sexta-feira, 1 de junho de 2012

O justo pelo pecador

Por Aurélio Santos, no Jornal «Avante!»


É frequente ouvir a alguns utentes dos transportes públicos protestos contra as greves dos trabalhadores desse sector.
O desabafo traduz em certa medida o desespero face ao massacre social a que este Governo nos tem sujeitado, com a sua política de austeridade apresentada como «inevitável» e usada como campanha de terra queimada que por onde passa tudo destrói.
A questão das greves dos transportes deve ser vista com uma análise ponderada e desapaixonada.
A greve é um direito constitucionalmente garantido a que os trabalhadores podem legitima e legalmente recorrer sempre que o considerem necessário. A utilização deste direito que foi no passado muitas vezes pago com a prisão e até com a própria vida, tem ainda hoje um elevado preço para os trabalhadores que a ela recorrem. Todos sabemos como são feitas todo o tipo de pressões e retaliações sobre os grevistas, para além da óbvia redução do salário correspondente aos dias de greve.
O recurso à greve não deve ser assumido levianamente, e não devemos sem séria análise fazer juízos de valor sobre a sua justeza. Como diz o velho ditado – quem vai no barco é que sabe o que lá se passa. Se todos tivessem a coragem destes trabalhadores talvez conseguíssemos evitar o descalabro para onde este país se encaminha.
Não é aos trabalhadores que cabe a culpa pelos transtornos causados pelas greves, mas sim aos responsáveis das respectivas empresas, que têm a responsabilidade pública de assegurar o transporte dos passageiros. Responsabilidade acrescida para os utentes portadores de «passes sociais» que mais não são do que um contrato juridicamente vinculativo, em que a empresa se obriga a transportar o passageiro. Assim, é às empresas de transporte que devemos exigir quer o cumprimento do contrato que resulta da compra do título de transporte, quer a reparação dos danos causados pelo seu incumprimento. São elas que se eximem ao cumprimento da lei.
Não podemos permitir que essas empresas subvertam a situação, transferindo o odioso da questão para cima dos trabalhadores em greve e os prejuízos para cima dos utentes, fazendo pagar o justo pelo pecador.

Nota final: o «livro de reclamações» é obrigatório. Está na hora de o usarmos.

quinta-feira, 31 de maio de 2012

"Diga lá senhor primeiro-ministro o que é que andam a cozinhar em relação aos salários dos portugueses!"




"Bruxelas quer baixar salários e cortar no subsídio de desemprego"

Ontem no Parlamento, o Secretário-Geral do PCP questionou  o governo sobre as noticias de que se estão a preparar medidas para baixar os salários dos trabalhadores.
O governo apressou-se a desmentir.
Veremos o que o futuro nos reserva! Sendo que, com tantas "confusões" a envolver este governo as suas afirmações não serão de levar muito em conta.

quarta-feira, 30 de maio de 2012

As condições políticas para o belicismo do capital

Por Milton Pinheiro, no sítio «resistir.info» 


Este artigo tem por objetivo analisar a cena política onde o belicismo se consolidou como ação de longo impacto, tentando responder à prolongada crise econômica, caracterizada no texto como manifestação da crise sistêmica do capital. Colocamos em discussão as condições políticas criadas pelo capital para, através da guerra e da violência, efetivar um novo ciclo. Esse cenário político não está desarticulado da conjuntura social e da luta de classes. O projeto conservador, e sua forma política, se debate no mundo, e no Brasil, contra a estratégia anti-sistêmica, que procura movimentar as lutas sociais, o operador político e os trabalhadores na perspectiva de impedir o projeto político do capital.

Ler artigo completo aqui.

As verdades têm que ser ditas...

... com coragem e olhos nos olhos.


"Os portugueses sofrem e o PS brinca fingindo que está em desacordo com a política seguida"



-Já todos perceberam que o PS não é oposição nenhuma ao Governo mas antes uma extensão alinhada no essencial, das políticas ruinosas e destrutivas para os portugueses e para o País.

O polvo das secretas

Por Octávio Teixeira, no jornal « negócios »


O acesso aos autos do "processo das secretas" trouxe à luz do dia dois factos incontornáveis. Primeiro, que as declarações do Ministro Miguel Relvas na Assembleia da República sobre a sua ligação ao ex-dirigente da espionagem Silva Carvalho são desmentidas pelos factos apurados. Por qualquer razão (é legítimo supor que pela consciência de que os factos reais são comprometedores) o Ministro ensaiou o maior afastamento possível do ex-espião. Faltando à verdade. Indesculpável a qualquer ministro e muito menos ao que tem a seu cargo a coordenação política do Governo. Não há volta a dar-lhe: politicamente, o Ministro-adjunto já foi. Mantenha-se ou não no Governo.

