domingo, 7 de dezembro de 2014

Hoje pode ser dia de cinema (118)

Realização: Pedro Costa



Sinopse
Enquanto os jovens capitães fazem a revolução nas ruas, o povo das Fontainhas procura o seu Ventura que se perdeu no bosque.

Bom domingo e bons filmes.

sábado, 6 de dezembro de 2014

Sendo sábado, temos música (227)



Das terras da Rosalia às terras de Miguel Torga
percorre o ar a cantiga que todo o povo recorda,
das Beiras a Trás-os-Montes, dos rios Mondego ao Minho
o perfume da Galiza, de giesta e flor de pinho.
Mil anos do mesmo sangue num passado sem fronteiras,
o fumo das chaminés nas memórias das aldeias;
gaita de foles Galega, Adufeiras da Idanha.
Cantamos em Mirandês, lingua que não nos é estranha.
Sou Galego, ai, sou Galego,
sou Galego até ao Mondego,
moiro escuro t’arrenego
da Galiza até ao Mondego.
Vindimamos o suor por tradição e castigo;
são irmãs no seu destino, rias de Aveiro e de Vigo.
E há tanto calor humano ao redor de uma fogueira,
à lareira vinho tinto, requeijão, broa caseira.
E a guitarra de Coimbra, gaita de foles Galega
são os sons da nossa alma aos quais o Norte se apega;
caminhos de Santiago, trilhos, veredas, clareiras,
cantamos ao desafio ao fim da tarde nas eiras.
Sou Galego, ai, sou Galego,
sou Galego até ao Mondego,
moiro escuro t’arrenego
da Galiza até ao Mondego.
Sou Galego, ai, sou Galego,
sou Galego até ao Mondego,
moiro escuro t’arrenego
da Galiza até ao Mondego.
Bom sábado, boas notícias e boa música.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Cantemos

Por Anabela Fino, no jornal «Avante!»
A notícia correu mundo e fez correr rios de tinta. Merecidamente, sem dúvida. Oportunamente, por certo. E se é legítimo supor que nenhum de nós terá ficado indiferente ao facto de algo que é nosso, tão genuinamente nosso que só nós o poderemos preservar, ser agora reconhecido como um património de todos – sendo este todos a própria humanidade –, não é menos legítimo admitir que a distinção dada a semana passada pela Unesco ao Cante Alentejano terá suscitado sentimentos diversos. Porque se é verdade que em abstracto todos nos podemos congratular com uma decisão que nos honra e sobretudo nos presta justiça, o facto é que mal se passa a frágil superfície do que pontualmente nos une logo se descobre a profunda imensidão do que realmente nos separa.
Sucede que o Cante Alentejano não é «apenas» um canto polifónico. Reduzi-lo a isso, por maior que fosse, seria esvaziá-lo da história, da cultura, da luta que lhe deu e lhe dará vida, para o transformar numa mercadoria tão descartável como qualquer outra.
Pode o latifundiário, seja qual for o tom de voz, «alto» ou «baixo», sentir o Cante como o operário agrícola movido pelo ideal da terra a quem a trabalha, com justiça e dignidade? Não, não pode.
Pode quem vive da exploração de outros homens sentir como o explorado o Cante que nos fala do «Alentejo dos pobres / Reino da desolação» ou da «terra vermelha / como bandeira sonhada»? Não, não pode.
Pode quem condena o povo à miséria sentir como seu o Cante que nos fala do amor «onde cabe o pária / a Revolução / e a Reforma Agrária / sonho do Alentejo»? Não, não pode.
Pode quem sonha com o regresso ao passado da opressão e da tirania entender alguma vez por que escreveu o poeta «Nunca vi um alentejano a cantar sozinho com egoísmo de fonte»? Não, não pode.
Poetas houve, como Urbano Tavares Rodrigues e José Gomes Ferreira, aqui citados, que entenderam o significado do Cante Alentejano em toda a sua dimensão humana, social e política, e por isso tão bem o traduziram nos seus versos. Não se tratou de um acaso. Tratou-se, isso sim, da compreensão que advém de estar do mesmo lado da barricada, de assumir na vida uma opção de classe, de escolher o caminho que levará um dia à sociedade sem exploradores nem explorados.
A marca de classe, tão profundamente marcada no Cante Alentejano que faz parte da sua essência, não pode ser diluída no efémero sucesso mediático e muito menos no fogo fátuo das feiras de vaidades. O Cante Alentejano é a expressão das alegrias, das dores, das lutas, dos sonhos de um povo que trabalha, sofre e resiste na certeza de que é possível um mundo melhor e mais justo. É a história de um povo, o nosso povo, de todos os povos do mundo. É a história de todos os que aprenderam – trabalhando e cantando – que a força da luta, como no Cante, está em juntar vontades, está no colectivo.
É esta maneira de cantar – e de lutar – que faz o Cante. Cantemos.

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Em 2012 foi notícia...

«Grande parte da documentação dos submarinos desapareceu do Ministério da Defesa. Sumiram, em particular, os registos das posições que a antiga equipa ministerial de Paulo Portas assumiu na negociação».


...e hoje, como está esta situação? Pergunto eu aos senhores jornalistas e aos  responsáveis pela justiça e bom nome de Portugal!