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terça-feira, 29 de julho de 2014

HOSPITAIS DA FAIXA DE GAZA SÃO ALVOS ESCOLHIDOS POR ISRAEL

Matança no parque infantil

Por Christopher Wadi, Gaza, em Jornalistas Sem Fronteiras

Piso de cuidados intensivos e das salas de operações do hospital de Deir Balah, hospital de Beit Hanun, centro de reabilitação de el-Wafa e, agora, o hospital de Shifa: o exército de Israel prossegue a sua ronda de bombardeamentos directos ou nas imediações dos principais estabelecimentos hospitalares de Gaza, onde equipas de socorro exaustas tentam salvar a vida a centenas de vítimas do massacre. Assim tenciona Israel erradicar “o terrorismo” partindo do princípio de que o argumento dos “escudos humanos” cobre tudo.
“A tese israelita dos escudos humanos, aliás o único argumento que os israelitas invocam, a par dos disparos de rockets, para tentar justificar a chacina humana a que procedem tem que ser olhada de maneira mais séria”, desafia Suheir Khoury, uma jurista oriunda da Cisjordânia voluntária da resistência em Gaza. “Se queremos resistir – e nós queremos resistir ao bloqueio, à ocupação e à privação dos mais elementares direitos – somos todos escudos humanos. Isso é inerente à situação que Israel, com a cumplicidade do Egipto, criou em Gaza”, afirma.

quinta-feira, 24 de julho de 2014

O cheiro a gás... e a sangue

Por Ângelo Alves, no jornal «Avante!»
O massacre israelita prossegue em Gaza. Os números são elucidativos do crime contra a Humanidade que ali está a acontecer. Os mortos palestinianos ascendem, no momento em que escrevemos, a 512. Apenas no passado domingo o exército israelita matou 100 palestinianos. As vítimas são civis e na sua maioria mulheres, crianças e idosos. Os alvos são zonas residenciais como o bairro de Shejaiya onde ocorreu o massacre que o mundo viu. Nas praias de Gaza crianças são assassinadas enquanto brincam. Sentem o primeiro bombardeamento lançado de um submarino israelita. Põem-se em fuga, correm e tentam resguardar-se numa cabana de pescador. O segundo «tiro» do submarino não falha e mata as três crianças.
Os feridos são, ao momento da redacção deste artigo, francamente mais de 3000. Os refugiados internos contam-se já em 63 000, amontoados em 48 centros da ONU. Colonos israelitas montam plateias improvisadas para ver o «espectáculo» da matança. A loucura racista e fascista vai tão longe que Mordechai Kedar, um dito professor de Literatura Árabe na Universidade de Bar-Ilan, recomendou, num programa de rádio, a violação de mulheres palestinianas como forma de impedir «ataques terroristas». Mas os palestinianos não estão sós. São centenas as cidades, por todo o mundo, onde o povo faz ouvir, por estes dias, a solidariedade com a Palestina.

terça-feira, 22 de julho de 2014

“Esperamos pela nossa bomba”, relatam moradores de Gaza


Centenas de famílias palestinas fugiram depois de Israel ter intensificado seus ataques aéreos contra alvos do Hamas.
REUTERS/Finbarr O'Reilly
(...)O dia de segunda-feira e as primeiras horas desta terça-feira (22) foram novamente marcados por ataques. Ontem, cerca de 50 pessoas morreram. O hospital Al-Aqsa, situado ao sul da Faixa de Gaza, foi atingido e quatro pessoas morreram. Um outro prédio residencial também foi alvo de um bombardeio que deixou 11 mortos, sendo 5 crianças.
Entrevistado pela RFI, Anal Charwan, um médico do hospital Al-Shifa, também localizado em Gaza, relata o cotidiano sob os ataques de Israel. “Domingo, muitas pessoas chegaram de Al-Shuja’iyeh, onde havia ataques de mísseis israelenses. Havia muitos mortos, muitos feridos. Não havia mais lugar para ninguém. Nem para os mortos. Os serviços de cirurgia estão cheios. Não temos instrumentos cirúrgicos. Faltam médicos, especialistas em queimaduras e em ferimentos causados por mísseis. No hospital Al-Aqsa, que foi atingido [ontem], havia serviços de cirurgia, de reanimação e de ginecologia. Mas tudo foi destruído”, contou.

segunda-feira, 21 de julho de 2014

UM DIA DE TERROR, DESESPERO E GUERRA EM GAZA

Fugir de Gaza para Gaza (Hatem Moussa, AP)

