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quinta-feira, 3 de julho de 2014

COMEDIANTE BEPPE GRILLO JUNTA-SE AO NEOFASCISMO


Por Pilar Camacho, Estrasburgo, em Jornalistas Sem Fronteiras

Os 17 eurodeputados do Movimento Cinco Estrelas do comediante italiano Beppe Grillo juntaram-se ao Grupo Europa da Liberdade e da Democracia Directa (GELDD), expressão organizada do neofascismo no Parlamento Europeu.
“Caíram por terra todas as ilusões que pudessem existir quanto à frescura, inovação e poder contestatário deste movimento”, comenta Stefano Gualdieri, funcionário parlamentar italiano.
O Movimento Cinco Estrelas representa a segunda maior força do grupo, que assenta sobretudo nos 24 eleitos dos neofascistas britânicos designados Partido da Independência do Reino Unido (UKIP na sigla anglo-saxónica), organização xenófoba de Neil Farage que combate a imigração no Reino Unido.
“Não sei se o Cinco Estrelas poderia ter escolhido melhor ou se encaixa exactamente onde deve estar: assim demonstra que os seus conceitos ‘anti política’, ‘anti sistema’ ou ‘anti corrupção’ são aspectos variados de um mesmo populismo com que se pretendem disfarçar velhos e novos fascismos”, afirma ainda Stefano Gualdieri.

terça-feira, 27 de maio de 2014

PARLAMENTO EUROPEU CONTINUA NAS MÃOS DA AUSTERIDADE

Por Pilar Camacho, em JORNALISTAS SEM FRONTEIRAS





A pulverização do eleitorado nas eleições de 2014 é real nas urnas mas será aparente no Parlamento Europeu, onde o neoliberalismo austeritário continuará a ter um poder representado por quase 70% dos eurodeputados eleitos, contando ainda com a possibilidade de recorrer à reforçadíssima legião fascista.
As vitórias de partido fascistas em França, no Reino Unido e na Dinamarca, sempre acima dos 25% dos votos, representam, “sem dúvida, um ponto de viragem assustador na União Europeia”, alarma-se um alto funcionário do Conselho Europeu, em Bruxelas. “Ouvi muitos analistas durante as últimas horas tecendo considerações em torno da subida dos chamados ‘eurocépticos’, o que, explicado dessa maneira, me surpreende e assusta”, acrescentou. “Tais comentadores estão a usar esse termo baralhando zonas do espectro político entre a extrema direita e a esquerda contribuindo assim para esconder, voluntaria ou involuntariamente, a realidade fascista que ameaça a Europa. Tal como se esconde o fascismo na Ucrânia parece estar-se agora a dissolvê-lo dentro da União... Isto não tem nada a ver com a criação das comunidades, de certa maneira é o seu oposto”.

terça-feira, 8 de abril de 2014

Riscos de uma campanha eleitoral falhada

Por Otávio Teixeira, no sítio resistir.info
É visível que entrámos já na campanha eleitoral para o parlamento europeu. Mas, pelo que "vemos, ouvimos e lemos, não podemos ignorar", parece que nessa campanha não haverá espaço para discussão do problema central que é a saída do Euro ou, pelo menos, que nenhuma força política defenderá a saída da zona Euro. É uma situação para mim incompreensível, designadamente no que respeita aos partidos de esquerda. Quer pelos efeitos nefastos que a adesão ao Euro gerou, e a permanência no Euro continuará a gerar, sobre a economia e sobre a sociedade, em particular sobre os trabalhadores. Quer pelo que o Euro significou, e continuará a significar, nas perspectivas da divisão internacional do trabalho no âmbito da zona Euro e do aprofundamento do neoliberalismo. O Euro tem enormes efeitos nefastos sobre a economia portuguesa:>a) degrada as nossas capacidades de exportação nos sectores em que a procura é mais sensível ao preço e aumenta a pressão sobre as empresas no mercado interno devido à baixa do preço em Euros dos produtos importados de países exteriores à zona Euro, com consequências pesadas para as PMEs, reduzindo as suas capacidades de investimento e consequente competitividade futura e obrigando-as a endividarem-se acrescidamente;   b) acentua a desindustrialização do país, o agravamento dos défices externos, o endividamento externo das empresas e do Estado, a recessão ou prática estagnação do crescimento;   c) impede o financiamento da dívida pública com recurso ao Banco Central, obrigando o Estado a financiar-se exclusivamente nos mercados financeiros e a reduzir a despesa pública (veja-se o tratado orçamental) com a consequente pressão em baixa sobre a procura agregada. Em resultado destes efeitos, o Euro impõe a redução das remunerações e das pensões de reforma, com efeitos negativos sobre a redistribuição do rendimento, a prestação de serviços públicos e o emprego.