O segundo facto reveste-se de gravidade acrescida, porque são a orgânica, o funcionamento, a actividade e as chefias dos serviços de informações que estão em causa. São serviços de informações da República, não podem estar a soldo de interesses económicos privados e do benefício de amigalhaços, dedicar-se ao tráfico de influências e ao controlo de cidadãos e organizações que não põem em causa a segurança do País ou à elaboração de processos individuais em proveito de concorrentes comerciais. Os serviços de informações não podem ser um polvo dedicado a actividades criminosas nem viver sem supervisão interna e fiscalização externa credíveis e eficazes.

A responsabilidade política directa dos serviços é do primeiro-ministro, exigindo-se-lhe que assuma os respectivos deveres. Não lhe é permitido voltar a recusar explicações e acção. Se se entende imprescindível a sua existência (permito-me ter dúvidas) os serviços de informações têm de ser repensados e reestruturados.

Entretanto, porque não suspender as suas actividades? O regime democrático só ganharia com isso.

terça-feira, 29 de maio de 2012

Estudo da Unicef

Mais de 27% das crianças portuguesas vivem em situação de carência económica. O retrato é traçado no relatório “Medir a Pobreza Infantil”, que é nesta terça-feira apresentado pela Unicef e que coloca Portugal em 25.º lugar numa lista de 29 países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico. No jornal « Público online»


Este, é mais um  retrato negro da situação económica de muitas famílias portuguesas.
Contudo,os troikanos - senhores feudais dos tempos modernos - continuam a fingir que nada disto é com eles rindo à gargalhada; confundindo tudo,  impondo recessão em cima de recessão; cortes nos apoios sociais com critérios duvidosos; brincando aos polícias e ladrões, no caso das secretas, pensando que são eles, provavelmente os donos do mundo. Por fim, aparecem  umas carpideiras, vertendo grandes lágrimas de crocodilo e outros entretendo-se com a entrega ao desbarato das empresas nacionais símbolos de orgulho e de sacrifícios dos portugueses enchendo por essa forma os bolsos de alguns (presumidamente amigos do peito e de ideologia política), chutando assim o país para a mais humilhante situação que é continuarmos conscientemente no caminho do caos, da pobreza e da miséria generalizada.

O capitalismo financeiro é insaciável e criminoso. É urgente tirá-lo do poder.

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Isto vai de mal a pior e a orquestra continua a tocar

Por Baptista Bastos, no jornal «negócios» do passado dia 25


O Conselho de Finanças Públicas diz que não devemos voltar aos "mercados" em 2013. À frente desta instituição está uma considerada economista, a prof.ª Teodora Cardoso, que, sem alvoroço mas com firmeza, nos adverte da gravidade da situação. O Governo diz que não: está tudo no "bom caminho" e não há razões para nos inquietarmos. Não que não há. A OCDE, por seu turno, informa que Portugal tem de pedir mais dinheiro emprestado. O Governo tenta apaziguar os ânimos e tranquilizar-nos com um discurso tonto, que contraria tudo aquilo proveniente de estudos e de pessoas qualificadas.

Não há clareza no que diz o Executivo. Tudo o que diz o Executivo é nebuloso, contraditório, um processo de negação das evidências, que começa a assustar mais do que os sustos diários embutidos por esta gente. Vai-se sabendo, perante os factos e as circunstâncias, que a perturbação política e a barafunda mental dos governantes atinge aspectos medonhos.

A Grécia aqui tão perto

Por Manuel António Pina, no jornal «JN»