Por Christopher Wadi, Gaza, em Jornalistas Sem Fronteiras


O primeiro ministro de Israel diz que fará em Gaza “o que tem a fazer”, mas além de o exército às suas ordens já ter assassinado 430 pessoas, na sua maioria civis, e de ele continuar a falar na destruição dos túneis que ligam o território ao Egipto, não se prevê quando dará a chacina por concluída e o que se seguirá.
Domingo foi o dia mais mortífero da operação “Barreira Protectora”, que o exército israelita começou há 11 dias com o apoio dos Estados Unidos, a compreensão da União Europeia e a cumplicidade objectiva das Nações Unidas – apesar de este acto de agressão ser uma violação flagrante dos direitos humanos e de numerosas resoluções do Conselho de Segurança em relação ao conflito israelo-palestiniano.
O número de palestinianos assassinados durante a operação chegou aos 430, a que se acrescentam mais de três mil feridos num cenário onde não existem condições mínimas de socorro clínico, desde hospitais sob bombardeamentos, falta de água e energia eléctrica, carência de medicamentos e exaustão de equipas de médicos e enfermeiros trabalhando 24 horas por dia. Grande parte das vítimas são crianças.
“Não tínhamos nenhum túnel na nossa casa, mas agora temos um monte de ruínas onde ela existia e acabei de enterrar os meus dois filhos, um com 11, outro com 13 anos, relata Hisham Said com os olhos perdidos no vazio e o rosto hirto, como se o medo, o sentido de sobrevivência e as emoções o tivessem abandonado. “Sou viúvo, a minha mulher foi assassinada também pelos israelitas em 2008, agora aqui estou, bem podia ter ido no lugar dos meus filhos mas Deus (Alá) destinou assim”.
Estamos em Shizhaya, um bairro na região oriental da cidade de Gaza onde as tropas israelitas saciaram parte da sua sede de sangue no domingo, desrespeitando uma “trégua humanitária” que acusam o Hamas de ter violado, apesar de ter sido este grupo a pedi-la, com mediação do Egipto.

segunda-feira, 14 de julho de 2014

A MATANÇA EM GAZA FAZ PARTE DO NOVO MÉDIO ORIENTE


Sara A. Oliveira, Jerusalém, Martha Ladesic, Nova York, em Jornalistas Sem Fronteiras

A nova fase da intensificação da matança israelita em Gaza  “é pré-fabricada como todas as outras”, não resulta de qualquer acontecimento específico no terreno militar, corresponde a um conjunto de circunstâncias e objectivos que têm interligação com tudo o que está a acontecer no Médio Oriente, segundo as interpretações de numerosas fontes israelitas e palestinianas.
Existem muitas teses circulando na imprensa israelita que pretendem expor uma relação de causa e efeito própria para esta nova operação militar determinada pelo governo de Netanyahu, “mas quase todas elas escondem a leitura global que deve ser feita entre esta ofensiva e aspectos como a criação de um governo de unidade nacional na Palestina e as situações no Egipto, Síria, e Iraque”, segundo Benjamin Stern, professor israelita de ciências políticas.
“A crise entre Israel e Gaza é permanente, faz parte de um conflito por resolver e a sua existência permite criar picos de guerra conjugados com  objectivos estratégicos e acertos tácticos que vai sendo preciso fazer”, explica Stern. “É mais uma vez o que está a acontecer”, diz.
Para o professor Stern, “a crise está mal explicada desde o início através dos mistérios, contradições, omissões e acusações que envolvem o caso de três adolescentes israelitas sequestrados e que apareceram mortos três semanas depois na Cisjordânia, mas isso agora deixou de interessar: a atenção mediática, e logo da opinião pública nacional e internacional, foi transferida e focalizada para a componente militar da punição ao Hamas e correspondente impossibilidade de conviver e negociar com um governo que integra terroristas como os do Hamas”.

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Operação Chumbo Impune

Por Eduardo Galeano, no sítio Adital


Para justificar-se, o terrorismo de Estado fabrica terroristas: semeia ódio e colhe álibis. Tudo indica que essa carnificina de Gaza que, segundo seus autores, quer acabar com os terroristas, conseguirá multiplicá-los.

Desde 1948, os palestinos vivem condenados à humilhação perpétua. Não podem nem respirar sem permissão. Perderam sua pátria, suas terras, sua água, sua liberdade, seu tudo. Nem sequer têm direito a eleger seus governantes. Quando votam em quem não devem votar são castigados. Gaza está sendo castigada. Converteu-se em uma ratoeira sem saída desde que o Hamas ganhou limpamente das eleições, em 2006. Algo parecido havia acontecido em 1932, quando o Partido Comunista triunfou nas eleições de El Salvador. Banhados em sangue, os salvadorenhos expiaram sua má conduta e desde então viveram submissos a ditaduras militares. A democracia é um luxo que nem todos merecem.