sábado, 3 de maio de 2014
Sendo sábado, temos música (205)
"Ao alcance das mãos"
Letra e música: Samuel
Na minha vida
há um espaço vazio
Tão cheio de ti
Na minha voz
há um canto de luta
Que é feito p'ra ti
No meu poema
há uma nota suspensa
Um acorde rasgado
vibrando nas cordas
Despertas de sol e surpresa
Por ser já manhã
e estares junto de mim
Meu amor
De ser sem saber
Irmão
Dos teus olhos
parados nos meus
Tão molhados e firmes
Como estes teus dedos
suados e finos
Que aperto tremendo
entre as minhas mãos
Que não se pense
que estou decidido
A mudar de canções
Estamos na mira
das bocas famintas
Dos mesmos canhões
Que já aqui nos feriram
Mas que não matámos
E hoje só esperam
uma sentinela
Que durma no posto de luta
E os deixe lançar-nos ao chão
Meu amor
De ser e ficar
Irmão
Dos teus olhos
parados nos meus
Que vigiam a noite
Sorriem quando chega o dia
E vêem o futuro a chegar
ao alcance das mãos
Há uma flauta chilena
Que grita em cada canção
Há um balanço de samba ferido
Em cada barracão
Há uma trompete
Um batuque africano de guerra
Uma luta tão velha
Que arde a impaciência
de ver disparada
Esta arma invencível
que temos na mão
Meu amor
De ser por dever
Irmão
Dos teus olhos
parados nos meus
Que iluminam a noite
Amanhecem num grito
de amor e de luta
Que voam fronteiras
e rompem prisões
Dos teus olhos
parados nos meus
Tão molhados e firmes
Como estes teus dedos
suados e finos
Que aperto tremendo
entre as minhas mãos
Dos teus olhos
parados nos meus
Que vigiam a noite
Sorriem quando chega o dia
E vêem o futuro a chegar
ao alcance das mãos.
Bom sábado, boas notícias e boa música.
sexta-feira, 2 de maio de 2014
Ar fresco
Por Anabela Fino, no jornal «Avante!»
Por qualquer razão que a razão desconhece Passos Coelho decidiu comemorar o 25 de Abril convidando para almoçar, na residência oficial, um grupo de jovens dirigentes associativos. Os critérios que presidiram à escolha dos convivas não foi divulgado, mas a avaliar pelo resultado é de admitir que a identificação político-partidária e a garantia de que não haveria vozes discordantes tenha sido a bitola.
Se o repasto foi à porta fechada o mesmo não se pode dizer do aperitivo político servido no jardim do Palácio de São Bento sob o olhar atento dos media.
Quiçá inspirado pelo sol primaveril e pelo verde das plantas, o primeiro-ministro armou-se em jardineiro para transmitir a sua mensagem, cuja inclui a asserção de que «a democracia e a liberdade têm de ser regadas com muito cuidado todos os dias». Se a coisa tivesse ficado por aqui nada haveria a apontar, exceptuando naturalmente o facto de a frase nada ter de original para além de ser factualmente incorrecta, já que nem só de água vivem os jardins, mesmo os da democracia, que correm o risco de definhar por afogamento e míngua de substrato, para já não falar das ervas daninhas que tendem a proliferar se não as cortamos pela raiz. Mas adiante... Sucede no entanto que Passos Coelho não se ficou por aí, fazendo questão de sublinhar que o «espaço de liberdade e democracia» tem de se «reinventar a cada dia que passa, porque senão deixamos as nossas comemorações a cheirar a bafio».
Não sabemos se um almoço à porta fechada – ainda que à conta do erário – pode ser entendido como uma lufada de ar fresco, mas custa a imaginar que a escola pública, universal e gratuita possa alguma vez cheirar a bafio; que o Serviço Nacional de Saúde – através do qual o Estado deve assegurar o direito à saúde a todos os portugueses – possa alguma vez cheirar a bafio; que o direito a uma habitação condigna, ao trabalho com direitos, à alimentação, a velhice protegida, à cultura, ao lazer, à justiça, à paz, numa palavra à vida possa alguma vez num país que se afirma democrático ter sequer um vestígio que seja de cheiro a bafio. Porque bafio é algo que cheira mal, caso Passos Coelho não saiba. E as conquistas de Abril, os valores de Abril que a Constituição consagra e que estão enraizados bem fundo no coração do povo nunca poderão cheirar a bafio porque são em si mesmos a lufada de ar fresco que acabou com o fascismo, esse sim putrefacto de quase meio século de opressão, exploração e obscurantismo.
Passados 40 anos sobre o 25 de Abril, são as palavras do primeiro-ministro que tresandam a mofo, é a política do Governo e das troikas nacional e estrangeira (que vem tentando fechar todas as portas e janelas que Abril abriu) que fede a bafio, é a submissão aos ditames da União Europeia e dos interesses do capital que empesta o ar que respiramos.
Passos Coelho pode não ter visto o povo que saiu à rua no dia 25 e pode não querer ver o povo que amanhã estará na rua a celebrar o 1.º de Maio, mas não mudará o rumo da história. Cá fora respira-se o futuro de que ele não fará parte.
quinta-feira, 1 de maio de 2014
Governo fiel a si mesmo...
...faz da mentira descarada acto de governação.
Não é demais lembrar que no próximo dia 25 de Maio vamos ter Eleições!
É preciso dizer com o nosso voto; basta destas políticas!
Queremos uma vida melhor para o povo.
"Não acredito que o país aguente mais impostos", disse Passos Coelho em Agosto de 2013. "Não haverá mais aumento de impostos", prometeu Marques Guedes a 15 de Abril deste ano. "No guião da reforma do Estado já consta que queremos criar condições para começar uma inversão", disse ainda ontem Paulo Portas. Ambas as posições fazem parte de um conjunto de citações do executivo de que a austeridade do próximo ano não significaria mais aumentos de impostos. Porém, o governo voltou a ser fiel a si mesmo e ontem revogou tudo o que disse.
É preciso dizer com o nosso voto; basta destas políticas!
Queremos uma vida melhor para o povo.
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