As chocantes declarações da directora-geral do FMI ao "Guardian" revelam bem que género de gente preside hoje aos nossos destinos e a quem governos como o português ou o grego subservientemente se vergam. Por momentos, Lagarde deixou cair o idioleto técnico com que ela, Durão Barroso e a "fürehrin" Merkel, mais os seus feitores locais, justificam o empobrecimento forçado dos povos e mostrou o rosto selvagem do neoliberalismo dominante, assente no direito do mais forte à liberdade.
Perguntada se não lhe custava impor ao povo grego, sobretudo aos mais pobres, medidas de austeridade que cortam em serviços fundamentais como a saúde, a assistência social ou o apoio a idosos, a directora-geral não podia ser mais clara (nem mais cínica): "Penso mais nas crianças que andam na escola, numa pequena aldeia do Níger, que apenas têm duas horas de aulas por dia e partilham uma cadeira por três...".
E que tem Lagarde a dizer àqueles que, na Grécia, todos os dias lutam hoje pela sobrevivência, sem emprego e sem serviços públicos? Que se ajudem a si próprios "pagando os seus impostos". Mas as crianças, senhora? "Bem, os pais são responsáveis, não? Por isso os pais que paguem os seus impostos".
Maria Antonieta não o teria dito melhor. Só que os "sans cullotes" de hoje persistem em crer que ainda vivem em democracia (se calhar até em democracia económica).

domingo, 27 de maio de 2012

30 mil exigem a rejeição do Pacto de Agressão



Foi uma impressionante manifestação, aquela que o PCP promoveu ontem à tarde em Lisboa, que trouxe mais de 30 mil pessoas à rua contra o pacto de agressão e por um Portugal com futuro. Se a maioria eram militantes comunistas, muitos milhares não o eram, mas sentem as análises, as propostas e a luta como se fossem as suas próprias.

Hoje pode ser dia de cinema (58)

O Ditador
Realização: Larry Charles



Sinopse:
General Almirante Shabazz Aladeen (Sacha Baron Cohen), um dos mais excêntricos e egocêntricos ditadores que o mundo já alguma vez viu é conhecido pela sua indestrutível barba, por dormir com centenas de celebridades ávidas pelo seu dinheiro e por organizar e determinar os seus próprios Jogos Olímpicos. Aladeen atrai a atenção internacional quando surgem novidades acerca do seu programa secreto nuclear. Depois de uma tentativa de assassinato a que escapa, Aladeen encontra-se sozinho e sem dinheiro nas ruas de Nova Iorque. Mas a sua força de vontade para recuperar o poder e afastar a democracia do seu país oprimido, não o desanima!

Bom domingo e bons filmes.

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Sexta-feira




Sexta-feira de uma semana que nunca mais acabava,está a chegar ao fim!...
Mesmo assim, fico com o fim-do-mês sempre tão distante e na carteira, com pouco mais que o último botão caído da camisa e a ficha plastica dos carrinhos do super-mercado.

Amanhã será  certamente outro dia e, para muitos portugueses, mais um dia de luta.

Um bom Fim-de-semana para todos.

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Duas «fibras»



Por Henrique Custódio, no Jornal «Avante!»  de 17.Maio.2012


Cavaco Silva e Passos Coelho exibiram esta semana a fibra de que são feitos.
Cavaco, do alto da sua Presidência, decretou que «nós não podemos desaproveitar este [o mar], que é um dos mais importantes recursos naturais que nós temos», acrescentando que «eu considero que a exploração do mar deve ser um verdadeiro objectivo estratégico nacional».
Só é pena que, quando foi primeiro-ministro de Portugal, considerasse exactamente o contrário e promovesse a destruição da nossa frota pesqueira através de chorudas «compensações» dadas aos armadores pela UE, que, naturalmente, pretendia controlar as nossas águas territoriais – as segundas mais vastas do planeta – e, de caminho, liquidar a nossa competitividade pesqueira. Tudo isto Cavaco aplaudiu então, declarando Portugal um «bom aluno» dos ditames de Bruxelas e gabando-se de estarmos «no pelotão da frente» nessa aprendizagem de submissão.
Agora, que tudo está consumado e a nossa independência económica manietada pela UE, Cavaco debita que a exploração do mar deve ser o nosso «objectivo estratégico». Não admira que o homem se gabe de ser não sei quantas vezes «mais sério» do que o comum dos mortais....
Quanto a Passos Coelho, em menos de um ano pintou um tríptico sobre si próprio.
É claro que a alusão ao tríptico é pura retórica. Obviamente, ninguém poderá acusar o homem de possuir uma gota que seja da arte de Nuno Gonçalves. Aqui, em facto, não há génio que se lhe aponte.
Mas o tríptico aí está, nas três partes que o definem, a última das quais foi há dias produzida, quando Passos classificou o desemprego como uma «oportunidade» para «mudar de vida».
A resposta a esta barbaridade deu-a um desempregado à televisão, afirmando, de voz embargada, que «o senhor primeiro-ministro não deve ter ninguém desempregado» na família ou nos amigos, para dizer uma coisa tão chocante, perguntando ainda: «Mudar de vida para onde, com tanto desemprego?».
Recuando um pouco no tempo, temos os restantes «painéis».
O segundo, recomendando aos desempregados – sobretudo jovens – que «emigrassem».
O terceiro, invectivando os mesmos desempregados – a quem identificou, salvo erro, pelos que «fazem queixas» –, chamando-lhes «piegas».
Aconselhar os desempregados a «emigrar» para sobreviver é coisa que ocorrerá, quiçá, nas associações caritativas que por aí andam a aconselhar resignação e fé em Deus a troco de uma malga de sopa, mas nunca a um primeiro-ministro em funções. Fazê-lo, é negar as mais fundas confianças que devem circular entre o Estado e os cidadãos, é vilipendiar o País e ultrajar o próprio cargo. De primeiro-ministro.
Quanto a chamar «piegas» aos que protestam e reclamam, dá o traço final e completa o tríptico.
Nele se enlanguesce, em corpo inteiro, um «menino-bem» que circulou pela vida sem privações nem dificuldades, decerto amparado pelos suaves mimos da educação burguesa mas, sem dúvida, profundamente desligado e ignorante das lutas, dificuldades e sofrimentos no quotidiano do povo que, por desgraça, continua a governar.

