sábado, 29 de outubro de 2016
Sendo sábado temos música (240)
Eu tinha as chaves da vida e não abri
As portas onde morava a felicidade
Eu tinha as chaves da vida e não vivi
A minha vida foi toda uma saudade
E tanta ilusão que tive e foi perdida
E tanta esperança no amor foi destroçada
Não sei porque porque me queixo desta vida
Se não quero outra vida para nada
Se foi para isto que nasci
Se foi para isto que hoje sou
Se foi só isto que mereci
Não vou, não vou
Podem passar bocas pedindo
Olhos em fogo tudo acabou
Pode passar o amor mais lindo
Não vou, não vou
Eu tinha as chaves da vida e fui roubada
Mataram dentro de mim toda a poesia
Deixaram só tristeza sem mais nada
E a fonte dos meus olhos que eu não queria
Letra: Júlio de Sousa
Música: Moniz Pereira
Bom fim-de-semana e boa música.
sexta-feira, 28 de outubro de 2016
20.ª Mostra de Teatro de Almada
No ano em que celebra o 20.º aniversário, a Mostra define um programa que contempla espetáculos de mais de duas dezenas de grupos de teatro de Almada, que levarão aos palcos textos originais e inéditos da dramaturgia contemporânea de autores e encenadores locais e outros inspirados em Gil Vicente, José Régio, Václav Havel, Lewis Caroll ou William Shakespeare, entre outros.
terça-feira, 4 de outubro de 2016
terça-feira, 26 de julho de 2016
Da ruptura dos Media com o mundo do Trabalho
O caso remete-nos para o problema da ruptura dos Media com o mundo do Trabalho e a vida sindical, muito importante na batalha ideológica da qual os meios de comunicação social são um instrumento decisivo.
Artigo de Alfredo Maia para ler Aqui.
segunda-feira, 4 de janeiro de 2016
Retrocesso
Por Vasco Cardoso, no jornal «Avante!»
Se os recentes e trágicos acontecimentos relacionados com a morte de um paciente por falta de assistência aos casos relacionados com acidentes vasculares cerebrais nos hospitais da zona de Lisboa nos dão conta do quão longe foi o processo de destruição do SNS, eles convocam-nos também para uma verificação mais larga da dimensão do profundo retrocesso para onde o nosso país foi conduzido nestes anos. Bem podem ser gastas horas de noticiários a dissecar pormenores sobre este caso, como se de algo isolado se tratasse, que a dimensão destes acontecimentos não conseguirá apagar o gesto criminoso das medidas sucessivamente tomadas.
Em quase tudo aquilo que diz respeito à vida da esmagadora maioria da população, o País andou para trás! E não podia ter sido de outra maneira, tendo em conta a receita que foi aplicada ao longo de décadas de política de direita. Uma receita cuja dose foi reforçada nos últimos anos durante o período dos PEC e do Pacto de Agressão e que levou a que, em nome do défice, da estabilidade do sistema financeiro, dos compromissos internacionais e de um sem número de outras coisas impingidas como dogmas, se tivesse ido tão longe no roubo de direitos, rendimentos e da própria dignidade do ser humano.
No seguimento das eleições de 4 Outubro e na continuidade das lutas travadas nos últimos anos, o povo português deu um passo, modesto, mas importante, para interromper este rumo. Mas tal como temos sublinhado, por si só, nem o Governo PS, nem o seu programa, asseguram a recuperação de direitos e muito menos a inversão do actual rumo. Apesar de algumas medidas positivas já aprovadas e de outras – cujos compromissos assumidos esperamos que sejam concretizados – situações como aquela que se verificou recentemente com o BANIF tornam evidente que, sem a ruptura com a política de direita, sem a derrota do poder dos monopólios, as expectativas que o povo português detém, serão defraudadas. Para os trabalhadores, para o povo português, o ano que agora se inicia transporta consigo exigências que, no plano da luta de massas, não são menores. Em 2016, a luta pela defesa, reposição e conquista de novos direitos, reivindicando junto do Governo e da Assembleia da República uma política alternativa, será uma exigência à qual os trabalhadores e o povo português não podem nem vão faltar
quinta-feira, 31 de dezembro de 2015
José Afonso, no fecho de 2015.
