últimos dias, e não vou enumerá-los todos: a Rússia diz que tem respostas para as sanções e numa semana desbloqueia um negócio da China com a China, em discussão há 10 anos, que Putin vai assinar agora a Xangai e garante o fornecimento de gás natural russo por 30 anos; os americanos animam a vocação militarista japonesa e protestos anti chineses em várias ilhas enquanto Putin responde à imprensa de Xangai garantindo que as relações entre a China e a Rússia ‘nunca estiveram num ponto tão alto’; o ministro russo dos Estrangeiros desafia a NATO, diz que as relações com a aliança têm de ser revistas e num ápice desfaz um dos argumentos dos americanos para militarizar a Ucrânia e retira as tropas das fronteiras deste país dando como terminados os exercícios que estava a realizar. E o que faz a Europa perante tudo isto?” – interroga-se o alto funcionário.

quinta-feira, 15 de maio de 2014

“GUERRA ABERTA” EM BRUXELAS POR CAUSA DA UCRÂNIA



Por José Goulão. em JORNALISTAS SEM FRONTEIRAS
“Aqui dentro está tudo em guerra por causa da Ucrânia”. Quem assim fala é um alto funcionário das comunidades que se declara “farto de tanta birra e tanto amadorismo” a propósito da “descoordenação total entre dirigentes da União” sobre o que fazer com a actual situação ucraniana.
O desabafo foi feito depois do acto solene em que Durão Barroso pôs mil milhões de euros dos contribuintes europeus à mercê de Arseny Iatseniuk, o primeiro ministro não eleito de Kiev e um dos principais responsáveis pela entrega do aparelho militar e de segurança do país aos círculos neonazis e revanchistas.
Sobre a entrega desta verba aos meios que se indignam quando são qualificados como “junta” no poder não há grandes novidades. Diz-se que é para pagar as dívidas do gás natural à Rússia e que em troca deve a Ucrânia realizar as reformas fiscais e estruturais que muitos europeus não ucranianos bem conhecem,  principalmente os mais de 25 milhões no desemprego.
Porém, a “guerra” de que fala o alto funcionário não é por causa deste assunto, que é pacífico porque “está no ADN do golpe de Estado”, para usar uma expressão proferida pelo socialista belga Philippe Bertrand, correndo o risco de ser insultado como perigoso esquerdista. O mesmo Bertrand que se interrogou, em inocente conversa de café, sobre o critério que têm os dirigentes europeus ao entregar mil milhões de euros a um governo que dizem ser “transitório”, a menos de 15 dias de eleições. “Só se já sabem o resultado das eleições”, murmurou o meu amigo belga.

segunda-feira, 12 de maio de 2014

O VOTO E OS TANQUES

Por José Goulão, em JORNALISTAS SEM FRONTEIRAS

Com todo o respeito pelos militares que usam os tanques para defender direitos dos povos, a verdade é que sempre ouvi dizer que o voto é a arma do povo. Reflectir sobre isto levava-nos muito longe porque sabemos que os votos, traduzindo em tese os desejos e vontades dos que os depositam nas urnas, são usados muitas vezes – e cada vez mais pelo mundo fora – para deturpar as esperanças dos que ainda acreditam que a democracia é o veículo capaz de garantir uma governação à medida das maiorias.
Deixemo-nos de ilusões. Há muito que os senhores do dinheiro e os seus aios políticos da governação bipolar aprenderam a fazer com que a democracia formal seja a mais indolor das ditaduras para levar as pessoas a acreditar que escolheram uma coisa mas as circunstâncias, as crises e coisas correlativas não permitem que se cumpra, para já, a sua vontade, ficando para melhores dias desde que se sujeitem a fazer os indispensáveis sacrifícios.

segunda-feira, 31 de março de 2014

O “PREÇO DA INDEPENDÊNCIA”

Por José Goulão, no Facebook


Por ser “o gajo” dos americanos, como explicou a subscretária de Estado da Administração Obama ao seu embaixador em Kiev, o sr. Arseni Iatseniuk foi entronizado primeiro ministro da Ucrânia depois do golpe de Estado que substituiu um governo ineficaz e corrupto, mas eleito, por um governo controlado por neonazis, sustentado por agentes ineficazes e corruptos, e não eleito.
Na qualidade de intérprete privilegiado da estratégia montada pelos Estados Unidos e a NATO para estenderem o seu domínio sobre o Leste da Europa até às fronteiras da Federação Russa, o Sr. Iatseniuk tem merecido gestos carinhosos e afáveis dos senhores de Bruxelas que, sob a batuta da Srª Merkel, não era nele que pensavam para gerir a nova Ucrânia mas sim no boxeur Klitschko, que tem um partido apadrinhado pela direita euro-merkeliana apropriadamente designado UDAR – o golpe. Os dirigentes da União Europeia acederam, contudo, às normas de Washington que o Sr. Obama teve a delicadeza de levar a Bruxelas dizendo deixemo-nos de questiúnculas sobre os nossos pró-cônsules em Kiev, qualquer um deles fará o que desejarmos – em nome da democracia, com certeza.