terça-feira, 5 de junho de 2012

A novela dos abrumados

Ao que consta na cidade os barões da laranjada, quando hoje deram ordens para que se abrissem as portas do palácio a fim dos criados irem passear os lulus, entrou-lhes pela porta dentro qualquer coisa que os deixou surpreendidos. Então do que se tratava?  Conforme relatos no local, parece ter sido a vinda  de um mensageiro... para informar os senhores do palácio que "a receita estava a matar o doente".

Ao que foi possível apurar através das informações disponíveis no palácio, os barões da laranjada, depois do seu banho matinal perfumado e com massagem e depois de ouvirem o mensageiro,  enquanto se banqueteavam no festim habitual do seu pequeno-almoço, não  terão ficado nada preocupados com os possíveis efeitos da noticia, sendo que  logo de seguida, terão  mandado colocar mais um cabrito no forno para o almoço na corte, e, quanto ao doente, disseram apenas: que morra!...

segunda-feira, 4 de junho de 2012

A pobreza engravatada


A selecção portuguesa de futebol partiu hoje com muita pompa e circunstância, rumo à fase final do Campeonato Europeu de 2012 a disputar a partir do próximo dia 8 na Polónia e na Ucrânia.
Vão (toda a comitiva), ficar bem alimentados, bem preparados e muito bem instalados. Os resultados logo se verão... Nem sei se serão muito importantes porque nos jogos de preparação não o foram. Pensava eu ( de acordo com o que aprendi) que um resultado final positivo seria sempre o objectivo do jogo.

No meio de tudo isto, e a propósito, permitam-me que faça uma sugestão! Uma vez que  vemos nos mais variados momentos em Portugal tantos estudos de opinião pelos vários órgãos de comunicação social a pretexto de tudo e de nada, talvez fosse bom, esses mesmos orgãos fazerem desta feita, um estudo junto dos portugueses em geral onde os desempregados ultrapassam os 1200 mil, para ficarmos a saber o que sentem os portugueses face a tantas mordomias para uns e, tanta miséria para outros.

E, já agora, o que pensarão os "mercados" destas brincadeiras futebolísticas!...Afinal será verdade que precisamos de alguma  "ajuda" para tirar o País do buraco em que o meteram?

Tenho para mim que este País está  a ser governado por políticos incompetentes ou mal intencionados por que após um ano de exercício, verificamos que os resultados são todos negativos em relação aos objectivos inicialmente apresentados. Mesmo assim, há sempre alguém, que se disponibiliza para fazer aquele papel ridículo de vir dizer que "estamos no bom caminho". 

Se isto não fosse um assunto muito sério, eu diria que este governo e quem o apoia continuam a brincar com a maioria dos portugueses. Como se governar um pais pobre fosse  uma festa onde só alguns podem entrar para se divertir.

Somos mesmo um País com muita  pobreza, onde alguns andam engravatados.

Agiotagem e conto do vigário





Por Carvalho da Silva, no Jornal «JN»





O povo português, como outros povos europeus, vive submetido a processos de agiotagem cada vez mais refinados e, em Portugal, o conto do vigário tornou-se prática da governação económica e política. Os portugueses foram convidados a fazerem de conta que eram ricos e embalados em falsas festas de modernidade, autênticas cortinas de fumo que escondiam negociatas e fraudes monumentais. Depois, passaram a ser acusados de irresponsáveis e de terem andado a viver acima das suas possibilidades.

Mas quem foram ao longo dos anos os "irresponsáveis", ou seja, os verdadeiros responsáveis pelas dificuldades em que vivemos e pelas limitações em que hoje se nos apresenta o futuro?

O relatório do Tribunal de Contas sobre as parcerias público-privadas é mais uma peça que confirma os negócios ruinosos feitos por vários governos. Trata-se de um processo prenhe de ilegalidades, de enganos, de fraudes e vigarices feitas sobre a riqueza e o interesse de todo um povo.

As promessas do primeiro-ministro de repor a legalidade nesses negócios não têm concretização possível, por duas razões: primeiro, o problema fundamental é a génese subversiva desse tipo de parceria; segundo, o Governo está de corpo e alma nos pressupostos políticos e nos objetivos económicos que sustentam essas parcerias. O problema só será resolvido quando tivermos um Governo identificado com os interesses do povo e não com os interesses egoístas dos grandes acionistas da banca e dos grupos económicos.

A trapalhada em que está envolvido o ministro Relvas é outra expressão das manipulações e atuações antidemocráticas. A insistência no distanciamento do ministro em relação a um dos "operários" das jogadas chantagistas com que estes processos se desenvolvem e os argumentos "legalistas" e formais que o primeiro-ministro, o Governo, os partidos do poder e outra gente do centrão político vão repetir, só agravarão a situação. O povo ficará mais descrente no Governo e nas instituições. Acumulam-se assim graves riscos para a democracia.

Conversas do dia


O meu vizinho do 5º Esqº  apareceu  ontem no café onde habitualmente  nos encontramos para a bica e a conversa do dia, muito zangado com um tal António Borges (AB) que passou  pelo FMI, Citibank, BNP Paribas, Petrogal, Sonae, Cimpor , Vista Alegre e Jerónimo Martins.
Hoje, (AB), parece ser ainda consultor do Governo para as privatizações e para as parvoíces descabeladas como aquela canelada de sexta-feira quando “recomendou” (na entrevista à Económico TV) que diminuir os salários não é uma política mas "uma urgência". Sabemos ainda (pelo título de um jornal) que a dita-cuja criatura ganhou 225 mil euros livre de imposto enquanto funcionário do FMI; a mesma instituição que pretende colocar os portugueses e o país na miséria através das políticas aconselhadas, seguidas  e implementadas  pelas troikas.
É claro que o meu vizinho tem toda a razão em estar zangado, não com a vida, mas com aqueles que fazem com que os seus dias sejam cada vez mais longos, mais sombrios, mais difíceis de viver. O sujeitinho anunciado que ganha milhões sem pagar impostos, pode ser mais desboucado que certos cucos-velhos do governo mas são todos farinha de mesmo saco; requentada e com cheiro a bafio que tresanda fazendo lembrar tempos vividos de má memória que importa tudo fazer para não voltarmos a repetir.