sábado, 8 de agosto de 2015

Sendo sábado, temos música (239)



Nós havemos de nos ver os dois
Ver no que isto dá
Ficar um pouco mais a conversar
Ter a eternidade para nós
Quem sabe jantar
Se tu quiseres, pode ser hoje

Tem de acontecer, porque tem de ser
E o que tem de ser tem muita força
E sei que vai ser, porque tem de ser
Se é pra acontecer, pois que seja agora

Nós havemos ambos de encontrar
Um destino qualquer
Ou um banquinho bom para sentar
Vai ser tão bonito descobrir
Que no futuro só
Quem decide é a vontade

Tem de acontecer, porque tem de ser
E o que tem de ser tem muita força
E sei que vai ser, porque tem de ser
Se é pra acontecer, pois que seja agora

Tem de acontecer, porque tem de ser
E o que tem de ser tem muita força
E sei que vai ser, porque tem de ser
Se é pra acontecer, pois que seja agora

Que seja agora
Que seja agora
Se é pra acontecer
Pois que seja agora

Que seja agora
Que seja agora
Se é pra acontecer
Pois que seja agora

Que seja agora
Que seja agora
Se é pra acontecer
Pois que seja agora

Que seja agora
Que seja a hora
Se é pra acontecer
Pois que seja agora

Bom sábado, boas notícias e boa música.

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

Hiroxima e o Japão imperialista

Por Albano Nunes, no jornal «Avante!»


Há 70 anos o imperialismo norte-americano cometeu o maior crime de guerra que a História regista. O lançamento das bombas atómicas sobre Hiroxima e Nagasaki causando de imediato a morte de centenas de milhares de civis e deixando atrás de si um lastro de terríveis lesões e sofrimentos que ainda hoje perduram, é uma tragédia que jamais poderá ser esquecida, como esquecidos não podem ser os seus responsáveis. Foi um crime monstruoso que os EUA justificaram então e continuam a justificar hoje com o argumento de que assim obrigariam o Japão a render-se poupando um número incontável de vidas humanas. Trata-se de uma mentira sem nome. O Japão estava já praticamente derrotado. Terminada a II Guerra mundial na Europa o Exército Vermelho estava finalmente em condições, nos precisos termos do calendário acordado na Conferência de Ialta, de deslocar grande número de divisões para o teatro de guerra no Extremo Oriente e passar à ofensiva para esmagar o militarismo japonês.
Mas, por paradoxal que pareça, era isto precisamente o que os «aliados» imperialistas queriam evitar. Perante o imenso prestígio da URSS e o avanço das forças do progresso social, de libertação nacional e do socialismo – particularmente evidente na Ásia com as revoluções chinesa, vietnamita e coreana – os EUA passaram a afirmar sem escrúpulos a sua decisão de «conter o comunismo» por todos os meios, incluindo pela exibição do monopólio da arma atómica e a ameaça da sua utilização. Ainda a guerra não tinha acabado e já a principal potência imperialista desencadeava a «guerra-fria» no quadro da sua estratégia de confronto com o campo socialista e de domínio mundial. Foi a luta pelo progresso social e a paz e a conquista pela URSS da paridade militar estratégica que impediram o imperialismo de desencadear uma nova guerra de catastróficas dimensões.

quinta-feira, 23 de julho de 2015

As aldrabices estatísticas de Passos Coelho

Por Eugénio Rosa no resistir.info

– Só no 1º sem./2015 o IEFP eliminou 338.093 desempregados dos ficheiros dos Centros de Emprego 
– Reduziu assim o registo do desemprego de 874.749 para 536.656

quinta-feira, 16 de julho de 2015

Com ideias destas...

