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terça-feira, 14 de julho de 2015

A cruel maratona grega

Por Flavio Aguiar, na Rede Brasil Atual
Os termos que vêm aparecendo na mídia europeia, inclusive na conservadora, para avaliar a conclusão da extensa maratona que foi a reunião de 17 horas dos líderes da zona do euro, da noite de ontem (12) para esta manhã, falam por si mesmos: “crueldade”, “humilhação”, “fratura”, “imposição”, “tratamento impiedoso”, “brutal” e outros. Para quem acompanhou as negociações desde o começo, e sobretudo agora nesses momentos finais, o que ficou claro foi a arrogância de grande parte dos líderes da zona do euro, exigindo praticamente não só a capitulação de Atenas, de Tsipras, Varoufakis, Syriza e do povo grego, mas pretendendo impor a deposição do governo.
Ficou claro também que na União Europeia a democracia tem voo curto e nariz comprido. Não há lugar na UE ou na zona do euro para um governo de fato de esquerda, nem para algo parecido com soberania nacional, muito menos popular. Manda quem manda, e quem manda, em nome do capital financeiro, são os barões neoliberais da economia. Aos políticos, como a própria toda-poderosa (na aparência) Angela Merkel, cabe fazer a pantomima para os eleitores, fazendo de conta que esses decidem algo importante.
Nos momentos finais dessa corrida de obstáculos, François Hollande e Matteo Renzi ensaiaram um ar mais simpático aos gregos e a Tsipras. Aparentemente, com um único resultado prático: originalmente o Fundo de Capitalização oriundo das privatizações e cortes que virão deveria ficar em Luxemburgo, não em Atenas. Pelo acordo final, esta “concessão” foi feita: o fundo fica na capital grega, mas, de qualquer modo, será supervisionado, senão administrado, pela Troika (FMI, BCE, Comissão Europeia, ou seus representantes) para amortizar a dívida soberana, capitalizar o sistema financeiro e assemelhados.