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quinta-feira, 7 de agosto de 2014

SANÇÕES

Por José Goulão, em Jornalistas Sem Fronteiras
O manuseamento de sanções económicas, políticas e militares no âmbito da chamada comunidade internacional é uma das práticas que mais traduz a arbitrariedade e a mentalidade ditatorial que reinam na ordem mundial.
O acto de sancionar um país, instituições ou dirigentes não é geral e universal, não obedece a regras objectivas, a leis incluídas em qualquer código de Direito credível. É discricionário, interesseiro, conjuntural e está nas mãos de decisores que, além de mentir, assumem eles mesmos os comportamentos pelos quais sancionam os outros. A sanção é um instrumento de poder que está verdadeiramente na mão de governos ou alianças de governos autistas e autoritários e não de instâncias internacionais como a ONU, por exemplo.
Durante muito tempo o exemplo mais flagrante da arbitrariedade de quem sanciona foi a perseguição ao Irão, que se mantém – mesmo admitindo-se que venha a ser atenuada – num quadro de punição aos países que os Estados Unidos da América, e os outros que lhes obedecem, definiram como “párias”.
Porém, como consequência natural da impunidade com que actuam os poderes dominantes mundiais, os exemplos ampliaram-se e tornaram-se até grosseiros, não hesitando os decisores em servir-se da mentira se isso for necessário às suas conveniências.
A chacina que Israel pratica entre a população praticamente indefesa da Faixa de Gaza tem sido condenada a vários níveis, mesmo de onde é difícil que saiam palavras dissonantes da ordem norte-americana, como é o caso do secretário geral da ONU em serviço.

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

SANÇÕES CONTRA A RÚSSIA SÃO “AUTOGOLO DA UNIÃO EUROPEIA”

Uma economia em risco para segurar uma ditadura

Por Pilar Camacho, Bruxelas, Norman Wycomb, Londres, em Jornalistas Sem Fronteiras

Os Estados Unidos decidiram, a União Europeia obedeceu e agora de um lado e de outro do Atlântico deitam-se contas às possíveis reacções que estão na mão do presidente russo, demonstrando-se assim que os cálculos anunciados à opinião pública sobre as sanções contra Moscovo “são números sem pés nem cabeça, sofrem de variáveis impossíveis de calcular”, segundo economistas das instituições europeias.
“Estes políticos europeus que a si mesmos se consideram expoentes da tecnocracia nem ao menos sabem tirar proveito daquilo que são normas básicas tecnocráticas, ou seja, um balanço objectivo da realidade sem cedências ao que parecem ser conveniências políticas”, acusa um quadro da Comissão Europeia “alarmado” – foi o estado de espírito que escolheu – perante o pacote de anunciadas sanções contra a Rússia.
Também nas empresas onde pontificam os chamados “analistas de mercados” são muitas as vozes que, por exemplo numa alusão a declarações do ministro britânico dos Negócios Estrangeiros, dizem que “para fazer omeletes destas com estes ovos mais valia guardar jejum”.
São muitas as dúvidas, tal como as variáveis impossíveis de precisar, sobre o alcance das sanções que, depois de uma pressão interminável de Obama, a União Europeia acabou por impor à Rússia.
“As sanções partem de um pressuposto por comprovar e que tem contra ele versões muito mais plausíveis, que existem apesar de a comunicação social e os dirigentes tentarem escondê-las”, diz o quadro da Comissão Europeia. “Foram decididas para castigar a Rússia por ter derrubado o avião da Malaysian Airlines, uma certeza que nada tem de certa, está por provar, é posta em causa por informações elementares e choca até com o simples facto de o governo ucraniano se ter demitido, o que, por muito que se disfarce, traz água no bico”, acrescentou.

segunda-feira, 21 de julho de 2014

UM DIA DE TERROR, DESESPERO E GUERRA EM GAZA

Fugir de Gaza para Gaza (Hatem Moussa, AP)

Por Christopher Wadi, Gaza, em Jornalistas Sem Fronteiras


O primeiro ministro de Israel diz que fará em Gaza “o que tem a fazer”, mas além de o exército às suas ordens já ter assassinado 430 pessoas, na sua maioria civis, e de ele continuar a falar na destruição dos túneis que ligam o território ao Egipto, não se prevê quando dará a chacina por concluída e o que se seguirá.
Domingo foi o dia mais mortífero da operação “Barreira Protectora”, que o exército israelita começou há 11 dias com o apoio dos Estados Unidos, a compreensão da União Europeia e a cumplicidade objectiva das Nações Unidas – apesar de este acto de agressão ser uma violação flagrante dos direitos humanos e de numerosas resoluções do Conselho de Segurança em relação ao conflito israelo-palestiniano.
O número de palestinianos assassinados durante a operação chegou aos 430, a que se acrescentam mais de três mil feridos num cenário onde não existem condições mínimas de socorro clínico, desde hospitais sob bombardeamentos, falta de água e energia eléctrica, carência de medicamentos e exaustão de equipas de médicos e enfermeiros trabalhando 24 horas por dia. Grande parte das vítimas são crianças.
“Não tínhamos nenhum túnel na nossa casa, mas agora temos um monte de ruínas onde ela existia e acabei de enterrar os meus dois filhos, um com 11, outro com 13 anos, relata Hisham Said com os olhos perdidos no vazio e o rosto hirto, como se o medo, o sentido de sobrevivência e as emoções o tivessem abandonado. “Sou viúvo, a minha mulher foi assassinada também pelos israelitas em 2008, agora aqui estou, bem podia ter ido no lugar dos meus filhos mas Deus (Alá) destinou assim”.
Estamos em Shizhaya, um bairro na região oriental da cidade de Gaza onde as tropas israelitas saciaram parte da sua sede de sangue no domingo, desrespeitando uma “trégua humanitária” que acusam o Hamas de ter violado, apesar de ter sido este grupo a pedi-la, com mediação do Egipto.