Por Anabela Fino, no jornal «Avante!»
Passos Coelho proferiu finalmente a frase que o imortalizará. Foi na segunda-feira, 13, após a maratona europeia de domingo que terminou com a transformação da Grécia numa colónia condenada à escravatura do século XXI para servir os interesses do grande capital financeiro e do directório de potências da União Europeia. «Por acaso a ideia foi minha», disse todo ufano, com isso querendo significar que lhe cabiam os louros da «solução» encontrada para manter a Grécia no euro. A coisa correu mais célere do que fogo em palheiro: palavras não eram ditas e já as redes sociais transbordavam de adaptações do dito, numa muita expressiva demonstração de que os portugueses não só não perderam o seu sentido de humor – negro que seja – como sabem bem a quem cabem as responsabilidades pelo estado a que o nosso País chegou.
O curioso desta história é o facto de Passos Coelho estar tão sôfrego de apresentar «sucessos» que nem se dá conta de que corre o risco de andar a apanhar lenha para se queimar. De outra forma, como explicar a pressa com que o primeiro-ministro veio gabar-se de ter contribuído para uma situação que todos, sem excepção, reconhecem ser uma brutalidade contra o povo grego? A não ser que esteja tão convencido – e não seria caso único – de que os portugueses são não só néscios como padecem de memória curta. É bem provável que seja este o caso, a avaliar pela entrevista que anteontem deu à SIC onde, entre outras pérolas, afirmou candidamente que só não cumpriu as promessas feitas na campanha eleitoral porque as contas do anterior governo estavam mal feitas. Passos Coelho «esqueceu-se» de um pormenor: no Outono de 2010, uma delegação do PSD, liderada por Eduardo Catroga, negociou com o governo de Sócrates a viabilização do Orçamento de Estado para 2011. Por acaso a ideia foi dele... E também se «esqueceu» das vezes em que, já governante, repetiu desejar «ir além da troika» e defendeu a ideia da necessidade de empobrecer. Outra que por acaso também foi dele.
Em português vernáculo muito haveria a dizer sobre as ideias de Coelho. Fiquemo-nos pelo elementar: com ideias destas, bem pode limpar as mãos à parede.

terça-feira, 14 de julho de 2015

A cruel maratona grega

Por Flavio Aguiar, na Rede Brasil Atual
Os termos que vêm aparecendo na mídia europeia, inclusive na conservadora, para avaliar a conclusão da extensa maratona que foi a reunião de 17 horas dos líderes da zona do euro, da noite de ontem (12) para esta manhã, falam por si mesmos: “crueldade”, “humilhação”, “fratura”, “imposição”, “tratamento impiedoso”, “brutal” e outros. Para quem acompanhou as negociações desde o começo, e sobretudo agora nesses momentos finais, o que ficou claro foi a arrogância de grande parte dos líderes da zona do euro, exigindo praticamente não só a capitulação de Atenas, de Tsipras, Varoufakis, Syriza e do povo grego, mas pretendendo impor a deposição do governo.
Ficou claro também que na União Europeia a democracia tem voo curto e nariz comprido. Não há lugar na UE ou na zona do euro para um governo de fato de esquerda, nem para algo parecido com soberania nacional, muito menos popular. Manda quem manda, e quem manda, em nome do capital financeiro, são os barões neoliberais da economia. Aos políticos, como a própria toda-poderosa (na aparência) Angela Merkel, cabe fazer a pantomima para os eleitores, fazendo de conta que esses decidem algo importante.
Nos momentos finais dessa corrida de obstáculos, François Hollande e Matteo Renzi ensaiaram um ar mais simpático aos gregos e a Tsipras. Aparentemente, com um único resultado prático: originalmente o Fundo de Capitalização oriundo das privatizações e cortes que virão deveria ficar em Luxemburgo, não em Atenas. Pelo acordo final, esta “concessão” foi feita: o fundo fica na capital grega, mas, de qualquer modo, será supervisionado, senão administrado, pela Troika (FMI, BCE, Comissão Europeia, ou seus representantes) para amortizar a dívida soberana, capitalizar o sistema financeiro e assemelhados.

sábado, 11 de julho de 2015

Sendo sábado , temos música (238)



Quando ela passa, franzina e cheia de graça,
Há sempre um ar de chalaça, no seu olhar feiticeiro.
Lá vai catita, cada dia mais bonita,
E o seu vestido, de chita, tem sempre um ar domingueiro.

Passa ligeira, alegre e namoradeira,
E a sorrir, p'rá rua inteira, vai semeando ilusões.
Quando ela passa, vai vender limões à praça,
E até lhe chamam, por graça, a Rosinha dos limões.

