quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Os pontos nos is

Por Aurélio Santos, no jornal Avante

Paulatinamente, ao ritmo de uma medida por semana, vem o actual Governo implementando um conjunto de medidas com que se pretende restringir drasticamente direitos sociais e direitos laborais, juridicamente garantidos, conquistados ao longo de muitas décadas.

Há duas semanas foi o imposto sobre o 13.º mês (50%), a semana passada foi o aumento de 15% do preço dos transportes públicos, esta semana o pacote laboral.

Estas decisões apresentadas como inapeláveis, e onde começam a surgir tenuamente tiques ditatoriais (veja-se a posição assumida pela presidente da Assembleia da República sobre o direito de parecer das organizações dos trabalhadores na discussão do pacote laboral), são-nos apresentadas como consequência da situação económica do País que, dizem, não comporta os custos desses direitos.

Como inserir neste discurso o vencimento do agora nomeado presidente da CGD que vai auferir mensalmente mais de 46 salários mínimos?!! O princípio de que o País não comporta determinados custos não se aplica aqui?

O desfasamento entre os salários dos trabalhadores portugueses e o custo de vida cresce exponencialmente tornando-se incomportável e insuportável para a maior parte da população. Inversamente, até ao momento, não foi apresentada uma única medida que penalize o capital.

Aliás, esta medida de um aumento brutal do preço dos transportes visa, essencialmente, sanar as empresas públicas de transportes das dívidas existentes para depois as privatizar. Ou seja: aqui vamos todos fazer mais um esforçozinho para dar uma ajuda ao capitalismo a braços com uma crise que ele próprio criou.

Esta crise não é nossa – é uma crise do capitalismo que, «democraticamente» nos impõem que paguemos.

Estas decisões fazem lembrar uma frase atribuída ao ditador Salazar, que continua bem vivo na memória colectiva do nosso povo – um dia perante uma decisão que apenas penalizava os mais pobres, alguém o questionou pelo facto de os ricos não serem afectados, ao que ele terá respondido «os pobres são muitos e já estão habituados».

Ao poder político aqui fica o recado – o povo português jamais aceitará ser de novo tratado da mesma forma.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

"Redistribuição do rendimento em benefício dos que já mais têm "

(...) Portugal é um dos países da UE onde a distribuição do rendimento e da riqueza é já das mais desiguais. Segundo o Eurostat, em 2009, os 20% da população portuguesa com rendimentos mais elevados recebiam seis vezes mais rendimento do que os 20% da população com rendimentos mais baixos, enquanto a média na União Europeia era de 4,9 vezes. Por outro lado, segundo o INE, também em 2009, os 10% da população com rendimentos mais elevados recebiam 9,2 vezes mais rendimento do que os 10% da população com rendimentos mais baixos. E 17,9% da população, ou seja, cerca de 1,9 milhões de portugueses viviam com rendimentos abaixo do limiar da pobreza. Isto depois das transferências sociais, pois se essas transferências forem eliminadas ou reduzidas, como este governo pretende, a taxa de risco de pobreza sobe para 43,4%.

Estudo de Eugénio Rosa,  que pode ser lido na totalidade aqui.

"Justiça social"

Rendimentos mais baixos serão mesmo forçados a emprestar ao Estado

«jornal de negócios»

Os pobres vão pagar os ricos ficam isentos.
Fica assim demonstrado o sentido de justiça social deste Governo  e seus papagaios-tarefeiros, tantas vezes referido nas rádios, tvs e jornais, ao seu serviço.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Aí estão as medidas das Troikas a entrar no bolso de todos nós.

 

Transportes mais caros a partir de hoje

Os títulos dos transportes ficam hoje mais caros, nalguns casos em mais de 20 por cento, uma medida contestada por comissões de utentes, sindicatos e partidos da oposição. «DN»

Um dos sindicatos do sector - Sindicato Nacional dos Trabalhadores do Sector Ferroviário - lembrou recentemente, que nos últimos 30 anos, os sucessivos governos «têm passado responsabilidades suas para empresas públicas de transportes que se viram obrigadas a endividar-se, pagando assim, todos os anos mais em juros do que em salários».
Para os ferroviários, ao invés das medidas anunciadas pelo Governo, o País precisa «de um incentivo à utilização do transporte público, que teria um menor custo energético, menores custo económicos e seria mais amigo do ambiente». Logo, de todos nós, digo eu!