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sábado, 1 de novembro de 2014

Sendo sábado, temos música (223)




Eu não sei como te chamas
Oh Maria Faia
Nem que nome te hei-de eu pôr
Oh Maria Faia oh Faia Maria
Cravo não que tu és rosa
Oh Maria Faia
Rosa não que tu és flor
Oh Maria Faia oh Faia Maria

Não te quero chamar cravo
Oh Maria Faia
Que te estou a engrandecer
Oh Maria Faia oh Faia Maria
Chamo-te antes espelho
Oh Maria Faia
Onde espero de me ver
Oh Maria Faia oh Faia Maria

O meu amor abalou
Oh Maria Faia
Deu-me uma linda despedida
Oh Maria Faia oh Faia Maria
Abarcou-me a mão direita
Oh Maria Faia
Adeus oh prenda querida
Oh Maria Faia oh Faia Maria

Bom sábado, boas notícias e boa música.

sábado, 11 de outubro de 2014

Sendo sábado, temos música (221)



Nem um poema, nem um verso, nem um canto,
Tudo raso de ausência, tudo liso de espanto
Amiga, noiva, mãe, irmã, amante,
Meu amigo está longe
E a distância é tão grande.
Nem um som, nem um grito, nem um ai
Tudo calado, todos sem mãe nem pai
Amiga noiva mãe irmã amante,
Meu amigo esta longe
E a tristeza é tão grande.
Ai esta magoa, ai este pranto, ai esta dor
Dor do amor sózinho, o amor maior
Amiga noiva mãe irmã amante,
Meu amigo esta longe
E a saudade é tão grande.
Bom sábado, boas notícias e boa música.

sábado, 16 de agosto de 2014

Sendo sábado, temos música (220)




Tenho uma página em branco
e uma guitarra na mão
ando nisto há quatro dias
e não me sai a canção

os cinzeiros já não chegam
tenho que os despejar
pensei que um copo de vinho
pudesse vir a ajudar

mas só fico atordoado 
sinto o vapor a subir
imagino um crocodilo
estupidamente a sorrir

o piano ficou surdo
não me dá atenção
essas musas essas bruxas
roubaram-me a inspiração

eu vou mas é descansar 
deixar tudo espairecer
entre os cantos de uma folha
tudo pode acontecer

neste grande espaço em branco
só te quero dizer
nannanan
gosto de ti

Tenho uma página em branco 
gostava de a preencher
sem rabiscos escusados
sem coisas para inglês ver

uma simples mancha negra
pode ser solução
perspectiva actualizada
desta minha situação

tenho uma página em branco
e sinto a barba a crescer
há tanta coisa a tratar
há tanta coisa a aprender

o relógio já me disse
nunca olhes para trás
e o ponteiro das horas
insiste em não me deixar em paz

eu vou mas é descansar 
deixar tudo espairecer
entre os cantos de uma folha
tudo pode acontecer

neste grande espaço em branco
só te quero dizer
nannanan
gosto de ti

neste grande espaço em branco
só te quero dizer
nannanan
gosto de ti

Bom sábado, boas notícias e boa música.

sábado, 9 de agosto de 2014

Sendo sábado, temos música (219)





Aunque tu, me has echado en el abandono

Aunque tu, has muerto todas mis ilusiones

Y en vez, de maldecirte con gusto en coro
En mis sueños te colmo,en mis sueños te colmo
De bendiciones

Sufro la inmensa pena de tu extravío
Siento el dolor profundo de tu partida
Y lloro sin que sepas que el llanto mio
Tiene lagrimas negras, tiene lagrimas negras
Como mi vida

Tu me quieres dejar, yo no quiero sufrir
Contigo me voy mi santa aunque me cueste morir

Un jardinero de amor, siembra una flor y se va
Otro viene la cultiva, de cual de los dos sera

Amada prenda querida, no puedo vivir sin verte
Porque mi fin es quererte y amarte toda la vida

Yo te lo digo mi amor, te lo repito otra vez
Contigo me voy mi santa porque contigo moriré

Yo te lo digo mi amor, que contigo morire
Contigo me voy mi santa te lo repito otra vez

Bom sábado, boas notícias e boa música.

sábado, 2 de agosto de 2014

Sendo sábado, temos música (218)