Quando ela passa, junto da minha janela,
Meus olhos vão atrás dela até ver, da rua, o fim.
Com ar gaiato, ela caminha apressada,
Rindo por tudo e por nada, e às vezes sorri p'ra mim…

Quando ela passa, apregoando os limões,
A sós, com os meus botões, no vão da minha janela
Fico pensando, que qualquer dia, por graça,
Vou comprar limões à praça e depois, caso com ela!

Bom sábado, boas notícias e boas músicas.

quinta-feira, 9 de julho de 2015

UM PAÍS QUE ODEIA OS SEUS CIDADÃOS

Por José Goulão no seu blog  Mundo Cão.

Há um país que odeia os seus cidadãos. Outros haverá, mas fixemo-nos neste que dá pelo nome de Portugal, se gaba de ser muito antigo, muito cheio de história, saudoso de tempos imperiais e que, em cima destas glórias, maltrata os seus cidadãos.
Quando se escreve país não se faz alusão a uma entidade abstracta, mítica, mas sim aos seus dirigentes que, através de gerações e sob diferentes rótulos políticos, têm como traço de união o ódio aos seus concidadãos.
A acusação é grave, mas os comportamentos em causa são-no ainda mais. Tal ódio ressalta de estudos sociológicos apresentados tempos atrás de tempos e que, merecendo as reservas que exige a inexactidão inerente às ciências humanas, têm a credibilidade de corresponder ao que cada cidadão, se tiver os sentidos despertos para a realidade envolvente, vai captando dia após dia.
Dizem as investigações mais recentes, cujos resultados foram divulgados apenas há meia dúzia de horas, que Portugal é o país com maior taxa de emigração entre os 28 da União Europeia, o país que demonstra menos apetência por livros e outras coisas da cultura, o país onde 20 por cento da sua força de trabalho tem um vínculo precário – isto é, um estado paredes meias com o trabalho escravo.

segunda-feira, 6 de julho de 2015

GRÉCIA

Perante a chantagem permanente feita ao povo grego por aqueles que se acham donos da UE para que votassem no sim e aceitassem sem "pestanejar" as suas propostas; fabricando sondagens com resultados de "empate técnico", convocando os seus caniches-bé-béus para morderem nas canelas dos gregos etc,etc,  Deram os gregos, uma prova ao mundo de que o medo, quando não há mais nada a perder não existe.
Democraticamente, os eleitores disseram através do voto maioritário no NÃO (61% NÃO- 39% SIM) que não querem mais políticas dos capitalista da UE e do FMI que os empurre para  mais desemprego, mais sofrimento e para mais miséria.

Hoje, é já um novo dia! Mas a luta vai ter que continuar.

É preciso reflectir sobre a União Europeia da «coesão e da solidariedade» e saber, se é desses valores que falamos quando olhamos para quem está na frente das suas decisões políticas,e de quem fabrica e assina os seus tratados.

quinta-feira, 25 de junho de 2015

Empate técnico

Por Filipe Diniz, no jornal «Avante!»

Não, este texto não é sobre a actual fase da estratégia das sondagens. Só aproveita a boleia.
Os documentos eleitorais até agora publicados pelo PS («Programa eleitoral») e PSD («Linhas de orientação geral para a elaboração do programa eleitoral») permitem constatar que continua a verificar-se um empate técnico entre os dois partidos que, com o CDS alternadamente atrelado, são os responsáveis pela política de direita no nosso País. Empate técnico na demagogia; na tentativa mútua de atribuir responsabilidades; na memória curta, que ambos esperam que os portugueses também tenham.
São textos de passa-culpas em alguns casos verdadeiramente surreais. O PS acusa o governo PSD/CDS de ter ido «muito além» do que era a agressão contra os trabalhadores e o povo contida no memorando da troika (que os três subscreveram). O PSD diz (p. 23) que «cumpriu sem falhas os compromissos que outros tinham assumido, o que condicionou largamente os rumos da governaçãoe não permitiu que concretizasse as suas ideias e projectos», ou seja, que PSD e CDS governaram segundo «as ideias e projectos» do PS o que, em geral, nem será completamente mentira.
Do mesmo modo que não diferem na desfaçatez. É de um lado o PS defendendo que não se esbanjem dinheiros públicos na «sistemática utilização de consultorias externas», é do outro o PSD defendendo um Estado de Direito «exclusivamente orientado pela defesa do interesse público», que «não transija com a corrupção e o compadrio». É o PSD defendendo «soluções que incrementem a participação cívica e a proximidade entre eleitores e eleitos», e é o PS defendendo «círculos uninominais, personalização dos mandatos e da responsabilização dos eleitos» «sem qualquer prejuízo do pluralismo».
Mais uma vez avança a engrenagem da falsa disputa entre PS e PSD/CDS. Mas se há coisa que o povo português deve comparar não é o que cada um deles agora promete. É o que cada um promete e o que fez quando esteve no governo, na longa e insuportável trajectória de quase quatro décadas de política de direita.