Velha da terra morena
Pensa que e já lua cheia
Vela que a onda condena
Feita em pedaços na areia
Saia rota
Subindo a estrada
Inda a noite
Rompendo vem
A mulher
Pega na braçada
De erva fresca
Supremo bem
Canta a rola
Numa ramada
Pela estrada
Vai a mulher
Meu senhor
Nesta caminhada
Nem m'alembra
Do amanhecer
Há quem viva
Sem dar por nada
Há quem morra
Sem tal saber
Velha ardida
Velha queimada
Vende a fruta
Se queres comer
A noitinha
A mulher alcança
Quem lhe compra
Do seu manjar
Para dar
A cabrinha mansa
Erva fresca
Da cor do mar
Na calçada
Uma mancha negra
Cobriu tudo
E ali ficou
Anda, velha
Da saia preta
Flor que ao vento
No chao tombou
No Inverno
Terás fartura
Da erva fora
Supremo bem
Canta rola
Tua amargura
Manha moça
.. nunca mais vem
Para que a luta tenha sentido e a esperança valor, aqui fica no último dia de 2015 esta bela cantiga do Zeca!
Feliz Ano Novo!
segunda-feira, 21 de dezembro de 2015
O "entertainer"
Por Rui Sá, no jornal «JN»
Basta fazer uma viagem pelas redes sociais para ver a forma como as mesmas abordam a candidatura de Marcelo Rebelo de Sousa à Presidência da República. As gentes de esquerda recordam o seu passado. E falam da carta que escreveu ao seu padrinho Marcello Caetano, onde, ao mesmo tempo que parece desculpar-se pelo acompanhamento do Congresso da Oposição Democrática de Aveiro, "bufa" as atividades desenvolvidas, particularmente pelo "PC" e elogia o presidente do Conselho por um discurso que este fez e que, diz Marcelo, "caiu muito bem em vários setores da opinião pública", dado que teve o mérito de se "antecipar ao rescaldo de Aveiro e às futuras manobras pré-eleitorais" (falando da fantochada eleitoral de 1973 promovida pela ditadura!). Numa altura em que Marcelo já não era um imberbe, mas sim um adulto. Licenciado, casado e com 25 anos de vida.
Outros recordam um passado mais recente. Daquele que foi quase fundador do PPD, membro de várias das suas direções, deputado, autarca e mesmo presidente do partido entre 1996 e 1999. Apoiante de relevo da candidatura de Cavaco Silva a presidente da República e por este premiado/nomeado como membro do Conselho de Estado.
Outros ainda colocam em causa o seu caráter, dizendo que, oportunisticamente, procura passar uma esponja sobre o seu passado e percurso, de forma a penetrar no eleitorado da Esquerda - dado que, nas legislativas de há apenas dois meses, a Direita (ou seja, os partidos que lhe declararam o apoio - o PSD e o CDS) apenas recolheram 37% dos votos, o que manifestamente é insuficiente para a sua eleição. Comparando esta atitude com aquela que Cavaco teve em 1995, quando quis tanto que os eleitores esquecessem que ele era o antigo primeiro-ministro em queda, que até se negou a que a sua fotografia e o seu nome surgissem no apoio ao seu sucessor e fiel amigo Fernando Nogueira.
domingo, 6 de dezembro de 2015
Um domingo que pode ser de músicas
Ò LAURINDA, LINDA, LINDA
ÉS MAIS LINDA DO QUE O SOL
DEIXA-ME DORMIR UMA NOITE
NAS DOBRAS DO TEU LENÇOL
SIM, SIM, CAVALHEIRO, SIM
HOJE SIM AMANHÃ NÃO,
MEU MARIDO NÃO ESTÁ CÁ
FOI P´RÁ FEIRA DE GRAVÃO.
ONZE HORAS, MEIA NOITE,
MARIDO À PORTA BATEU,
BATEU UMA, BATEU DUAS,
LAURINDA NÃO RESPONDEU.
(E) OU ELA ESTÁ DOENTINHA,
OU JÁ TEM OUTRO AMORE
OU ENTÃO PRECURA A CHAVE
LÁ NO MEIO DO CORREDOR.
DE QUEM É ESTE CHAPÉU
DEBRUADO A GALÃO?
