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terça-feira, 27 de maio de 2014

PARLAMENTO EUROPEU CONTINUA NAS MÃOS DA AUSTERIDADE

Por Pilar Camacho, em JORNALISTAS SEM FRONTEIRAS





A pulverização do eleitorado nas eleições de 2014 é real nas urnas mas será aparente no Parlamento Europeu, onde o neoliberalismo austeritário continuará a ter um poder representado por quase 70% dos eurodeputados eleitos, contando ainda com a possibilidade de recorrer à reforçadíssima legião fascista.
As vitórias de partido fascistas em França, no Reino Unido e na Dinamarca, sempre acima dos 25% dos votos, representam, “sem dúvida, um ponto de viragem assustador na União Europeia”, alarma-se um alto funcionário do Conselho Europeu, em Bruxelas. “Ouvi muitos analistas durante as últimas horas tecendo considerações em torno da subida dos chamados ‘eurocépticos’, o que, explicado dessa maneira, me surpreende e assusta”, acrescentou. “Tais comentadores estão a usar esse termo baralhando zonas do espectro político entre a extrema direita e a esquerda contribuindo assim para esconder, voluntaria ou involuntariamente, a realidade fascista que ameaça a Europa. Tal como se esconde o fascismo na Ucrânia parece estar-se agora a dissolvê-lo dentro da União... Isto não tem nada a ver com a criação das comunidades, de certa maneira é o seu oposto”.

terça-feira, 20 de maio de 2014

A UE “FAZ MAL ÀS PESSOAS MESMO SEM EXISTIR”


Por José Goulão e Pilar Camacho, em JORNALISTAS SEM FRONTEIRAS


No Serviço Europeu de Acção Externa (SEAE) soam “sinais de alarme por todos os lados” a uma semana das eleições europeias. “Aqui ninguém se entende, ninguém sabe qual é o rumo, as decisões e contra-decisões sucedem-se”, alerta um alto funcionário do Serviço. “A União Europeia não tem política externa própria numa fase em que a Europa e a Ásia estão em ebulição”;  a alta representante Ashton é “um barco à deriva”, acrescentou.
O sentido mais correcto da tradução da definição do comportamento da baronesa Catherine Ashton pelo nosso interlocutor seria “barata tonta”. Trocámos impressões em várias línguas e ele achou que a ideia de “barco à deriva” seria “mais universal”.
“Repare só nos acontecimentos dos últimos dias, e não vou enumerá-los todos: a Rússia diz que tem respostas para as sanções e numa semana desbloqueia um negócio da China com a China, em discussão há 10 anos, que Putin vai assinar agora a Xangai e garante o fornecimento de gás natural russo por 30 anos; os americanos animam a vocação militarista japonesa e protestos anti chineses em várias ilhas enquanto Putin responde à imprensa de Xangai garantindo que as relações entre a China e a Rússia ‘nunca estiveram num ponto tão alto’; o ministro russo dos Estrangeiros desafia a NATO, diz que as relações com a aliança têm de ser revistas e num ápice desfaz um dos argumentos dos americanos para militarizar a Ucrânia e retira as tropas das fronteiras deste país dando como terminados os exercícios que estava a realizar. E o que faz a Europa perante tudo isto?” – interroga-se o alto funcionário.