Não faltarão sondagens até às eleições. Até ao momento a única que é indesmentível é a da Marcha de 6 de Junho. É a única que sondou verdadeiramente a força do povo.

quarta-feira, 24 de junho de 2015

Capas de jornais ( 83 )

Se o "acordo" chegar resolve o quê?
Daqui a três meses em que ponto do problema se encontram os mesmos?
  Ou será que este... é o melhor caminho que os troikanos encontraram  para obrigar o povo grego a novas eleições pensando colocar  no governo da Grécia aqueles que sempre por lá estiveram?
A novela dos mercados,Syriza e a saída da Grécia da UE, vai continuar com seus comentadores oficiais  nas TVs, jornais e rádios, a fim de entreter os incautos, baralhar os confusos para no fim do jogo...,  ganhar a Alemanha por muitos a zero.

quinta-feira, 18 de junho de 2015

A feira, e tal...

Por Henrique Custódio, no jornal «Avante!»
A moscambilha eleitoral já navega ao largo, vela impante e mar aberto. A última aportagem foi na Feira Nacional de Agricultura, em Santarém, onde jubilosamente se deslocaram o PS e o PAF (não o da conhecida onomatopeia do estalo, mas o «estalo» da coligação PSD/CDS), cirandando por lá, como mordomo dos visitantes e «o dono disto tudo» da Feira um senhor assíduo nos telejornais, João Machado de sua graça, presidente da CAP.
As duas «delegações» eleitoralistas esmeraram-se a não cruzar trajectos (estavam lá as duas, em simultâneo) mas em nada se distinguiam nos arremedos: Paulo Portas ou António Costa, Pires de Lima ou Assunção Cristas, todos provavam iguarias em concentração litúrgica e «huuums» epifânicos, sorriso largo a toda à volta, beijinhos às mulheres, abraços aos homens, enfim, o cardápio do repasto eleitoral.
Não se distinguem na forma, mas o pior é não se diferenciarem nos conteúdos. António Costa já se despenhou da salvífica missão que lhe pretendiam outorgar, as manobras em que se envolveu reuniram um «grupo de sábios» que fez muitas contas às contas do Governo para dali sair, essencialmente, um «programa eleitoral» que promete o mesmo que anda a apregoar a coligação de direita, mas a um ritmo pretensamente mais rápido.
Todavia – há sempre uma adversativa fatal...– nada verdadeiramente contra a política de desastre é apresentado no programa do PS, pela linear razão de que nada nele aflora, sequer em suave brisa, duas questões fulcrais para romper com a catástrofe: a renegociação da dívida e a saída do Pacto Orçamental, como ponto de partida para uma vida realmente nova.
Por muito que a direcção de António Costa se esforce por transmitir um perfil de «ruptura com esta política» (sic), essa «ruptura» não pode ocorrer sem se enfrentar os compromissos leoninos com a troika e a União Europeia, e esse enfrentamento começa, necessariamente, no renegociar da dívida e no repudiar do Pacto Orçamental, passos sem os quais o endividamento nacional continuará a aumentar descontroladamente, as imposições ao nosso País a instalar-se num espiral de brutalidade e a miséria a mergulhar o povo em degradações terceiro-mundistas.
A campanha eleitoral segue a todo o pano. Na visita à Feira Nacional da Agricultura, em Santarém, PS, PSD e CDS, libando todos os mesmos licores e degustando os mesmos sabores, enquanto ostentam um maravilhamento de ressuscitados, só se esqueceram do essencial: os milhares de pequenas explorações destruídas e as crescentes dificuldades da pequena e média agricultura sacrificadas aos ditames da Política Agrícola Comum que sempre defenderam e subscreveram e que nem sonham pôr em causa.
Desengravatados ou, mesmo, desencasacados a romper a multidão que olha, atónita, a feira mediática que irrompeu na Feira da Agricultura, são aplicados a fingir de povo e óbvios na evidência de que são um povo a fingir.

