Por Henrique Custódio, no jornal «Avante!»
Este Governo – no que, anote-se, não é diferente dos anteriores – movimenta a «coisa pública» como se ela fosse uma caverna de Ali Bábá, onde o Executivo se vai servindo quando e quanto lhe apetece e sem minimamente temer que alguém lhe peça contas.
A impunidade do caso contribuiu não apenas para o endémico descrédito em que mergulhou a governação do País, mas também (e sobretudo) para a insuportável mixórdia do público com interesses privados e na espécie de nó górdio em que se constituiu a apropriação do poder político pelo poder económico, consubstanciado na alta finança.
Teceu-se e instalou-se uma floresta de enganos onde, regularmente, o País se reúne em clareiras para renovar eleitoralmente o mandato de quem sempre o iludiu e, sobretudo, foi implacavelmente destruindo os direitos e garantias de cidadania na República democrática.
Inventaram até uma designação totalitária – a do «arco da governação» – para se perpetuarem no poder com uma legitimidade de facto e presuntivamente aceite num arremedo de vox populi.