quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Ensino em estado de Citius

Por Anabela Fino, no jornal «Avante!»
Um mês depois do início do ano lectivo a situação nas escolas continua caótica e o desempenho do Ministério da Educação, a começar pelo do titular da pasta, Nuno Crato – que tanto persiste em avaliar os professores –, é o que se pode chamar de autêntico desastre. De erro em erro, de desculpa em desculpa, de promessa em promessa, Crato e sus muchachos vão metendo os pés pelas mãos, dando o dito por não dito, passando responsabilidades para quem estiver mais a jeito, criando novos problemas e sacudindo a água do capote.
Depois de ter remetido para os directores das escolas o ónus da anulação das colocações, Crato, com a pesporrência que o caracteriza, afirmou esta semana que o processo de recolocação de professores «está a meio», garantiu que por estes dias vão chegar às escolas mais 800 professores e disse «esperar» que quando o processo estiver concluído «tenham colocação» os docentes colocados e depois descolocados devido aos erros do Ministério. Sobre a promessa feita na Assembleia da República de que os professores não seriam «prejudicados», até porque isso lesava o interesse «mais importante» dos alunos, nem uma palavra. Sobre as vidas retalhadas de quem saiu do seu nicho de conforto, para usar os termos caros ao Governo, saiu de casa, alugou quarto, arrastou filhos para novas terras e escolas e agora se vê atirado para o desemprego e com despesas acrescidas, nem um pio. «Falaremos sobre isso no fim», diz Crato, com o mesmo despudor com que anunciou em Setembro que o ano lectivo se iniciava com normalidade, e com a mesma falta de vergonha com que um seu secretário de Estado remete para «os tribunais» eventuais pedidos de indemnização de quem se sentir lesado, por ventura apostando no estado de Citius reinante nos tribunais.
Enquanto isso, o interesse «mais importante» dos alunos pauta-se por centenas de professores e auxiliares de educação em falta, milhares de crianças e jovens sem aulas, escolas sem cantina, aulas em contentores e outras coisas que tais.

Perante o descalabro, Passos Coelho garante que Crato continuará no Governo e o Presidente da República não encontra motivo para o mais pequeno e leve reparo. Peculiaridades da «normalidade» à portuguesa.

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Capas de jornais (76)


Portugal dos pequeninos e os seus figurões.
  
Portugal em tamanho real, com as dividas e os juros  para  reformados, pensionistas e desempregados pagarem com língua de palmo de dinheiro que não receberam.

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Uma pedra de toque

Por Filipe Diniz, no jornal «Avante!»

Não temos nada a ver com as «primárias» do PS. Até porque nenhum dos candidatos é de molde a que se alimente qualquer espécie de ilusão. E uma das pedras de toque para avaliar a questão é a posição relativa ao processo de evolução da UE. O nosso País não estaria na dramática situação actual sem o processo de integração europeia, sem a integração no euro, sem a ingerência da troika, sem o «Pacto de Estabilidade», sem o «Tratado orçamental».
E que dizem Costa e Seguro sobre a matéria? Em primeiro lugar, tiram o cavalo da chuva: os problemas existentes são da responsabilidade do PSD e do CDS. Se o PS subscreveu o «memorando», aprovou tratados e «estratégias» anteriores, pactos e tratados posteriores, eles não deram por isso.
E é a reboque desta UE que traçam as suas perspectivas de «futuro». Diz Seguro: a «correcção desta União Económica e Monetária» […] «só pode nascer de um impulso que reforce a componente federal da construção europeia. Impulso que é preciso dar […] nos planos da integração económica, orçamental, fiscal e política». E Costa responde com «uma aplicação inteligente e flexível do Pacto de Estabilidade e Crescimento e do Tratado Orçamental».

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Modos de ver e sentir


Hoje o bairro acordou assim: no lado do campo cheira a terra e pastos molhados (que recordações e memórias :-) !), nas ruas andam  "pardais" a sacudir das penas, as primeiras chuvas de Outono.

Ao longe, ouvem-se trovões anunciando a necessária substituição das sandálias e calções por outras peças mais confortáveis. 

Para alguns moradores aqui no bairro, este tempo é sempre uma chatice, para outros, o dia promete... para mim será um dia de tarefas habituais.

Tenham uma boa quarta feira! 

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

O lingote

Por Henrique Custódio, no jornal «Avante!»
Este Governo – no que, anote-se, não é diferente dos anteriores – movimenta a «coisa pública» como se ela fosse uma caverna de Ali Bábá, onde o Executivo se vai servindo quando e quanto lhe apetece e sem minimamente temer que alguém lhe peça contas.
A impunidade do caso contribuiu não apenas para o endémico descrédito em que mergulhou a governação do País, mas também (e sobretudo) para a insuportável mixórdia do público com interesses privados e na espécie de nó górdio em que se constituiu a apropriação do poder político pelo poder económico, consubstanciado na alta finança.
Teceu-se e instalou-se uma floresta de enganos onde, regularmente, o País se reúne em clareiras para renovar eleitoralmente o mandato de quem sempre o iludiu e, sobretudo, foi implacavelmente destruindo os direitos e garantias de cidadania na República democrática.
Inventaram até uma designação totalitária – a do «arco da governação» – para se perpetuarem no poder com uma legitimidade de facto e presuntivamente aceite num arremedo de vox populi.

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Capas de jornais (75)


Alguns figurões a viver fora de portas da democracia e do respeito pelo Povo que dizem representar vão dormindo nos aposentos dos resignados.

É urgente voltarmos para dentro daquilo que se sonhou e fez no 25 de Abril!