Nada de novo. É o carnaval da campanha eleitoral.

quarta-feira, 17 de junho de 2015

O PCP tornado invisível pela comunicação social

Por Pacheco Pereira, no resistir.info
Esta semana, a chamada Marcha Nacional A Força do Povo, feita em nome da CDU, mas na realidade feita pelo PCP, juntou muitos milhares de pessoas em Lisboa. O assunto foi tratado de passagem nas televisões, sem grandes meios e cobertura apenas de circunstância, e na maioria dos casos "existiu" nas páginas interiores dos jornais, também quase por obrigação de agenda.

Eu conheço os argumentos de muitos jornalistas para não darem importância nenhuma (e por isso não noticiarem a não ser por obrigação, ou seja, mal) às manifestações do PCP, mas não me convencem. Não tem novidade, é o que é esperado, é sempre a mesma coisa, já sabemos que o PCP tem esta capacidade única de levar pessoas para a rua. Vêm de todo o País, vêm em centenas de autocarros, são os comunistas convencidos e mais umas franjas, não alteram nada da vida política. Atenção a este último argumento – não alteram nada – porque aí começamos a tocar no lado sensível e ideológico do objectivo desprezo com que estas manifestações são tratadas pela comunicação social. E não é o resultado de uma conspiração dos grandes interesses na comunicação social, muito colados à "situação" (também é, principalmente pelas escolhas das chefias), mas algo que vem das próprias redacções. Uma pequena iniciativa cultural na moda, que nem uma centena de pessoas junta, é muito mais bem tratada.

Há muitas razões de ordem geracional, cultural, de vida, de mentalidade do meio, da precariedade que se vive nas redacções para justificar esta falta de interesse. Mas que o mundo que desfila em Lisboa, à torreira do sol, feito de gente com causas bizarras como os baldios, não interesse a uma jornalista de vinte e poucos anos, saída de uma escola de comunicação social, estagiária, mas na prática desempregada, que não sabe o que é um sindicato, detesta greves e do mundo conhece o que vem na Time Out , percebe-se. O que não se percebe é que na sua redacção não se vá mais longe e se perceba que "aquilo" no Portugal dos dias de hoje é mais excepcional do que parece, "aquilo" implica mais esforço e cidadania do que andar horas a discutir a migração de treinadores entre clubes, como se o mundo estivesse parado nessa logomaquia futebolística.

"Aquilo" é o outro Portugal que não tem nada a ver com os salamaleques do "meu caro Pedro", "meu caro Paulo", muito mais bem tratados do que a vida de centenas de milhares de pessoas invisíveis porque não são o "arco da governação certo", do País "europeísta", da classe social certa. "Aquilo" é uma parte da sociedade portuguesa que existe e que protesta, e que se não protestasse não existia para ninguém. Eles são parte da economia  expendable dos nossos tecnocratas, a mesma que impede a jovem jornalista de conhecer mais mundo, ter sido mais bem preparada na escola, e ter um emprego conforme as suas qualificações. Um emprego e não um estágio. E que, a seu tempo, pode precisar do seu sindicato e, imagine-se, ter de fazer greve e protestar. Nesse dia, ela perceberá melhor a condição das pessoas que ali estão a protestar, podendo até ela ser… do PSD, do PS ou de nada. 



Nota: Pacheco Pereira, um homem de direita, veio aqui aponta nesta sua crónica o facto relevante de a comunicação dita social, silenciar (censurar!) escandalosamente esta iniciativa - como muitas outras, digo eu! - do PCP/CDU.
Há muito que sabemos que os ditos "critérios jornalísticos"  das redacções dos média, em Portugal, nunca estão disponíveis para destacarem a luta de quem sofre diariamente as consequências das políticas mais ferozes contra o povo e o País.

