sexta-feira, 9 de outubro de 2015

NATO MOBILIZA-SE EM DEFESA DO ESTADO ISLÂMICO

Por José Goulão, no seu blogue Mundo Cão

A seita terrorista e sanguinária conhecida por “Estado Islâmico”, que também poderá designar-se Al-Qaida, Al-Nusra e Exército Livre da Síria – tiradas a limpo as consequências da existência deste – deixou de estar impune. Praticamente incólume desde que há um ano o todo-poderoso Pentágono anunciou que ia fazer-lhe guerra, bastaram-lhe agora uns dias sob fogo cerrado russo para entrar em pânico. Ou a aviação e a marinha da Rússia têm mais pontaria que as suas congéneres dos Estados Unidos da América e da NATO, o que é bastante improvável tendo em conta que não existem discrepâncias de fundo entre as tecnologias de ponta ao serviço destas potências, ou a diferença está simplesmente entre o que uns anunciam e os outros fazem. Diferença simples, mas de fundo, entre ser contra o terrorismo ou ser seu cúmplice.
De acordo com dados divulgados por fontes moscovitas, a Aviação e os mísseis de cruzeiro disparados de navios da Armada da Rússia destruíram já 112 alvos do Estado Islâmico instalados em território sírio ocupado, danos que incluem centros de comando, centrais de comunicação, bases de operações antiaéreas, além de estarem a provocar deserções em massa e um ambiente de pânico entre os terroristas. Propaganda de Moscovo, dirão muitos, mas sem razão. A desorientação entre os mercenários recrutados através do mundo e infiltrados na Síria a partir do Iraque, da Jordânia e, sobretudo, da Turquia está à vista de quem tem olhos para ver, principalmente os espiões atlantistas, bastando-lhe acompanhar a guerra em directo transmitida pelos satélites.
Esta realidade parece ser tão crua que, para surpresa de tantos que ainda acreditam em histórias da carochinha, induz os dirigentes norte-americanos, incluindo Obama himself, a esquecer-se das aparências e a deixar escapar uma sentida indignação com tanta eficácia russa, capaz de, numa simples semana, ter mais êxito que os seus exércitos num ano inteiro.

quarta-feira, 30 de setembro de 2015

4 DE OUTUBRO: ELEIÇÕES LEGISLATIVAS

O parlamento português tem sido dominado pelos interesses escusos do capital monopolista e financeiro. Quem os representa são os grandes escritórios de advogados que enxameiam a AR. De manhã eles estão nos seus escritórios e à tarde comparecem ao parlamento para fazer as leis que lhes convém. Tanto faz que sejam dos partidos gémeos PS e PSD ou do seu acólito CDS – neles não se pode confiar. Quanto ao BE está nas garras da UE, à qual jurou fidelidade. Não se pode esperar qualquer iniciativa do BE que liberte Portugal do Euro. A alternativa que resta com potencial libertador é o PCP. A abstenção, o voto em branco ou a anulação de voto não causam mossa ao sistema. O voto útil de resistência é no PCP.



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sexta-feira, 18 de setembro de 2015

A conta, o peso e a medida

Por Jorge Cordeiro, no jornal «Avante!»

Sucedâneo das leituras inteligentes e das avaliações métricas sobre a dosagem usada na imposição ao povo e ao País do chamado «memorando de entendimento», a campanha eleitoral revelou agora no léxico do líder do PS uma nova formulação: a «conta, peso e medida». Sempre que se trata de esclarecer a verdadeira intenção quanto à reposição de quaisquer direitos ou rendimentos roubados nos últimos anos, aí vai atrelada à resposta, um qualquer «talvez», ou, ainda um «logo se vê», sempre acompanhada da preventiva asserção da devida conta. Feriados roubados? Quatro, mas talvez se reponham dois não se venha a ofender a omnipresente «devida conta». Extinção da sobretaxa? Lá para 2017, mas sempre no respeito pela «conta devida». Aumento das pensões? Coisa que a «devida conta» não autoriza, pelo que para já se congela o seu valor, mesmo que isso signifique mais uma perda real de seis por cento nos próximos quatro anos. Aumento do salário mínimo nacional? Logo se verá, mas sempre em sede de concertação social, logo na conta e na proporção dos interesses do grande patronato a que ficará condenado. Quanto ao resto, e o que se revelará decisivo, da renegociação da dívida à rejeição do Tratado Orçamental, da recuperação pelo Estado do controlo dos sectores estratégicos à reversão das privatizações, tudo permanecerá à medida dos interesses da União Europeia e do directório que a comanda, à medida dos interesses do capital monopolista.

Em bom rigor a formulação «conta, peso e medida» padece do rigor e alcance para a qual foi concebida. Diga-se que a verbalização ganharia em precisão e merecida compreensão se assumida na plenitude do seu conteúdo. Ou seja, que o que dali virá, embrulhado nas repetidas virtudes do tal cenário sabiamente elaborado, é o que previamente já se anuncia: tudo sempre feito «com conta» quando se trata de repor direitos e rendimentos, «à medida» dos interesses do grande capital e dos seus interesses, com o «peso» das privações e exploração que se conhece sobre os ombros dos trabalhadores e do povo.