quinta-feira, 7 de maio de 2015

Liberdade de desinformar

Por Vasco Cardoso, no jornal «Avante!»

recente iniciativa, entretanto congelada, do PS, PSD e CDS, em relação à cobertura por parte dos órgãos de comunicação social sobre os actos eleitorais, levando-os à apresentação de uma primeira proposta de alteração do quadro legal em vigor, é merecedora de alerta e preocupação.
Invocando o desfasamento da Lei (de 1975) face às alterações nestes anos, quer do quadro mediático e quer do quadro partidário, está em curso uma operação que visa, em nome da liberdade editorial, legitimar a liberdade de silenciar e deturpar as posições e iniciativas políticas de todos aqueles que, como o PCP, combatem o rumo de desastre nacional.
É uma evidência que o problema não está na Lei. Se a Lei fosse cumprida, há muito que o permanente silenciamento do PCP teria sido corrigido; há muito que o espaço de comentário e debate político não estaria, como está, capturado pelos principais protagonistas da política de direita; há muito que teria sido colocado travão ao processo de concentração dos media e de degradação do serviço público; há muito que as decisões, quer da CNE, quer da própria ERCS, teriam um efectivo impacto na cada vez mais apertada malha ideológica, onde só há lugar para o pensamento dominante e as respectivas alternâncias que lhe dão continuidade.
De facto, o problema não está na Lei, mas no crescente domínio pelo capital monopolista da comunicação social. No entanto, a alteração da Lei para a qual apelaram «directores» de órgãos de comunicação social, bem como o Presidente da República que destilou uma vez mais o seu ódio sobre uma «lei de Abril», não é para favorecer o debate plural e democrático, combater discriminações, permitir uma mais lúcida e esclarecida tomada de decisões. A alteração da Lei que querem impor visa legalizar a discricionaridade e o livre arbítrio, sob a capa dos infindáveis mistérios da liberdade editorial. Visa desarmar as forças políticas de qualquer possibilidade de questionamento da sua discriminação. Visa dar ainda mais espaço ao PS, PSD e CDS e às suas opções ideológicas.

Juntos na política de direita, juntos na submissão à União Europeia e ao grande capital, juntos na política da troika, juntos nas privatizações, juntos no agravamento da exploração e do empobrecimento do País, também agora, PS, PSD e CDS, se preparam para dar as mãos num perigoso golpe contra o regime democrático.

segunda-feira, 4 de maio de 2015

As diferenças no cálculo da pensão na Segurança Social e na CGA

Por Eugénio Rosa, em resistir.info

Uma das medidas defendidas pelo grupo de economistas do PS, no documento "Uma década para Portugal", é "a rigorosa consolidação dos dois sistemas de pensões com a aplicação de regras de formação de direitos idênticos em todos os sistemas existentes" (pág. 39). Por isso interessa conhecer quais são as diferenças ainda existentes entre os dois sistemas – Segurança Social e CGA – na forma como é calculada a pensão. No passado, quando se falou de convergência dos dois sistemas foi sempre para reduzir as pensões dos trabalhadores da Função Pública e do setor privado pois esta foi sempre feita por baixo e não por cima (agora o PS anuncia intenção de fazer mais um corte de 2,6% para compensar a redução da TSU em 8% como as pensões já não fossem muito baixas).

sábado, 2 de maio de 2015

Sendo sábado, temos música (234)

;

Nunca fui o que quiseste,
Fui sempre o que não gostavas,
Deitei fora o que me deste,
Pedi-te o que não me davas

Fui abraço de serpente
E beijo amargo limão
Fui um corpo sem ser gente,
Mão que é prego noutra mão

Fui de promessa fingida
E rosto que não se encara -
Dor que não chega a ser ferida
E até por isso não sara

Fui noites sem madrugadas,
Desejo sem aflição
Estamos de costas voltadas
Por mais que digas que não.

Letra enviada por Mário Rodrigues

Bom sábado, boas notícias e boa música

sexta-feira, 1 de maio de 2015

Dia do Trabalhador








Muito cara está a vida
pra quem não tem que vender
o pobre trabalhador
já não ganha pra comer
Vai um homem trabalhar
para um qualquer patrão
com um bocado de pão
tem de almoçar e jantar
Conduto não pode comprar
só bebe a água fervida
traz a barriga franzida
aperta-a com uma correia
à noite fica sem ceia
muito cara está a vida
Todo o pobre é maltratado
não se pode alimentar
Se tem mulher e filhos a sustentar
viverá sempre enrascado
Anda roto e esfarrapado
mas nunca pode viver
Com as carnes a aparecer
nunca passa da miséria
e a coisa vai a estar séria
pra quem não tem que vender
Dão-lhe um pequeno ordenado
quando vai pra trabalhar
Não chega para comprar
comida roupa e calçado
Quando chega a velho cansado
não lhe dão nenhum valor
Sendo ele o produtor
que tudo a terra cria
vive com pouca alegria
o pobre trabalhador
E se o trabalho é desviado
levanta-se de madrugada
deita unhas à enxada
e lá vai ele acelerado
Se chega um pouco atrasado
um quarto tem de perder
O patrão diz que não quer
homem nessas condições
Só vive com ralações
já não ganha pra comer.

(Via Samuel Quedas no facebook)

Autor desconhecido