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quinta-feira, 10 de julho de 2014

Fascismo silencioso

Por Anabela Fino, no jornal «Avante!»
O fantasma do fascismo paira sobre a Europa. Embora seja impossível determinar o momento em que começou a manifestar-se, é um facto que os atentados terroristas de 11 de Setembro de 2001 nos EUA abriram a porta à imposição de legislação altamente restritiva da liberdade e dos direitos dos cidadãos naquele país e em todo o espaço europeu. Veio depois a «crise», também com origem no outro lado do Atlântico, com as consequências que se sentem deste lado. De súbito os trabalhadores e os povos da Europa ficaram a saber que viviam «acima das suas possibilidades», por isso se entendendo o trabalho com direitos, a habitação, o direito à saúde, à educação, à protecção social. Em menos de uma década registou-se uma regressão civilizacional tal que a expressão «escravatura do século XXI» entrou no vocabulário do velho continente.
Formalmente, claro, a democracia existe, mas a par da destruição paulatina de direitos elementares – apresentada sob a forma de «inevitáveis reformas estruturais» – sucedem-se casos de inegável matriz fascista. É o que se está a passar com a perseguição aos sem-abrigo, transformados em «inimigo público» a abater, não com a resolução das causas que lhes dão origem, mas escorraçando-os da sociedade. O caso extremo é o da Hungria, onde com a chegada ao poder da extrema-direita a escalada para a criminalização dos sem abrigo aumentou exponencialmente; dormir na rua é punido a nível nacional com multas e penas de prisão. O exemplo húngaro está longe de ser caso único. Em Liége, na Bélgica, mendigar tem horário, não podem estar mais de quatro mendigos na mesma rua e há espaços rigorosamente proibidos, como cruzamentos ou entradas de edifícios públicos, casas, empresas... Quem é apanhado três vezes em prevaricação é preso. Barcelona, Madrid, Roma, Verona enveredaram pelo mesmo caminho. Por uma questão de «higiene», como diz o presidente de Verona, eleito pelo partido da extrema-direita anti-imigração Liga do Norte.
Segundo o jornal The Guardian, que fez as contas, há na Europa 11 milhões de casas vazias e cerca de 4,1 milhões de sem abrigo, mas isso não interessa nesta história do fascismo silencioso que a direita está a escrever. Pensar que isto não nos diz respeito seria um erro trágico. Como diria Brecht, eles começam sempre por qualquer lado.

sábado, 9 de julho de 2011

Sendo sábado, temos música (90)

Porque gosto do verão e dos seus concertos, e de Manu Chao também; fica assim esta sugestão musical para hoje.




Rumba de Barcelona


Rambla pa'qui
rambla pa'llá
esa es la rumba de Barcelona
Rambla pa'qui
rambla pa'llá
esa es la rumba de Barcelona

Le merce Bibi malena, le Merce Perro Chaval
Le merce la policia, le merce Abdu Lila

Rambla pa'qui
rambla pa'llá
esa es la rumba de Barcelona
Rambla pa'qui
rambla pa'llá
esa es la rumba de Barcelona

Le merce Madmuasel até ponte de Avignon
Le merce o bixo bahia, le merce Escudellers

Rambla pa'qui
rambla pa'llá
esa es la rumba de Barcelona
Rambla pa'qui
rambla pa'llá
esa es la rumba de Barcelona

Le merce Bibi malena, le Merce Perro Chaval
Le merce la policia, le merce Abdu Lila

Rambla pa'qui
rambla pa'llá
esa es la rumba de Barcelona
Rambla pa'qui
rambla pa'llá
esa es la rumba de Barcelona

Bom sábado, boas notícias e boa música.