segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Boas Festas

(imagem tirada da net)


Para todas/os aqueles que as merecem  o meu abraço fraterno.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

É tempo de dizer basta!


Depois de muitos anos, com os sucessivos desgovernos a aplicarem aos portugueses políticas de direita (fortemente agravadas nos últimos anos), eis que vão chegando os resultados sociais, por elas criadas. É tempo de dizer BASTA!

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

O irrelevante

Por Henrique Custódio, no jornal «Avante!»
«Roma e Pavia não se fizeram num dia», rima o provérbio, estribando-se na construção monumental do Império Romano.
Na escola sonâmbula que frequentou, Passos Coelho leu cabulamente a coisa e achou que bastava uma legislatura para «construir um Império» chamado «novo paradigma» e instalado no País de Camões.
Visto assim é como assestar de longe, na planagem dos abutres, perscrutando de alto a devastação produzida pelo «paradigma» da governação abrutalhada que a família Passos Coelho conheceu nas «colónias portuguesas».
Em algumas zonas até faz lembrar as tabancas reduzidas a cinzas vistas do alto, dos Allouette-3 ou dos Nord-Atlas, evolando aos céus a cinza leve e pungente e um cheiro a fumo que penetrava as fuselagens – mas isso era «lá», «nas províncias Ultramarinas» e nesses recessos de memória dorida, com odores adocicados de carne humana queimada.
«Cá» e agora, evidentemente, só cheira ao imenso ridículo das pretensões políticas de uma personagem que, de política, só conjuga o verbo «amarinhar», e do País parece orientar-se pelos «modernismos» do Goebbels português, António Ferro (isto pressupondo que as suas leituras chegaram aí).
O certo é que o País quase milenar, a terra profunda a quem Camões proclamou «Esta é a ditosa Pátria minha amada», a Nação que já foi invadida e ocupada, que já repeliu e expulsou todos os invasores, que já «deu novos mundos ao mundo» numa aventura colectiva que raros povos tiveram o privilégio de realizar, este Povo que se forjou numa entranhada identidade que, várias vezes, lutou até à morte contra tudo e contra todos – incluindo as classes dominantes que, invariavelmente, acudiam pelos poderosos, mesmo que invasores –, este Povo que lavrou guerras civis de Norte a Sul levantando-se contra os poderosos da I Dinastia, que no alvor da II Dinastia repudiou a tutela castelhana e os poderosos que a serviam e entronizou um bastardo que fundou a origem dos Descobrimentos, um Povo que desembocou na mais longa ditadura fascista da Europa, a derrubou e nela construiu um regime democrático com a Constituição mais evoluída do sistema capitalista... eis o terreno que Passos Coelho ousou poluir com um «novo paradigma».
Há, de facto, por aí muita coisa estragada do Portugal que a Revolução de Abril trouxe – um estrago que vem corroendo o regime desde o seu início, pelas mãos exclusivas de PS e do PSD (com ou sem muleta do CDS).
O «novo paradigma», perlimpimpado por Passos Coelho sobre o País, trouxe mais coisas – desarticulou as funções sociais do Estado (Saúde, Ensino, Segurança Social), o Contrato Social, os salários, as pensões e reformas, as carreiras profissionais, as garantias estatais de qualquer espécie e, ainda, o desaparecimento de fileiras de produção e de postos de trabalho que continuam a cair como dominós.
Mas por isso também lhe trouxe um ódio e um desprezo generalizados no País.
E uma anotação histórica: a de ter sido um «estadista» irrelevante e reaccionário.

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

A cassete

Por Rui Sá, no jornal «JN»
Hoje, tenho de pedir desculpa às leitoras e aos leitores, mas tenho de dar um cunho (ainda) mais pessoal a esta crónica. Porque a vou basear em factos que se passaram comigo há alguns anos, mas que demonstram que, apesar de tudo, há facetas da história que se repetem.
Na sequência das eleições autárquicas de 2001, na Câmara do Porto viveu-se uma situação curiosa. A coligação PSD/CDS ganhou as eleições, com seis eleitos, tantos quantos os eleitos pelo PS. A CDU, por seu turno, elegeu-me como vereador. Nas autarquias, ao contrário do que acontece nas eleições nacionais, o presidente da Câmara é o cidadão que encabeça a lista mais votada, tendo ou não maioria absoluta. O que significou que o presidente da Câmara eleito foi Rui Rio. Perante esta situação, Rui Rio propôs que o vereador da CDU assumisse um pelouro. O que a CDU aceitou, estabelecendo como condições a necessária relevância desse pelouro (no caso, ficou o Ambiente, a Reforma Administrativa e a presidência dos SMAS) e a disponibilização de meios técnicos, humanos e financeiros que permitissem realizar um trabalho positivo. Por último, que não em ordem de importância, que o vereador da CDU manteria a sua total independência e fidelidade ao programa político que tinha apresentado aos eleitores - uma situação muito diferente da que se vive atualmente, onde o PS, para aceitar pelouros para parte dos seus eleitos, se comprometeu, por escrito, a cumprir o programa do presidente da Câmara.