Retalhos da vida de um médico
Poema de Ary dos Santos



Serras, veredas, atalhos,
Estradas e fragas de vento,
Onde se encontram retalhos
De vidas em sofrimento
Retalhos fundos nos rostos,
Mãos duras e retalhadas
Pelo suor do desgosto,
Retalha as caras fechadas
O caminho que seguiste,
Entre gente pobre e rude,
Muitas vezes tu abriste
Uma rosa de saúde
[refrão]
Cada história é um retalho
Cortado no coração
De um homem que no trabalho
Reparte a vida e o pão
As vidas que defendeste,
E o pão que repartiste,
São lágrimas que tu bebeste
Dos olhos de um povo triste
E depois de tanto mundo,
Retalhado de verdade,
Também tu chegaste ao fundo
Da doença da cidade
Da que não vem na sebenta,
Daquela que não se ensina,
Da pobreza que afugenta
Os barões da medicina
Tu sabes quanto fizeste,
A miséria não segura,
Nem mesmo quando lhe deste
A receita da ternura
[refrão]
[refrão]
Bom sábado, boas notícias e boa música.

sábado, 26 de julho de 2014

Sendo sábado, temos música (217)


Era uma vez um país
"Lá num canto desta velha Europa,
era uma vez um país
vivia à beira do mal "prantado",
mas apodrecia na raíz

Reza a história que foi saqueado
mesmo por debaixo do nariz
Triste sina, oh que triste fado,
era uma vez um país

Os mandantes que por lá passavam
eram só ares de "bon vivant"
Viviam à grande e à francesa
como se não houvesse amanhã

Havia quem avisasse o povo
p´ra não dar cavaco a imbecis
Mas caíram na asneira de novo,
era uma vez um país

Esta fábula do imaginário
tão próxima do que é real
Canção de maledicente escárnio
à república do bananal

Que se encontrava em tão mau estado,
andava a gente tão infeliz
E o polvo já tão infiltrado,
era uma vez um país

E lá se vão sucedendo os casos,
grita o povo: "agarra que é ladrão!"
Mas passam belos dias à sombra do loureiro
Enquanto o Duarte lima as grades da prisão

E nunca se esgotam personagens
neste faz de conta que é assim
Raposas com passos de coelho no mato
e até um corta relvas de madeira no jardim

Entre campeões de assalto à vara
e filósofos de pacotilha
Entram nas portas dos submarinos azeiteiros de oliveira às costas
com o ouro da nação p'ra por nas ilhas Cai-mão, cai-pé, 
baixa os braços e as calças e a cabeça e o nariz,
aqui finda esta história que não tem final feliz"
(era uma vez um país)

Prémio Ary dos Santos -- Poesia
Tema -- Era uma Vez um País
Autor - Miguel Calhaz
Intérprete -- Miguel Calhaz

Bom sábado, boas notícias e boa música.

sábado, 19 de julho de 2014

Sendo sábado, temos música (216)



Como Se Faz Um Canalha


Conheci-te ainda moço
Ou como tal eu te via
Habitavas o Procópio
Ias ao Napoleao
Mas ninguém sabia ao certo
Como se faz um canalha
Se a memória me nao falha
Tinhas o mundo na mao
Alguma gente enganaste
(A fé da muita amizade
Tem também as suas falhas
Hoje fazes alianças
A bem da Santa Uniao
Em abono da verdade
A tua Universidade
Tem mesmo um nome: Traiçao
Um social-democrata
Nao foge ao Grao-Timoneiro
Basta citar o paleio
O major psicopata
Já sao tantos namorados
Só falta o Holden Roberto
Devagar se vai ao longe
Nunca te vimos tao perto
Nunca te vimos tao longe
Daquilo que tens pregado
Nunca te vimos tao fora
Da vida do Zé Soldado
Ninguém mais te peça meças
No folgor dos gabinetes
Hás-de acabar às avessas
Barricado até aos dentes
És um produto de sala
Rasputim cá dos Cabrais
Estas sempre em traje de gala
A brincar aos carnavais
Nos anais do mundanismo
A nossa história recente
Falará com saudosismo
Dum grande Lugar-Tenente
Sao tudo favas-contadas
No país da verborreia
Uma brilhante carreira
Dá produto todo o ano
Digamos pra ser exacto
Assim se faz um canalha
Se a memória nao me falha
Já te mandei prò Caetano.
Bom sábado, boas notícias e boa música.

