terça-feira, 26 de julho de 2016

Da ruptura dos Media com o mundo do Trabalho

O caso remete-nos para o problema da ruptura dos Media com o mundo do Trabalho e a vida sindical, muito importante na batalha ideológica da qual os meios de comunicação social são um instrumento decisivo.


Artigo de Alfredo Maia para ler Aqui.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

Retrocesso

Por Vasco Cardoso, no jornal «Avante!»

Se os recentes e trágicos acontecimentos relacionados com a morte de um paciente por falta de assistência aos casos relacionados com acidentes vasculares cerebrais nos hospitais da zona de Lisboa nos dão conta do quão longe foi o processo de destruição do SNS, eles convocam-nos também para uma verificação mais larga da dimensão do profundo retrocesso para onde o nosso país foi conduzido nestes anos. Bem podem ser gastas horas de noticiários a dissecar pormenores sobre este caso, como se de algo isolado se tratasse, que a dimensão destes acontecimentos não conseguirá apagar o gesto criminoso das medidas sucessivamente tomadas.
Em quase tudo aquilo que diz respeito à vida da esmagadora maioria da população, o País andou para trás! E não podia ter sido de outra maneira, tendo em conta a receita que foi aplicada ao longo de décadas de política de direita. Uma receita cuja dose foi reforçada nos últimos anos durante o período dos PEC e do Pacto de Agressão e que levou a que, em nome do défice, da estabilidade do sistema financeiro, dos compromissos internacionais e de um sem número de outras coisas impingidas como dogmas, se tivesse ido tão longe no roubo de direitos, rendimentos e da própria dignidade do ser humano.

No seguimento das eleições de 4 Outubro e na continuidade das lutas travadas nos últimos anos, o povo português deu um passo, modesto, mas importante, para interromper este rumo. Mas tal como temos sublinhado, por si só, nem o Governo PS, nem o seu programa, asseguram a recuperação de direitos e muito menos a inversão do actual rumo. Apesar de algumas medidas positivas já aprovadas e de outras – cujos compromissos assumidos esperamos que sejam concretizados – situações como aquela que se verificou recentemente com o BANIF tornam evidente que, sem a ruptura com a política de direita, sem a derrota do poder dos monopólios, as expectativas que o povo português detém, serão defraudadas. Para os trabalhadores, para o povo português, o ano que agora se inicia transporta consigo exigências que, no plano da luta de massas, não são menores. Em 2016, a luta pela defesa, reposição e conquista de novos direitos, reivindicando junto do Governo e da Assembleia da República uma política alternativa, será uma exigência à qual os trabalhadores e o povo português não podem nem vão faltar

quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

José Afonso, no fecho de 2015.



Velha da terra morena
Pensa que e já lua cheia
Vela que a onda condena
Feita em pedaços na areia
Saia rota
Subindo a estrada
Inda a noite
Rompendo vem
A mulher
Pega na braçada
De erva fresca
Supremo bem
Canta a rola
Numa ramada
Pela estrada
Vai a mulher
Meu senhor
Nesta caminhada
Nem m'alembra
Do amanhecer
Há quem viva
Sem dar por nada
Há quem morra
Sem tal saber
Velha ardida
Velha queimada
Vende a fruta
Se queres comer

A noitinha
A mulher alcança
Quem lhe compra
Do seu manjar
Para dar
A cabrinha mansa
Erva fresca
Da cor do mar
Na calçada
Uma mancha negra
Cobriu tudo
E ali ficou
Anda, velha
Da saia preta
Flor que ao vento
No chao tombou
No Inverno
Terás fartura
Da erva fora
Supremo bem
Canta rola
Tua amargura
Manha moça
.. nunca mais vem

Para que a luta tenha sentido e a esperança valor, aqui fica no último dia de 2015 esta bela cantiga do Zeca!
Feliz Ano Novo!

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

O "entertainer"

Por Rui Sá, no jornal «JN»

Basta fazer uma viagem pelas redes sociais para ver a forma como as mesmas abordam a candidatura de Marcelo Rebelo de Sousa à Presidência da República. As gentes de esquerda recordam o seu passado. E falam da carta que escreveu ao seu padrinho Marcello Caetano, onde, ao mesmo tempo que parece desculpar-se pelo acompanhamento do Congresso da Oposição Democrática de Aveiro, "bufa" as atividades desenvolvidas, particularmente pelo "PC" e elogia o presidente do Conselho por um discurso que este fez e que, diz Marcelo, "caiu muito bem em vários setores da opinião pública", dado que teve o mérito de se "antecipar ao rescaldo de Aveiro e às futuras manobras pré-eleitorais" (falando da fantochada eleitoral de 1973 promovida pela ditadura!). Numa altura em que Marcelo já não era um imberbe, mas sim um adulto. Licenciado, casado e com 25 anos de vida.
Outros recordam um passado mais recente. Daquele que foi quase fundador do PPD, membro de várias das suas direções, deputado, autarca e mesmo presidente do partido entre 1996 e 1999. Apoiante de relevo da candidatura de Cavaco Silva a presidente da República e por este premiado/nomeado como membro do Conselho de Estado.
Outros ainda colocam em causa o seu caráter, dizendo que, oportunisticamente, procura passar uma esponja sobre o seu passado e percurso, de forma a penetrar no eleitorado da Esquerda - dado que, nas legislativas de há apenas dois meses, a Direita (ou seja, os partidos que lhe declararam o apoio - o PSD e o CDS) apenas recolheram 37% dos votos, o que manifestamente é insuficiente para a sua eleição. Comparando esta atitude com aquela que Cavaco teve em 1995, quando quis tanto que os eleitores esquecessem que ele era o antigo primeiro-ministro em queda, que até se negou a que a sua fotografia e o seu nome surgissem no apoio ao seu sucessor e fiel amigo Fernando Nogueira.