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quinta-feira, 15 de maio de 2014

“GUERRA ABERTA” EM BRUXELAS POR CAUSA DA UCRÂNIA



Por José Goulão. em JORNALISTAS SEM FRONTEIRAS
“Aqui dentro está tudo em guerra por causa da Ucrânia”. Quem assim fala é um alto funcionário das comunidades que se declara “farto de tanta birra e tanto amadorismo” a propósito da “descoordenação total entre dirigentes da União” sobre o que fazer com a actual situação ucraniana.
O desabafo foi feito depois do acto solene em que Durão Barroso pôs mil milhões de euros dos contribuintes europeus à mercê de Arseny Iatseniuk, o primeiro ministro não eleito de Kiev e um dos principais responsáveis pela entrega do aparelho militar e de segurança do país aos círculos neonazis e revanchistas.
Sobre a entrega desta verba aos meios que se indignam quando são qualificados como “junta” no poder não há grandes novidades. Diz-se que é para pagar as dívidas do gás natural à Rússia e que em troca deve a Ucrânia realizar as reformas fiscais e estruturais que muitos europeus não ucranianos bem conhecem,  principalmente os mais de 25 milhões no desemprego.
Porém, a “guerra” de que fala o alto funcionário não é por causa deste assunto, que é pacífico porque “está no ADN do golpe de Estado”, para usar uma expressão proferida pelo socialista belga Philippe Bertrand, correndo o risco de ser insultado como perigoso esquerdista. O mesmo Bertrand que se interrogou, em inocente conversa de café, sobre o critério que têm os dirigentes europeus ao entregar mil milhões de euros a um governo que dizem ser “transitório”, a menos de 15 dias de eleições. “Só se já sabem o resultado das eleições”, murmurou o meu amigo belga.