sábado, 5 de julho de 2014

Sendo sábado, temos música (214)


Flagrante

Bem te avisei, meu amor
Que não podia dar certo
E que era coisa de evitar
Como eu, devias supor
Que, com gente ali tão perto,
Alguém fosse reparar
Mas não!
Fizeste beicinho e,
Como numa promessa,
Ficaste nua p'ra mim
Pedaço de mau caminho
Onde é que eu tinha a cabeça
Quando te disse que sim?
Embora tenhas jurado
Discreta permanecer
Já que não estávamos sós
Ouvindo na sala ao lado
Teus gemidos de prazer
Vieram saber de nós
Nem dei pelo que aconteceu
Mas mais veloz e mais esperta
Só te viram de raspão
A vergonha passei-a eu
Diante da porta aberta
Estava de calças na mão
Bom sábado, boas notícias e boa música.

sábado, 28 de junho de 2014

Sendo sábado, temos música (213)



Namorados de Lisboa
à beira Tejo assentados
a dormir na Madragoa.
Namorados de Lisboa
num mirante deslumbrados
à beira verde acordados.
Namorados de Lisboa!

ao Domingo uma cerveja
uma pevide salgada
uma boca que se beija
e que nos sabe a cereja
a miséria adocicada
à beira parque plantada:
Namorados de Lisboa!

sempre, sempre apaixonados
mesmo que a tristeza doa
namorados de Lisboa!

Namorados de Lisboa
na cadeira dum cinema
onde as mãos andam à toa
à procura de um poema
namorados de Lisboa
que o mistério não desvenda
até que o escuro se acenda.

Namorados de Lisboa
a apretar num vão de escada
o prazer que nos magoa
e depois não sabe a nada.
Namorados de Lisboa
a morar num vão de escada.
Namorados de Lisboa!

sempre, sempre apaixonados
mesmo que a tristeza doa
namorados de Lisboa!

(Poema de José Carlos Ary dos Santos)

Bom sábado, boas notícias e boa música.

sábado, 21 de junho de 2014

Sendo sábado, temos música (212)



- Olá! Como vai?
- Eu vou indo. E você, tudo bem?
- Tudo bem! Eu vou indo, correndo pegar meu lugar no futuro… E
você?
- Tudo bem! Eu vou indo, em busca de um sono tranquilo… Quem sabe?
- Quanto tempo!
- Pois é, quanto tempo!
- Me perdoe a pressa, é a alma dos nossos negócios!
- Qual, não tem de quê! Eu também só ando a cem!
- Quando é que você telefona? Precisamos nos ver por aí!
- Pra semana, prometo, talvez nos vejamos… Quem sabe?
- Quanto tempo!
- Pois é… Quanto tempo!
- Tanta coisa que eu tinha a dizer, mas eu sumi na poeira das
ruas...
- Eu também tenho algo a dizer, mas me foge à lembrança!
- Por favor, telefone! Eu preciso beber alguma coisa,
rapidamente…
- Pra semana…
- O sinal…
- Eu procuro você…
- Vai abrir, vai abrir…
- Eu prometo, não esqueço, não esqueço…
- Por favor, não esqueça, não esqueça…
- Adeus!
- Adeus!
- Adeus!

Bom sábado, boas notícias e boa música.

sábado, 14 de junho de 2014

Sendo sábado, temos música (211)



Com mãos de veludo
Negras como a noite
Tu deste-me tudo
E eu parti
Um homem trabalha
Do outro lado do rio
Com as suas duas mãos
Repara o navio
Está sozinho e triste
Mas tem de aguentar
Já falta tão pouco
Para poder voltar
Vai ficar tudo bem
Isso eu sei
Vai ficar tudo bem
Isso eu sei
quando o sol
Se juntar ao mar
E te voltara beijar
Só mais uma vez, só mais uma vez
Só mais uma vez, só mais esta vez
Com adeus começa
Outro dia igual
Ficou a promessa
Escondida no lençol
Negras como a noite
Vindas de outra terra
As mãos de veludo
Estão á sua espera
Vai ficar tudo bem
Isso eu sei
Vai ficar tudo bem
Isso eu sei
quando o sol
Se juntar ao mar
E te voltara beijar
Só mais uma vez, só mais uma vez
Só mais uma vez, só mais esta vez
Bom sábado, boas notícias e boa música.