- É PARA TI, MEU MARIDO,
QUE FIZ EU POR MINHA MÃO.
- DE QUEM É ESTE CASACO,
QUE EU ALI VEJO PENDURADO?
- É PARA TI, MEU MARIDO,
QUE O TRAZES BEM GANHADO.
- DE QUEM É ESTE CAVALO,
QUE NA MINHA ESQUADRA ENTROU?
- É PARA TI, MEU MARIDO,
FOI TEU PAI QUEM TO MANDOU.
- DE QUEM É AQUELE SUSPIRO
QUE AO MEU LITO SE ATIROU?
LAURINDA, QUE AQUILO NÃO OUVIU,
CAIU NO CHÃO, DESMAIOU.
- Ò LAURINDA, LINDA, LINDA,
NÃO VALE A PENA DESMAIARES,
TODO O AMOR QUE T´EU TINHA
VAI-SE AGORA ACABAR.
VAI BUSCAR AS TUAS IRMÃS,
TRAZ A TODAS NUM ANDORO
(E) A MAIS LINDA DELAS TODAS
HÁ-DE SER O MEU AMOR.
Um resto de bom fim-de-semana!
domingo, 15 de novembro de 2015
Votar até ganhar?
Por Carvalho da Silva no jornal «JN»
Quem imaginaria Portugal, neste final de 2015, numa situação política com a Direita acicatando a luta de classes, utilizando o terrorismo verbal, desenvolvendo um fortíssimo ataque ao regime democrático-constitucional e instabilizando a sociedade?
As eleições de 4 de outubro foram, sem dúvida, de enorme importância e alcance. Podemos orgulhar-nos como povo: quando o bloqueio e a subjugação eram apresentados como inevitáveis para o nosso futuro próximo, com enorme serenidade e consciência, os portugueses usaram a arma do voto e abriram portas para novos caminhos. A Direita não lhes perdoa. Para a Direita, o povo, que tinha sido por eles convocado a sofrer por ter cometido o pecado de "viver acima das suas possibilidades", deve agora ser obrigado a votar tantas vezes quantas as necessárias - tenha isso os custos que tiver - para corrigir o "erro" de não lhes ter dado a maioria absoluta.
Os portugueses têm naturais receios de novas doses de austeridade, sabem que os tempos que vivemos exigem rigor e honestidade (valores que os poderosos espezinham todos os dias), mas não abdicam de sonhar e buscar caminhos de futuro. A resistência dos últimos anos não foi em vão e propiciou muitos ensinamentos, felizmente interpretados com grande sentido de responsabilidade e coragem pelos partidos políticos à Esquerda, perante os resultados eleitorais obtidos. Como vai projetar-se no futuro este facto não sabemos, mas o início da caminhada é bom.
sábado, 14 de novembro de 2015
quarta-feira, 11 de novembro de 2015
Capas de jornais (85)
O XX Governo, aquele que fez mais desempregados e pobres que obrigou à emigração em massa que criou mais fome infantil que criou mais despejos que passou a dívida de 70% para 130% do PIB, que destruiu o Estado Social , mais precariedade no emprego e que mais marginalizou os idosos entre outras maldades; CAIU ontem na Assembleia da República, com uma moção de rejeição aprovada pela maioria dos deputados de esquerda com assento no Parlamento.
O Povo exigiu, lutou e conseguiu!
sexta-feira, 30 de outubro de 2015
Estabilidade
Por Manuel Gouveia, no jornal «Avante!»
O povo precisa de estabilidade. Aqueles que estão com contratos precários precisam de vínculos de trabalho estáveis. Aqueles que estão desempregados precisam de emprego. Aqueles que têm baixos salários precisam de salários mais altos. Os funcionários públicos e os trabalhadores do sector empresarial do Estado precisam que parem de roubar-lhes os salários. Aqueles casais sem possibilidade de colocar os filhos nos infantários ou incapazes de suportarem os custos com a educação «gratuita» precisam de garantias de acesso universal. Aqueles que devem três, quatro ou mais meses de renda aos bancos ou aos senhorios, e se vêem ameaçados com o seu despejo e dos seus, precisam da segurança de uma habitação digna. Aqueles que adiam análises ou abandonam tratamentos de saúde que lhes são indispensáveis precisam da Segurança Social que hoje não têm.