terça-feira, 22 de maio de 2012

O flagelo do desemprego

A incapacidade política de dar resposta aos problemas sociais  ou a teimosia de seguir cantado o fado-do-bom-aluno, leva-nos a mais este   flagelo onde 14% dos jovens portugueses entre os 15 e 24 anos não está a estudar nem a trabalhar, revela um estudo da OIT onde se afirma ainda que a taxa de desemprego jovem em Portugal é mais do dobro da mundial. 
 
A situação extremamente  dolorosa por que estão a passar tantos portugueses ( dados oficiais revelam que ao fim de um ano de política da troika/governo PSD/CDS, mais de 853 000 portugueses estão na pobreza ou mesmo na miséria  só devido ao desemprego) não foi criada por nenhuma trovoada ocasional que se abateu sobre o nosso país nem "o desemprego é uma coisa boa para mudar de vida" como escandalosamente e sem pingo de vergonha referio o primeiro-ministro, há tempos, na comunicação social. Esta situação política tem responsáveis e as consequências são aquelas que infelizmente  nos indicam, para alem do mais,  que todos os dias em Portugal 800 pessoas ficam sem trabalho.
 
Isto é insustentável.
 
Temos que arrepiar caminho urgentemente. 
Tenho confiança que os trabalhadores e o povo em geral  tudo irão fazer (através da sua luta organizada), para que esta situação negra do agravamento doloroso nas condições de vida da grande maioria dos portugueses, acabe de vez, e se mude para outras políticas sociais e económicas que conduzam o país no sentido do aprofundamento da democracia, do progresso e do seu desenvolvimento.
 

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Violências do desemprego



Por Carvalho da Silva, no jornal «JN»


A revista Economia Pura (fev. 1999) publicou um artigo de Amartya Sen onde este enuncia várias penalizações do desemprego. É de enorme atualidade esse enunciado, pois as violências que recaem sobre os de-sempregados não diminuíram.
O primeiro-ministro (PM) ao afirmar "despedir-se ou ser despedido não tem de ser um estigma, tem de representar também uma oportunidade para mudar de vida, tem de representar uma livre escolha também, uma mobilidade da própria sociedade", mostrou quão balofo é o seu conceito de modernidade e a conceção neoliberal que está inculcada no seu pensamento, demonstrou ausência de vida vivida e de dimensão cultural.
Perante os dados do desemprego relativos ao final do primeiro trimestre - 819 300 desempregados, mais de um milhão e 200 mil de-sempregados e subempregados, uma taxa de desemprego de 36,2% nos jovens até aos 25 anos - o PM não foi capaz de encarar o problema e dizer algo de sensato e responsável. A sua postura de "boa pessoa" e "homem educado" não o torna menos perigoso na condução do governo do país!
A Organização Internacional do Trabalho (OIT) agendou para a Conferência Anual que se inicia no próximo dia 1 de junho, o tema "A crise do emprego jovem: tempo de agir", porque este grave problema está a tomar "proporções sem precedentes" em resultado da atual crise e da "crise antes da crise", ou seja, da desregulação do mercado de trabalho, da precarização generalizada, da rutura de solidariedade entre gerações, e das políticas de austeridade e empobrecimento em curso.