Por Henrique Custódio, no jornal «Avante!»
Embora, actualmente, a política em Portugal ocorra a alta velocidade, tornou-se evidente há meses que «Portas e os seus pêpês» não apenas se põem em bicos-de-pé sempre que há retrato mas, sobretudo, manobram para consolidar a impressão de que «lutam», no Governo, pela «baixa de impostos».
É a demagogia rasca no seu esplendor, tirocinada há décadas pelos «pêpês».
A receita é sempre a mesma: uma «ideia providencial» – filha directa do mito cripto-fascista do «homem providencial» – e aí temos Portas a ser o paladino «da lavoura», «da agricultura», «dos reformados» ou «dos contribuintes», em todas as situações proclamando, com ou sem boné e sempre estrídulo, que está ali para lutar em nome dos sucessivos «providenciados», não cumprindo nada do que promete porque, comodamente, não tem acesso ao poder ou, caso a ele se alcandore no seu papel de muleta, o cumprir seja o que for, para além dos interesses pessoais, é coisa que não se evidencia susceptível de lhe passar pela cabeça de menino da Lapa.
Nele, até uma «decisão irrevogável» declarada em público não resiste mais do que umas horas.