quarta-feira, 25 de julho de 2012

Férias


Quando o cansaço aperta... é preciso parar para descansar, fazer o balanço do que foi a caminhada  e ganhar forças para enfrentar o futuro. É o que estamos a fazer.
Ao longo destes três anos de existência, congratulámo-nos sempre com as vossas  visitas,  e os vossos comentários  ajudaram-nos, em maioria de razão,  a continuar a publicar e realçar aquilo que em nosso entender nos pareceu certo em cada momento.
Voltaremos certamente, para continuar nesse caminho.  

A todos desejamos umas boas férias.   

segunda-feira, 23 de julho de 2012

O preço de sermos "bons"

Por Manuel António Pina, no Jornal «JN»

Depois de a terem "desanimado" com medidas cegas de austeridade que limitaram dramaticamente a procura interna, a "troika" e o Governo estão agora preocupados em "animar a economia".
"Animar a economia" significa aumentar as expectativas de lucro daquela parte do patronato ainda não satisfeita com despedimentos fáceis e baratos, mais dias de trabalho, "bancos de horas", desregulação laboral, etc.. Isto quando, já em 2011, os custos do trabalho em Portugal (12,1 euros/hora) eram substancialmente inferiores a metade da média da zona euro (27,6 euros/hora).
A ideia é reduzir, no OE de 2013, a TSU paga pelo patronato, de modo a "animar" com mais 840 milhões de redução dos custos do trabalho quem, ao mesmo tempo que constantemente clama por "menos Estado", sempre se habituou, desde os idos da lei do condicionamento industrial, a viver à sombra da árvore das patacas públicas.
O FMI "admite" ir buscar esses 840 milhões ao aumento das taxas reduzidas de IVA que hoje incidem sobre alguns bens essenciais: carne, peixe, cereais, ovos, leite, azeite, legumes, jornais, livros e medicamentos. Já que, como diz o "troiko" Jurgen Kröger, ao contrário da Grécia e da Espanha, em Portugal "as pessoas são boas" e não reagem, além de que, como diz Cavaco, "a imprensa é muito suave", assistiremos assim a nova e brutal transferência de recursos dos mesmos de sempre para os mesmos do costume.

sábado, 21 de julho de 2012

Sendo sábado, temos música (133)




Titanic

Francesco De Gregori

La prima classe costa mille lire,
la seconda cento, la terza dolore e spavento.
E puzza di sudore dal boccaporto
e odore di mare morto.
Sior Capitano mi stia a sentire,
ho belle e pronte le mille lire,
in prima classe voglio viaggiare
su questo splendido mare.
Ci sta mia figlia che ha quindici anni ed a Parigi ha comprato un cappello,
se ci invitasse al suo tavolo a cena come sarebbe bello.
E con l'orchestra che ci accompagna con questi nuovi ritmi americani,
saluteremo la Gran Bretagna col bicchiere tra le mani
e con il ghiaccio dentro al bicchiere faremo un brindisi tintinnante
a questo viaggio davvero mondiale, a questa luna gigante.
Ma chi l'ha detto che in terza classe,
che in terza classe si viaggia male,
questa cuccetta sembra un letto a due piazze,
ci si sta meglio che in ospedale.
A noi cafoni ci hanno sempre chiamato
ma qui ci trattano da signori,
che quando piove si può star dentro
ma col bel tempo veniamo fuori.
Su questo mare nero come il petrolio ad ammirare questa luna metallo
e quando suonano le sirene ci sembra quasi che canti il gallo.
Ci sembra quasi che il ghiaccio che abbiamo nel cuore piano piano
si vada a squagliare in mezzo al fumo di questo vapore di questa vacanza in alto mare.
E gira gira gira gira l'elica e gira gira che piove e nevica,
per noi ragazzi di terza classe che per non morire si va in America.
E il marconista sulla sua torre,
le lunghe dita celesti nell'aria,
riceveva messaggi d'auguri
per questa crociera straordinaria.
E trasmetteva saluti e speranze
in quasi tutte le lingue del mondo,
comunicava tra Vienna e Chicago
in poco meno di un secondo.
E la ragazza di prima classe, innamorata del proprio cappello,
quando la sera lo vide ballare lo trovò subito molto bello.
Forse per via di quegli occhi di ghiaccio così difficili da evitare,
pensò "Magari con un pò di coraggio, prima dell'arrivo mi farò baciare".
E com'è bella la vita stasera, tra l'amore che tira e un padre che predica,
per noi ragazze di terza classe che per non sposarci si va in America,
per noi ragazze di terza classe che per non sposarci si va in America.

Bom sábado, boas notícias e boa música.

sexta-feira, 20 de julho de 2012

De Portas escancaradas

Por Jorge Cordeiro, no Jornal «Avante!»


Mestre da dissimulação, Paulo Portas acaba por padecer do mesmo mal que padecem os peixes:ser pela boca que morrem. Depois de continuar a fazer crer não ser aquilo que é, ministro deste governo, tomando os portugueses por tolos ou distraídos; depois de habilidosamente criticar o chefe do partido seu aliado por destempero institucional nas criticas que fez à decisão do Tribunal Constitucional sobre o corte de subsídios para, por outras mas não menos inocentes palavras, engrossar o coro contra os trabalhadores agora vítimas do saque dos seus rendimentos; depois de meses de fingida preocupação pelos reformados, desapossados dos seus subsídios pela mão do PSD e do CDS, sem que um pio lhe saisse da boca para fora – Paulo Portas deu asas à sua cartilha ideológica marcada por uma indisfarçável vinculação aos interesses do grande capital e ao acervo ultra reaccionário que a acompanha. Em abreviadas palavras, disse Portas que «se o défice é do Estado, não faz sentido ir buscar cortes aos trabalhadores do privado» acrescentando, com a arte de manipulação que o distingue, não ser «justo que o sector privado tenha a mesma responsabilidade».
Três anotações se justificam perante este exercício de oratória: primeiro, para sublinhar a confissão de Portas de que, em matéria de roubo de subsídios à administração pública e aos reformados, é para o lado que dorme melhor; segundo, para registar a cínica identificação do Estado – e, sobretudo, o que os seus milhares de trabalhadores asseguram de direitos e funções sociais indispensáveis à qualidade de vida de todos os portugueses, sejam eles do privado ou público – com o percurso ruinoso a que a política de direita conduziu o País em matéria de défices e endividamento; terceiro, para anotar a ardilosa manobra para, a pretexto de uma falsa defesa dos trabalhadores do privado, roubados todos os dias nos seus rendimentos e direitos pela política do governo a que pertence, deixar incólumes os únicos interesses privados com que se preocupa, os interesses do grande capital e dos grupos económicos que representa.