sábado, 7 de junho de 2014

Sendo sábado,temos música (210)



Avec ma gueule de métèque, de juif errant, de pâtre grec
Et mes cheveux aux quatre vents
Avec mes yeux tout délavés, qui me donnent l'air de rêver
Moi qui ne rêve plus souvent.
Avec mes mains de maraudeur, de musicien et de rôdeur
Qui ont pillé tant de jardins
Avec ma bouche qui a bu, qui a embrassé et mordu
Sans jamais assouvir sa faim
Avec ma gueule de métèque, de juif errant, de pâtre grec
De voleur et de vagabond
Avec ma peau qui s'est frottée au soleil de tous les étés
Et tout ce qui portait jupon
Avec mon coeur qui a su faire souffrir autant qu'il a souffert
Sans pour cela faire d'histoire
Avec mon âme qui n'a plus la moindre chance de salut
Pour éviter le purgatoire
Avec ma gueule de métèque, de juif errant, de pâtre grec
Et mes cheveux aux quatre vents
Je viendrai ma douce captive, mon âme soeur, ma source vive
Je viendrai boire tes vingt ans
Et je serai prince de sang, rêveur, ou bien adolescent
Comme il te plaira de choisir
Et nous ferons de chaque jour, toute une éternité d'amour
Que nous vivrons à en mourir
Et nous ferons de chaque jour, toute une éternité d'amour
Que nous vivrons à en mourir

(singela homenagem a Georges Moustaki que faleceu no passado dia 23 com 79 anos. Que descance empaz.)

Bom sábado, boas notícias e boa música.

sábado, 31 de maio de 2014

Sendo sábado, temos música (209)



Foi num baile funk, chegou de madrugada
Desencabulada, quase tava nua,
e ainda assoviava um refrão.
Isabel morena, do cabelo cacheado
Uma poesia de cintura e boca,
de olhar atento e sedutor.
Foi num baile funk, danço desesperada
Seu suor banhava os parceiros muitos
e o refrão cantava sem pudor
Aiê, aia...
Isabel morena, do cabelo cacheado
Uma poesia de cintura e boca,
de olhar atento e sedutor.
Foi num baile funk, danço desesperada
Seu suor banhava os parceiros muitos
e o refrão cantava sem pudor
Aiê, aia...

Bom sábado, boas notícias e boa música.

sábado, 24 de maio de 2014

Sendo sábado, temos música (208)



Este parte, aquele parte
e todos, todos se vão
Galiza ficas sem homens
que possam cortar teu pão
Tens em troca
órfãos e órfãs
tens campos de solidão
tens mães que não têm filhos
filhos que não têm pai
Coração
que tens e sofre
longas ausências mortais
viúvas de vivos mortos
que ninguém consolará

(desculpem a repetição do tema mas hoje, em dia de reflexão, dei por mim a cantarolar este poema!)

Bom sábado, boas notícias e boa música. 

sábado, 17 de maio de 2014

Sendo sábado, temos música (207)



Eu que em comovo 
Por tudo e por nada 
Deixei-te parada 
Na berma da estrada 
Usei o teu corpo 
Paguei o teu preço 
Esqueci o teu nome 
Limpei-me com o lenço 
Olhei-te a cintura 
De pé no alcatrão 
Levantei-te as saias 
Deitei-te no banco 
Num bosque de faias 
De mala na mão 
Nem sequer falaste 
Nem sequer beijaste 
Nem sequer gemeste 
Mordeste, abraçaste 
Quinhentos escudos 
Foi o que disseste 
Tinhas quinze anos 
Dezasseis, dezassete 
Cheiravas a mato 
À sopa dos pobres 
A infância sem quarto 
A suor a chiclete 
Saiste do carro 
Alisando a blusa 
Espiei da janela 
Rosto de aguarela 
Coxa em semifusa 
Soltei o travão 
Voltei para casa 
De chaves na mão 
Sobrancelha em asa 
Disse: fiz serão 
Ao filho e à mulher 
Repeti a fruta 
Acabei a ceia 
Larguei o talher 
Estendi-me na cama 
De ouvido à escuta 
E perna cruzada 
Que de olhos em chama 
Só tinha na ideia 
Teu corpo parado 
Na berma da estrada 
Eu que me comovo 
Por tudo e por nada