O povo precisa, deseja, anseia por estabilidade. Mas não há volta a dar: a estabilidade na vida do povo implica a socialização da riqueza produzida, o que implica a socialização dos principais meios de produção e dos serviços públicos essenciais.
E uma maior estabilidade não pode ser alcançada sem fazer cair muitas cadeiras e cadeirões. Há toda uma classe de exploradores e uma camada de parasitas que têm que sentir o chão a fugir-lhes debaixo dos pés. Estabilizar a vida do povo português implica desestabilizar aqueles que hoje gastam a palavra estabilidade, e que dizem e repetem até à (nossa) exaustão que o «País precisa de estabilidade».
É que eles dizem «País» porque têm medo de dizer «classes dominantes», porque precisam de disfarçar que o que querem estabilizar é esse domínio e os decorrentes privilégios e regalias. Precisam de estabilidade, como um pastor precisa da estabilidade do seu rebanho para o poder tosquiar, sacar-lhe o leite, as crias, a carne e até os ossos.
Os burgueses sonham com um povo domesticado quando falam em estabilidade, sonham com um povo submetido à sua ditadura. A estabilidade deles representa a desestabilização e precarização da vida do povo português. É que os sonhos deles são os nossos pesadelos. E vice-versa!
terça-feira, 27 de outubro de 2015
Metade das famílias portuguesas vive com menos de mil euros por mês,revela um estudo da DECO
De acordo com as conclusões de um inquérito da Associação para a Defesa dos Direitos do Consumidor sobre o orçamento familiar, as famílias com mais dificuldades em fazer face às despesas diárias são as que têm filhos menores, mesmo que ambos os cônjuges trabalhem.
"Metade destes agregados sobrevive com menos de mil euros por mês, não sendo difícil presumir que muitos dos elementos trabalhadores ganhem apenas o salário mínimo nacional (505 euros), ou até menos", conclui a DECO.
Fonte: «JN»
segunda-feira, 26 de outubro de 2015
quarta-feira, 21 de outubro de 2015
Cai a máscara
Por Anabela Fino, no jornal «Avante!»
A histeria colectiva que tomou conta da direita em Portugal face a um hipotético entendimento do PS com o PCP e o BE, com vista à formação de um governo com apoio maioritário no Parlamento, trouxe à superfície o anti-comunismo mais primário que se possa imaginar e fez estalar – nalguns casos com grande surpresa de muitos – o verniz democrático com que um certo número de figuras públicas andou disfarçado desde sempre.
Vemos, ouvimos e lemos e o resultado é sempre o mesmo: os que se consideram donos da opinião pública por terem assento à mesa dos donos da opinião publicada estão não só à beira de um ataque de nervos mas positivamente em pânico. Só falta mesmo pedirem a intervenção da NATO – como sucedeu noutras latitudes – para evitar a todo o custo a concretização do seu maior pesadelo, a saber, a formação de um governo que não tenha como prioridade servir o capital.
Até parece, embora seja altamente improvável, que alguns destes fazedores de opinião caíram na própria armadilha de iludir incautos e ficaram presos no labirinto da sua demagogia. De tanto clamarem que as eleições legislativas «são para primeiro-ministro» parecem ter esquecido que em Portugal o que de facto se elege são deputados à Assembleia da República, pelo que razão tem o PCP ao sublinhar repetidamente a utilidade de cada voto na CDU, pois com votos se elege deputados e com o número de deputados eleitos se determina a composição política do Parlamento. De tanto rotularem o PCP de «partido do protesto» sem vocação para o poder, parecem ter-se convencido que isso é uma verdade insofismável. De tanto decretarem que o «arco da governação» se esgota no trio PS/PSD/CDS, parecem ter dado como certo que a «democracia» em que se aconchegam não pode jamais contemplar outras possibilidades.
Confrontados com o facto de o País não ser como o pintam e com a mera possibilidade – mera possibilidade, sublinhe-se – de o PS finalmente aceitar contribuir para uma alternativa à alternância, a direita mostra a sua verdadeira face. Há muito que não se via por cá, de forma tão ostensiva, o cair de tanta máscara. Fossem elas de vidro e mandaria a prudência muita atenção onde se põe os pés.
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