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quinta-feira, 6 de agosto de 2015

Hiroxima e o Japão imperialista

Por Albano Nunes, no jornal «Avante!»


Há 70 anos o imperialismo norte-americano cometeu o maior crime de guerra que a História regista. O lançamento das bombas atómicas sobre Hiroxima e Nagasaki causando de imediato a morte de centenas de milhares de civis e deixando atrás de si um lastro de terríveis lesões e sofrimentos que ainda hoje perduram, é uma tragédia que jamais poderá ser esquecida, como esquecidos não podem ser os seus responsáveis. Foi um crime monstruoso que os EUA justificaram então e continuam a justificar hoje com o argumento de que assim obrigariam o Japão a render-se poupando um número incontável de vidas humanas. Trata-se de uma mentira sem nome. O Japão estava já praticamente derrotado. Terminada a II Guerra mundial na Europa o Exército Vermelho estava finalmente em condições, nos precisos termos do calendário acordado na Conferência de Ialta, de deslocar grande número de divisões para o teatro de guerra no Extremo Oriente e passar à ofensiva para esmagar o militarismo japonês.
Mas, por paradoxal que pareça, era isto precisamente o que os «aliados» imperialistas queriam evitar. Perante o imenso prestígio da URSS e o avanço das forças do progresso social, de libertação nacional e do socialismo – particularmente evidente na Ásia com as revoluções chinesa, vietnamita e coreana – os EUA passaram a afirmar sem escrúpulos a sua decisão de «conter o comunismo» por todos os meios, incluindo pela exibição do monopólio da arma atómica e a ameaça da sua utilização. Ainda a guerra não tinha acabado e já a principal potência imperialista desencadeava a «guerra-fria» no quadro da sua estratégia de confronto com o campo socialista e de domínio mundial. Foi a luta pelo progresso social e a paz e a conquista pela URSS da paridade militar estratégica que impediram o imperialismo de desencadear uma nova guerra de catastróficas dimensões.