Este não é o caminho que queremos seguir!

Este não é o País democrático  sonhado no 25 De Abril!



quinta-feira, 11 de junho de 2015

O motim

Por Margarida Botelho, no jornal «Avante!»
Para comemorar o Dia Mundial da Criança, a Câmara Municipal de Portalegre programou diversas iniciativas envolvendo os meninos das escolas. Uma delas assumiu contornos de escândalo nas redes sociais: às crianças do pré-escolar coube simular um motim. Metade dos meninos eram polícias com escudos e capacetes, os outros eram manifestantes, a atirar «pedras» de papel aos polícias. A «iniciativa» teve o apoio oficial da PSP e, de acordo com as notícias publicadas, não é a primeira vez que organizam tal coisa.
Ao que parece, o objectivo da «iniciativa» era mostrar que a polícia protege e ajuda. Como é que se passa daí para a encenação de um motim com crianças de 5 anos, é que não se compreende. É difícil pensar num caso mais óbvio de manipulação ideológica de crianças: quem se manifesta é mau, nas manifestações atira-se pedras, a polícia bate, nós batemos no polícia.
As imagens são chocantes: meninos e meninas, com 6 anos no máximo, mascarados de polícia de intervenção, a bater noutros meninos de bibe. E depois vice-versa: batem os meninos de bibe nos mascarados de polícia.
A presidente da Câmara fez um esforço para passar a ideia de que isto é tudo normal. Mas não é. O papel da escola não é ensinar às crianças que quem participa num protesto é criminoso. E também não é ensinar a atirar «pedras», mesmo de papel, à polícia.
O que este caso revela é uma concepção da vida e do mundo em tudo oposta à Constituição da República e que há quem não hesite em passá-las às novas gerações, envolvendo até uma força policial.
Numa altura em que se discute a municipalização da educação, quase apetece dar este exemplo para provar por A + B que esse é um caminho errado, que abre portas à proliferação de disparates destes.

As crianças devem poder crescer a confiar que o polícia é alguém que os pode ajudar se tiverem um problema. Mas também têm o direito de crescer num país que estimula o direito à participação, que promove a democracia, que protege os mais frágeis.

domingo, 7 de junho de 2015

Capas de Jornais (82)
















Ainda em Abril deste ano, o tema da pobreza vinha nas primeiras páginas dos jornais como acima se demonstra. Mas, infelizmente, o rol da miséria em Portugal ainda é maior! Ficam por aqui alguns dados para reflexão: Temos mais de 800 mil desempregados, sendo que muitos sem qualquer subsidio.
 Contudo, este desgoverno actualmente no poder, para tentar convencer os incautos, continua a apostar na implementação e promoção constante de falso trabalho, trabalho precário e por vezes escravo para que os números do desemprego sejam nas estatísticas, menores.
Temos mais de 2 milhões de pobres.
As cantinas escolares têm que funcionar mesmo em tempo de férias para dar a única refeição do dia a muitas das crianças portuguesas. E, em alguns casos a toda a família.
As cantinas sociais (nova designação da “sopa dos pobres”), não conseguem responder a todas as solicitações que lhes chegam diariamente.
Portugal não tem que estar condenado a esta miséria que nos querem impor os partidos do arco da desgovernação, das troikas e os figurões de UE que nos conduziram até aqui. Está nas nossas mãos, nas mãos do povo a concretização de um Portugal com futuro. Não dar mais cheques em branco, é uma obrigação de todos nós nas próximas eleições para finalmente (e ao fim de 39 anos de democracia), voltarmos a ser portugueses com direitos.

sábado, 30 de maio de 2015

Sendo sábado, temos música (237)




Aquellos ojos verdes
de mirada serena
dejaron en mi alma
eterna fe de amar.
Anhelos de caricias,
de besos y ternuras
de todas las dulzuras
que han podido brindar.
Aquellos ojos verdes
serenos como un lago
en cuyas quietas aguas
un día me miré.
No saben la tristeza
que en mi alma dejaron
aquellos ojos verdes que
nunca olvidaré

Bom sábado, boas notícias e boa música.