Bom sábado, boas notícias e boa música.

segunda-feira, 12 de maio de 2014

"Frágil"



Deixo aqui, para todos vós, esta versão do trabalho original do Sting que ouvi à pouco numa rádio e gostei.
Continuação de uma boa segunda-feira.

sábado, 10 de maio de 2014

Sendo sábado, temos música (206)



Trovas Vicentinas 
Carlos Tê / Rui Veloso 

Vós que vos ides por ganância 
Debaixo da capa do cruzado 
Buscando no incerto e na distância 
A mina delirante do el dourado 

Vós que deixais só na rectaguarda 
Um farto giniceu desamparado 
Não sentis testa que vos arda 
Durante o sono repousate do soldado 

Ouvi este ledo trovador 
Por feitos de além - mar pouco tentado 
Não se deixa uma esposa sem amor 
Com o trevo da mocidade eriçado 

E vê-las no poleiro das janelas 
Gastando seus furores em vãs intrigas 
É vê-las nas ribeiras com as barrelas 
Contando oq ue só deus sabe às amigas 

Quanta malícia mal ardida 
Tangem seus olhares pelas esquinas 
Soubesseis os sorrisos de fugida 
Que delas merecem minhas rimas 

E vieis que melhor que a riqueza 
É ter alguém à noite na cama 
Que o diga a presunçosa e vã nobreza 
Que goza a especiaria ao pé da dama 

Por isso se as testas vos ardem 
No lume verrinoso do adultério 
Às línguas viperinas que vierem 
Dizei que ardem pela grandeza do império 

Bom sábado, boas notícias e boa música.

sábado, 3 de maio de 2014

Sendo sábado, temos música (205)



"Ao alcance das mãos"
Letra e música: Samuel 

Na minha vida 
há um espaço vazio
Tão cheio de ti
Na minha voz 
há um canto de luta
Que é feito p'ra ti
No meu poema 
há uma nota suspensa
Um acorde rasgado 
vibrando nas cordas
Despertas de sol e surpresa
Por ser já manhã 
e estares junto de mim

Meu amor 
De ser sem saber
Irmão
Dos teus olhos 
parados nos meus
Tão molhados e firmes
Como estes teus dedos 
suados e finos
Que aperto tremendo 
entre as minhas mãos

Que não se pense 
que estou decidido
A mudar de canções
Estamos na mira 
das bocas famintas 
Dos mesmos canhões
Que já aqui nos feriram
Mas que não matámos
E hoje só esperam 
uma sentinela
Que durma no posto de luta
E os deixe lançar-nos ao chão

Meu amor
De ser e ficar 
Irmão
Dos teus olhos 
parados nos meus
Que vigiam a noite
Sorriem quando chega o dia
E vêem o futuro a chegar 
ao alcance das mãos

Há uma flauta chilena
Que grita em cada canção
Há um balanço de samba ferido
Em cada barracão
Há uma trompete
Um batuque africano de guerra
Uma luta tão velha
Que arde a impaciência 
de ver disparada
Esta arma invencível 
que temos na mão

Meu amor
De ser por dever
Irmão
Dos teus olhos 
parados nos meus
Que iluminam a noite
Amanhecem num grito 
de amor e de luta
Que voam fronteiras 
e rompem prisões

Dos teus olhos 
parados nos meus
Tão molhados e firmes
Como estes teus dedos 
suados e finos
Que aperto tremendo 
entre as minhas mãos

Dos teus olhos 
parados nos meus
Que vigiam a noite
Sorriem quando chega o dia
E vêem o futuro a chegar 
ao alcance das mãos.

Bom sábado, boas notícias e boa música.

sábado, 26 de abril de 2014

Sendo sábado, temos música (204)





Ei-los que partem
velhos e novos
buscar a sorte
noutras paragens
noutras aragens
entre outros povos
ei-los que partem
velhos e novos

Ei-los que partem
de olhos molhados
coração triste
e a saca às costas
esperança em riste
sonhos dourados
ei-los que partem

de olhos molhados
Virão um dia
ricos ou não
contando histórias
de lá de longe
onde o suor
se fez em pão
virão um dia

ou não

Bom sábado e boa música